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12/12/2016
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Crimes Transnacionais

Defesa quer mais integração e inteligência para combater crime na fronteira

Brasília – O ministério da Defesa quer mais integração e inteligência para combater a criminalidade na fronteira, segundo afirmou o ministro Raul Jungmann, em conferência nesta quinta-feira, 8, na Assembleia Legislativa do Mato Grosso do Sul. Na oportunidade, ele destacou que uma das medidas tomadas pelo governo federal foi a elaboração do Programa de Proteção Integrada de Fronteira com a realização da Operação Ágata com mais frequência e que a torne fator de surpresa para as quadrilhas organizadas.

Jungmann disse ainda que estas operações iniciadas em 2011 tiveram seus resultados diminuídos em função da previsibilidade. Em média as Forças Armadas empregavam 23 mil militares e cada edição durava cerca de duas semanas. “Observamos que os resultados foram caindo. Agora teremos as operações de forma contínua durante o ano todo. Vamos atuar a partir daquilo que for apontado pelo serviço de inteligência”, explicou.

Preocupados em debater os crimes na faixa da fronteira, os deputados sul-matogrossenses convidaram o ministro da Defesa para proferir palestra sobre a faixa de fronteira oeste, com extensão de 1.517 quilômetros com Bolívia e Paraguai. Apenas nesta região estão situados 44 municípios que contam com uma população de mais de um milhão de habitantes.

Para Raul Jungmann, a discussão sobre a fronteira “é uma questão que diz respeito ao Brasil” e que por este motivo o governo vem buscando soluções. Hoje uma das questões que temos diz respeito à segurança. E isso é um problema nacional”, afirmou.

O Brasil conta com a terceira maior fronteira do mundo. São cerca de 17 mil quilômetros com dez países sul-americanos. Nesta faixa encontram-se 710 cidades, sendo 122 municípios limítrofes e 588 cidade não limítrofes, representando 27% do território nacional.

Jungmann pretende retornar a Campo Grande dentro dos próximos três meses para avaliar as medidas que estão sendo implementadas. Ele afirmou também que o ministro da Justiça e Cidadania, Alexandre Moraes, e o chefe do Gabinete da Segurança institucional (GSI), general Sergio Etchegoyen, serão envolvidos neste esforço.

Além disso, assegurou que o governo alocou recursos no Orçamento de 2017 para o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), um dos programas mais importantes mantidos pelo Exército naquela região. Jungmann recordou ainda a reunião realizada recentemente em Brasília com ministros de Defesa e representantes dos países do Cone Sul, justamente sobre a problemática nas fronteiras.

Segundo ele, as fronteiras não podem servir de barreiras para a proteção de criminosos, mas de pontes para alcançá-los, pois existem acordos que permitem as autoridades avançarem em regiões contra criminosos desde que com a anuência do país vizinho.

As autoridades sul-matrogrossenses informaram que 40% dos presos do Estado são traficantes e entregaram ao ministro a “Carta de Campo Grande”, documento que norteia o conjunto de medidas para o enfrentamento dos problemas na fronteira do Mato Grosso do Sul.

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