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Diplomacia e Poder Militar: Rússia versus Ocidente

Diplomacia e Poder Militar: Rússia versus Ocidente

23 de maro de 2018
por: InfoRel
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Marcelo Rech - 

No dia 1º de março, o presidente russo Vladimir Putin anunciou, em discurso no Parlamento, que o país desenvolveu uma série de armas como forma de fazer valer a voz e a força do seu país no mundo. De acordo com o chefe do Kremlin, as seis armas apresentadas são uma resposta ao sistema de defesa antimísseis dos Estados Unidos.

"Antes de termos armas, ninguém nos escutava. Que nos escutem agora", afirmou Putin, reeleito no último domingo com quase 80% dos votos para mais um período à frente do governo. Obviamente, o mundo reagiu. Há grande preocupação em torno da política de fortalecimento da Rússia como ator global. Para a Europa e os Estados Unidos, é importante que Moscou esteja disposta a exercer um papel secundário na cena internacional. Ambos não podem prescindir da Rússia, mas a querem sob controle.

Em relação às armas anunciadas, Vladimir Putin assegurou que foram desenvolvidas para defender o país e não para atacar. O discurso não difere daqueles já proferidos por Washington, Londres ou Pequim. O poder militar é fundamental para que um ator possa jogar de igual para igual no xadrez geopolítico. Além disso, uma Rússia submissa ou coadjuvante não guarda nenhuma relação com o estilo de Putin.

Neste sentido, o ex-chefe do KGB detalhou o que é o Sarmat, sistema pesado de mísseis intercontinentais; o míssil de cruzeiro com propulsor nuclear 'de alcance ilimitado'; os veículos subaquáticos não tripulados com propulsão nuclear; o Kinzhal, sistema de mísseis hipersônicos de lançamento aéreo, e os sistemas de mísseis estratégicos com unidade hipersônica de planejamento, e de armas a laser.

Uma das armas que mais chama a atenção é um torpedo submarino capaz de ocasionar uma destruição inimaginável. O drone propulsado por energia nuclear foi desenvolvido no marco do Projeto do Sistema Oceânico Polivalente chamado STATUS-6. Militares norte-americanos reconheceram a existência desta arma e a sua capacidade de burlar as defesas dos Estados Unidos.

O STATUS-6 é um torpedo não tripulado de 10 megatons de potência, que pode atingir uma velocidade de 185 km/h, operar a mil metros de profundidade e que possui alcance praticamente ilimitado. Também é uma arma silenciosa, não emite qualquer sinal tornando impossível sua detecção.

Como não se desvia do seu alvo até que o mesmo seja atingido e possui uma carga nuclear potente, já é vista como a ameaça mais mortífera já construída. Para se ter uma ideia da sua letalidade, o STATUS-6 é 500 vezes mais potente que as bombas nucleares lançadas pelos Estados Unidos sobre Hiroshima e Nagasaki, no Japão.

Caso fosse lançada contra o território norte-americano, aniquilaria cidades como Nova York, Boston e Washington, além de provocar tsunamis com ondas de 30 metros, atingindo também a América Latina. Oficiais norte-americanos reconhecem que os Estados Unidos não possuem armas ou tecnologia capazes de deter veículos subaquáticos não tripulados.

Como lembra Mila Milosevich, investigadora principal do Real Instituto Elcano, de Madri, “da Guerra Fria surgiu uma liderança sólida dos Estados Unidos, uma Europa mais integrada e uma forte visão comum da ordem liberal internacional. Lamentavelmente, hoje já não temos uma visão comum, contamos com um presidente norte-americano imprevisível e uma Europa com muitos problemas sem resolver”. É óbvio que Putin tem tirado proveito deste cenário.

Por outro lado, não se pode perder de vista que, uma vez reeleito, ele anunciou que em 2019 pretende reduzir os gastos militares. Talvez, seja momento de buscar uma melhor relação com Moscou.

Marcelo Rech é jornalista, diretor do InfoRel, especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa, Terrorismo e Contrainsurgência e o Impacto dos Direitos Humanos nos Conflitos Armados. E-mail: inforel@inforel.org.

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