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10/04/2015
Política Internacional
10/04/2015

Direitos Humanos

Defesa do Brasil pela liberação dos presos políticos na Venezuela surpreende

Marcelo Rech, especial da Cidade do Panamá

A declaração da presidente Dilma Rousseff em defesa da liberação dos presos políticos na Venezuela surpreendeu jornalistas, analistas e até mesmo os venezuelanos que estão no Panamá para denunciar as violações dos direitos humanos naquele país, como as esposas de Leopoldo López e Antonio Ledezma, Lilian Tintori e Mitzy Capriles.

Em entrevista concedida ao canal CNN, nesta quinta-feira, 9, horas antes de embarcar para a Cúpula, Dilma afirmou que “os países que integram a Unasul, que participam da Cúpula, da Cúpula das Américas, temos hoje, inclusive, o absoluto interesse de que haja uma maior liberação, que soltem os presos, que não haja níveis de violência nas ruas, todos nós temos esse interesse”.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, integra o grupo de chanceleres do bloco regional que mantém diálogo com o governo e setores da oposição na Venezuela, junto com os colegas da Colômbia, Equador e Vaticano. Para a presidente, o papel da Unasul por meio dos ministros de Exteriores, evitou que a Venezuela sofresse uma ruptura democrática.

Ainda não se sabe que impacto terão as palavras da presidente junto à delegação venezuelana, mas não há dúvidas de que o comentário é o mais crítico feito por ela em relação ao governo venezuelano desde que chegou ao poder em 2010. Para vários analistas que acompanham a Cúpula no Panamá, mesmo não tendo condenado explicitamente o governo do presidente Maduro nem cobrado a imediata liberação dos presos, a posição brasileira influenciará toda a região.

Dilma Rousseff também deixou claro que não iria intrometer-se em temas de política interna da Venezuela, mas explicou que no Brasil, há manifestações contra o seu governo e nem por isso, há opositores presos.

Segundo ela, “não pensamos que a melhor relação com a oposição seja encarcerar a quem quer que seja. Se a pessoa não cometeu um crime, não pode ser presa”, disse.

Ainda nesta quinta-feira, 9, ela conversou com o presidente venezuelano Nicolás Maduro que lhe garantiu ter toda a disposição por reduzir as tensões com Washington.

O governo brasileiro não confirma, mas há informações de que Dilma teria se oferecido para mediar o diálogo entre Venezuela e Estados Unidos. Na tarde do mesmo dia, ela falou com o vice-presidente norte-americano Joe Biden com quem teria tratado do assunto.

Para os Estados Unidos, o papel do Brasil é chave para a normalização das relações com Caracas, razão pela qual o enviado norte-americano à Venezuela nesta semana foi o ex-embaixador em Brasília, Thomas Shannon. A expectativa agora é pela aproximação entre Obama e Maduro durante a Cúpula.

Cuba

Na entrevista ao canal norte-americano, Dilma Rousseff também exortou ao governo dos Estados Unidos para que faça um esforço maior pela derrubada do embargo econômico contra Cuba, país com o qual Washington retomou o diálogo no final de 2014.

“Não consideramos correto, e pensamos que não vão longe, as medidas de boicote, as medidas que segregam o país, e creio que temos um grande acontecimento a comemorar nesta Cúpula das Américas, que mostra a coragem dos dois países, dos Estados Unidos, do presidente Obama, e do presidente Raúl Castro, que foi acabar politicamente com o último resquício da Guerra Fria”, explicou.

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