Opinião

Comunicado Conjunto Brasil – Rússia
19/12/2012
Cooperação
19/12/2012

Discurso da presidente Dilma Rousseff no Fórum Emp

Discurso da presidente Dilma Rousseff no Fórum Empresarial Brasil-Rússia

Para mim, é motivo especial de alegria participar desta segunda edição do Fórum Empresarial Rússia-Brasil. Nesta missão que nós estamos aqui na Rússia, o que é nosso principal objetivo é o fortalecimento da parceria estratégica entre nossos dois países. 

Somos países com dimensões continentais, com grandes riquezas naturais, com uma população extremamente elevada. Somos duas grandes nações, que têm na sua diversidade, na sua cultura, nos seus recursos naturais e também na sua indústria e na sua agricultura fontes de imensa riqueza.

Cumprimento, muito calorosamente, o seleto grupo de homens e mulheres empreendedores que nos honram com a sua presença hoje. Vocês constituem a verdadeira engrenagem da integração econômica e comercial que nós queremos aprofundar.

Neste cenário internacional que nós estamos vivendo, onde se verifica uma grave crise econômica – que começou nos Estados Unidos com a quebra do Lehman Brothers e que atingiu de forma muito forte a Zona do Euro nos últimos anos -, o vínculo entre a Rússia e o Brasil é uma questão oportuna e serve principalmente para nós, que somos países emergentes, e que fomos menos atingidos pelos efeitos da crise, mas, ainda assim, fomos atingidos. É uma forma de nós enfrentarmos e darmos uma resposta concreta a essa crise.

Nós temos uma vasta gama de possibilidades a explorar, e temos que fazê-lo. Primeiro no plano bilateral, no plano do diálogo econômico e comercial, da troca de investimentos, da ampliação das nossas relações comerciais, tanto no que se refere ao Brasil e à Rússia, como ao Mercosul e à Rússia, mas também olhando as nossas relações no âmbito dos BRICS e na Organização Mundial de Comércio.

Nós defendemos, Brasil e Rússia, uma ordem baseada no sistema das Nações Unidas, nos tratados e no Direito Internacional. E, ao mesmo tempo, nós queremos construir, nesse quadro, uma relação efetiva – tanto uma relação comercial como uma relação de investimento recíproco entre nossos países.

Nós sabemos que essa crise, ela tende a durar um certo período de tempo. Ela não é como aquele momento lá atrás, em 2008 e [200]9, onde houve uma rápida recuperação da economia internacional.

Atualmente, nós enfrentamos não só uma certa paralisia na crise internacional, mas, sobretudo, sinais de que ela tende a um período de recessão, tende a permanecer nos países desenvolvidos.

Os próprios sinais de recuperação nos Estados Unidos ainda não estão claramente definidos, uma vez que o risco do chamado abismo fiscal ainda requer, para ser evitado, um acordo bipartidário entre os diferentes grupamentos políticos nos Estados Unidos.

Nós temos, no Brasil, assumido claramente uma posição muito clara contra cortes radicais de gastos, que levam a uma retração muito grande da atividade econômica. E acreditamos que pura e simplesmente recorrer só a esses cortes de gastos e à redução do investimento, do consumo e dos próprios direitos sociais não conduz, necessariamente, à retomada, nem tão pouco são respostas adequadas às crises de dívida soberana e bancária, bem como as bolhas imobiliárias que afetaram as economias e são responsáveis por uma retração do comércio internacional.

Hoje, até o Fundo Monetário Internacional admite que a austeridade por si só provoca mais recessão e mais desemprego, e que ela deve ser combinada com medidas mais efetivas de fazer as economias crescerem.

Nós, da América Latina, temos bastante legitimidade para falar desse assunto. Primeiro porque somos afetamos também, em menor grau, com menor intensidade, mas sofremos as consequências da redução do comércio, assim como a Rússia também.

Mas nós também, da América Latina, somos países que têm uma experiência muito dura de ajustes fiscais desse tipo nos anos de [19]80 e [19]90, e, naqueles períodos, nós sabemos o quanto as nossas economias, os nossos empresários e a nossa população perderam. E sabemos também que só conseguimos efetivamente ter uma posição novamente de estabilidade para crescer quando voltamos a crescer.

Em 2011/2012, como eu disse, nós sofremos efeitos, em menor escala, por isso é tão importante que nós aproveitemos essa oportunidade que temos e fortaleçamos os laços entre nossos empresários, nossos investimentos e nosso… e, sobretudo, nossas relações comerciais.

Eu acredito que, nesse contexto, nossa coordenação bilateral – no âmbito dos BRICS e do G-20 -, ela tem sido muito importante. E agora, quando a Rússia assume a presidência do G-20, ainda mais porque os nossos compromissos com o crescimento, com o emprego e com a distribuição de renda podem, junto com questões estratégicas como a paz e a segurança internacionais, podem consistir nos grandes eixos deste novo período no mundo.

