Brasília, 18 de novembro de 2018 - 21h52

Programa FX2

23 de junho de 2010
por: InfoRel
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Depois de muitas especulações, o ministério da Defesa decidiu escolher o caça Rafale, de fabricação francesa, para integrar a Defesa Aérea brasileira.



A decisão foi tomada com base apenas em questões técnicas.



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá convocar o Conselho de Defesa Nacional para discutir o assunto.



Uma exposição de motivos de cerca de 40 páginas que será assinada pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, e os comandantes da Aeronáutica, Brigadeiro Juniti Saito, e da Marinha, Almirante Moura Neto, confirma a escolha.



O documento está dividido entre os pontos positivos e negativos de cada um dos três aviões finalistas – Rafale (Dassault), Gripen NG (Saab) e F-18 (Boeing).



Cada parágrafo remete a documentos elaborados pela Força Aérea e pela Marinha.



A Marinha foi consultada visando os porta-aviões de 50 mil toneladas que serão incorporados no futuro.



Também foi assegurada a participação da Embraer em todas as etapas do projeto.



Além disso, a empresa negocia com a França o desenvolvimento e a venda do cargueiro militar KC-390.



Em dezembro do ano passado, a Força Aérea entregou um relatório que colocaria o F-18 como vencedor e não o Gripen, como se chegou a especular.



Nelson Jobim mandou a FAB refazer o documento para adequar a pontuação à Estratégia Nacional de Defesa (END).



A FAB teria utilizado os mesmos critérios do FX1, que foi cancelado no início do primeiro mandato de Lula em 2003.



Na época, o custo de manutenção, o preço unitário do avião e o pacote de contrapartidas comerciais eram os itens que mais pontuavam.



Desta vez, a transferência de tecnologia valeu 40 de 100 pontos. Ao final do governo Fernando Henrique, valia apenas 9 pontos em 100.



O Gripen NG teve a melhor avaliação quanto à transferência de tecnologia, mas perdeu muitos pontos em outros itens e foi considerado um projeto de alto risco.



Na prática, o avião sueco só teve boa avaliação no início do processo.



O Rafale, por sua vez, só foi mal no quesito preço.



A hora vôo do Gripen está calculada entre US$ 7 e US$ 8 mil. A Saab prometeu que ficaria em US$ 3 mil.



Confirmada a decisão, a Saab estará em maus lençóis, pois o Gripen NG é o único projeto da empresa junto com a modernização das versões C e D do mesmo avião.



A própria Suécia não adquiriu o avião e só o fará se o negócio com o Brasil sair.



Já o Rafale tem mais de 100 unidades entregues e outras 180 encomendas. O modelo está bem avaliado nos Emirados Árabes Unidos e na Suíça.



O F-18 Super Hornet, da Boeing, está bem cotado na Índia.



Análise da Notícia



Marcelo Rech



O fato de o ministério da Defesa ter optado pelo Rafale não significa que o processo está concluído ou que será confirmado pelo presidente Lula.



Há uma eleição no horizonte próximo e não seria nenhuma surpresa que a decisão ficasse para a próxima administração.



A escolha foi técnica.



O governo acredita poder compensar, no âmbito da aliança estratégica com a França, o fato de o Rafale ser o mais caro entre os três finalistas.



A Embraer também ganha, e muito.



Eleito o Gripen, ela apenas participaria do projeto. Com o Rafale, estará liderando o processo.



A empresa também envolve o desenvolvimento e a comercialização do cargueiro KC-390 no negócio.



Os Estados Unidos não poderiam, por lei, fechar um negócio de compra do Super Tucano em troca da venda do F-18, como se especulou recentemente.



Jobim pediu mudanças porque não aceita uma compra de prateleira, como disse várias vezes em audiências públicas realizadas no Congresso.



Ele quer a industrialização da Defesa e o domínio da tecnologia pelo Brasil.



E acredita que isso será possível com a eleição do Rafale.



Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa e Terrorismo e contra-insurgência. Correio eletrônico: inforel@inforel.org

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