Opinião

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08/06/2007
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08/06/2007

Diálogo político-estratégico do Brasil com a UE

Diálogo político-estratégico do Brasil com a União Européia

Francisco Seixas da Costa

Ao comemorar-se no Brasil mais um Dia de Portugal, data em que os cidadãos portugueses renovam o seu sentimento de pertença a uma nacionalidade que se aproxima dos nove séculos, importa sublinhar o atual papel do nosso país no mundo e o modo como ele se tem destacado na sociedade brasileira contemporânea.

Portugal projeta hoje a imagem de um país que vive serenamente o seu presente, que dá ao mundo que fala a língua de Camões uma grande importância no seu relacionamento externo, que se integra com sucesso na Europa sem esquecer as suas prioridades afetivas em outros espaços.

Disso é exemplo a iniciativa portuguesa de organizar, durante a sua próxima Presidência da União Européia, uma Cimeira com o Brasil, conferindo-lhe um lugar de parceiro estratégico da Europa.

Não estamos, com este gesto, a fazer nenhum favor ao Brasil: fomos os naturais intérpretes, no seio da União, da necessidade de garantir a este país o lugar a que deve ter direito no quadro das relações externas do espaço europeu.

Também por iniciativa de Portugal, terá lugar este ano a II Cimeira da Europa com África, porque o nosso país teima em não abandonar o continente africano aos apologistas do “afropessimismo“.

Por todas as razões, Portugal tem hoje, no conjunto das nações, um lugar prestigiado que lhe garantiu, por exemplo, a escolha recente de algumas personalidades suas para assumirem lugares relevantes na ordem internacional.

O nosso país tem igualmente demonstrado, em todas as ocasiões em que foi chamado a missões de elevada responsabilidade externa (na União Européia, nas Nações Unidas, em operações de paz), uma notória capacidade e qualidade de intervenção, unanimemente reconhecida.

No plano interno, Portugal constrói, nos dias que correm uma sociedade com uma estabilidade política invejável, tendo atingido já um grau de desenvolvimento social e humano muito significativo, pelos padrões internacionais.

Os problemas com que o país se defronta – que existem e que são debatidos com grande intensidade democrática – são os normais num país que, em pouco mais de três décadas, passou por rápidas rupturas de crescimento, que geraram
tensões e provocaram naturais traumas alguns sectores.

Mas é em plena liberdade, sem censuras ou baias de nenhuma espécie, que hoje todos discutimos abertamente o presente e avaliamos as propostas, também de todos, para desenho do nosso futuro.

Os portugueses têm todas as razões para se orgulhar do país que hoje têm e, sem qualquer acrimônia mas com firmeza da razão, devem saber responder aos profetas da desgraça, aos arautos do “fim da Pátria”, descendentes em linha direta do “velho do Restelo”, de que falava o poeta cuja morte se recorda precisamente no dia 10 de junho.

No Brasil, os portugueses estão hoje a construir uma presença de novo tipo, por vezes surpreendendo, com a pujança da sua saudável agressividade econômica, quantos estavam habituados à imagem de um país diferente.

Novas empresas, em áreas tecnológicas avançadas, fazem hoje parcerias com contrapartes brasileiras. Pelas livrarias, a moderna literatura portuguesa está já em lugar de destaque, sendo objeto de estudo regular nas universidades brasileiras.

Em sentido inverso, passam hoje pelas universidades de Portugal centenas de estudantes brasileiros em cursos de pós-graduação, num reconhecimento implícito da qualidade que o ensino português hoje apresenta.

Portugal e o Brasil vivem atualmente um entendimento pleno nas suas relações bilaterais, com uma pauta ínfima de questões problemáticas, analisada com serenidade no quadro de um diálogo que dificilmente poderia ter uma melhor expressão.

Neste dia, como embaixador de Portugal no Brasil, gostaria de renovar uma mensagem de simpatia e respeito a todos os cidaḍos portugueses que aqui vivem, assegurando-lhes que as entidades p̼blicas portuguesas no Brasil tudo procuraṛo fazer para os bem servir Рe tamb̩m para ajudar a dignificar o bom nome que eles aqui souberam construir para Portugal, com o seu esfor̤o e com a sua dignidade.

Francisco Seixas da Costa é embaixador de Portugal no Brasil.

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