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Programa FX2

Dilma confirma discurso e caças para a FAB perdem importância

A presidente Dilma Rousseff decidiu colocar em segundo plano a decisão sobre a compra de 36 aviões de combate para a Força Aérea Brasileira (FAB), confirmando o que dissera em seu discurso de posse: a prioridade será a erradicação da pobreza.

Além disso, o governo ainda tem pela frente o desafio de cortar gastos e enxugar o Orçamento. Definitivamente, comprar aviões de guerra está longe de ser prioridade para Dilma Rousseff.

Desta forma, ela repete o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que cancelou o Programa FX em abril de 2003 para priorizar o Fome Zero, principal mote de sua campanha vitoriosa.

Nesta segunda-feira, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, havia informado que o programa não seria cancelado e prometeu uma decisão a respeito até o final do semestre.

No entanto, a presidente não tem pressa. Ela quer aproveitar para ver o que outros países além dos Estados Unidos, Suécia e França, podem oferecer ao Brasil.

E não apenas em termos de avião, mas de contrapartidas políticas e comerciais.

Jobim trabalhava por uma decisão ainda em janeiro e a favor do caça francês Rafale, o mais caro dentre os finalistas (F-18 Super Hornet, dos Estados Unidos e Gripen NG, da Suécia).

No entanto, uma decisão sobre o assunto não sai tão cedo.

Dilma deve aproveitar o trabalho realizado pelo Comando da Aeronáutica e o ministério da Defesa, mas na prática, teremos um novo programa.

Ela também quer conversar com líderes políticos como Barack Obama, sobre os demais interesses do Brasil e pretende utilizar o FX como moeda de troca.

Análise da Notícia

Marcelo Rech

Quem acompanha o trabalho do InfoRel sabe que a notícia não representa surpresa alguma.

Na prática, essa decisão já estava tomada muito antes da própria eleição de Dilma Rousseff.

Administração alguma aceitaria chancelar um negócio de US$ 10 bilhões sem ter suas digitais nele.

Lula e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, bem que tentaram, mas Dilma não engoliu.

Sua postura enfraquece Nelson Jobim e sinaliza aos militares que nem todo o passado de guerrilheira está sepultado.

E não adianta espernearem. Essa decisão não sai em 2011.

Além disso, outros programas da Marinha e do Exército podem ter o mesmo destino, o adiamento.

A presidente quer conhecer opções melhores como a do Sukhoi russo, o único de quinta geração que disputou o processo, mas que foi eliminado de forma inexplicável ainda em sua primeira fase.

Existe ainda o off set que não pode ser desprezado.

No governo Fernando Henrique Cardoso, os russos chegaram a oferecer o mesmo valor do contrato do Sukhoi em compras de produtos brasileiros.

Os Estados Unidos foram os primeiros a perceber que o FX2 não vingaria e deram início ao lobby prometendo formalizar as garantias de transferência de tecnologia do F-18.

No entanto, essa transferência seria condicionada. O Brasil teria de aceitar uma série de exigências como a de não vender o avião para países hostis aos Estados Unidos.

Pode parecer absurda a idéia, mas ela não é descartada pelo governo.

Tudo vai depender do que os Estados Unidos estiverem dispostos a conceder.

Ter os seus produtos beneficiado por uma série de concessões e privilégios no mercado norte-americano, será extremamente vantajoso para o Brasil e sua economia.

Como essas negociações não são nada simples, não esperemos por mais uma previsão do ministro Jobim.

Ainda sob a presidência de Lula, ele disse dezenas de vezes que a decisão não ficaria para o próximo governo. E ficou.

Com a decisão de Dilma – que o desautorizou – quem pode não ficar é ele.

A presidente reforma o gabinete antes de completar dois anos de poder e já sem a sombra do padrinho Lula, chamará as pessoas que de fato confia e gosta. Mais da metade dos atuais ministros cai.

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