Nós sempre trabalhamos juntos, Brasil e Rússia. A partir da crise de 2008/2009, quando da formação do G-20, nós definimos a importância de mudar a regulação, principalmente a regulação financeira internacional, tornar os organismos multilaterais – como o Banco Mundial e o Fundo Monetário – mais representativos da nova ordem econômica internacional que vigia no mundo. Ao mesmo tempo, nós percebemos a importância desse relacionamento, desse relacionamento que começa no plano bilateral, mas também se expressa nesses diferentes organismos que hoje nós participamos em conjunto.

A Rússia apresentou índices de crescimento anuais superiores a 5%, só interrompidos no auge da crise financeira global em 2008/2009. O Brasil também teve esse desempenho. Nós consideramos um fator extremamente importante o ingresso da Rússia na Organização Mundial do Comércio e, desde o início, apoiamos esse ingresso. E, sem sombra de dúvida, esse ingresso fornece uma base segura para a expansão do comércio da Rússia e também para o nosso comércio bilateral.

Nós sabemos que a Federação Russa é uma potência energética, a maior produtora de petróleo, a segunda maior produtora de gás, com forte desempenho nos setores de mineração, nos setores de agricultura e com um nível de excelência em ciência e tecnologia, além de uma sólida base industrial.

O Brasil, por sua vez, consolida-se também como uma potência agrícola produtora de alimentos e energética também. Uma potência que tem uma base industrial significativa e diversificada. E somos, a Rússia e o Brasil, grandes países com grandes mercados, e com relevante posição no ranking das maiores economias.

Nós nos modernizamos ao longo dessa última década ou dessas últimas décadas – o Brasil e a Rússia. E nós, também, Brasil e Rússia, temos desafios à nossa frente, desafios de competitividade que são diferenciados de país para país de acordo com a história diferente de cada um de nós.

Nós temos mantido o dinamismo de nossas economias. Nossas economias refletiram, também, na nossa sociedade. Ambos os países tiveram o crescimento da renda da sua população, assegurando um sentido extremamente forte no que se refere ao poder de compra renovado dessas populações.

Assumimos, no G-20, o compromisso de crescimento e emprego. Por isso, eu concordo com o vice-primeiro-ministro que nós temos um potencial de comércio muito maior do que nós estamos realizando e desenvolvendo. Nós não podemos nos contentar com o estágio atual das nossas relações comerciais, que somam em torno de US$ 7 bilhões.

A nossa meta dos 10 bilhões nós devemos atingir e superar, porque o potencial comercial entre nossos países é maior que isso. Nós não podemos também restringir a nossa pauta, pura e simplesmente, a atividades primárias. Nós temos de diversificá-la. Nós temos de construir uma forma de não só basearmos em uma exportação – manter a nossa exportação de produtos primários, de minérios, de energia, fertilizantes, alimentos – mas nós temos de apostar que é fundamental que troquemos manufaturas, troquemos serviços, produtos com valor agregado. E, ao mesmo tempo, acredito que há, para nós – países com as nossas características – um caminho a percorrer juntos na área da inovação e dos empreendimentos, que exigem uma contribuição de parte a parte de cada um de nós, no que se refere à tecnologia.

A Rússia tem uma tradição científica fantástica. A Rússia tem, em várias áreas, um desempenho científico que está na fronteira do conhecimento. Nós sabemos disso, por isso é que não podemos, pura e simplesmente, aceitar que o total das exportações brasileiras para a Rússia – açúcar de cana em bruto, carnes – represente mais de 80%. Nós queremos que açúcar e carne continuem tendo uma participação, mas nós achamos que é fundamental a diversificação da pauta.

Também nós não podemos considerar que 80% da nossa pauta, das nossas importações da Rússia, sejam adubos e combustíveis fósseis. Nós temos de modificar esse quadro. Modificar não significa restringir as nossas características e vantagens como grandes produtores de commodities e matérias primas. Pelo contrário, significa agregar a elas outro tipo de bens e serviços.

Por isso, eu quero primeiro reconhecer uma coisa: fóruns como esse têm um fator fundamental, um fator estratégico fundamental. Primeiro é o aprofundamento do conhecimento recíproco, segundo é o fato de que o relacionamento pessoa a pessoa, desde o início da humanidade, leva ao fomento dos negócios. Esta atividade deste fórum, ela tem uma importância só por acontecer, só por permitir que empresários brasileiros – e aí, eu fico muito orgulhosa de estar aqui com uma representação de mais de oitenta empresários brasileiros – tenham essa possibilidade de encontrar empresárias e empresários russos.

Nós temos já casos de parcerias bem sucedidas com capitais brasileiros investidos no mercado russo, nos setores [de] automobilístico, construção civil, bebidas, máquinas, equipamentos, alimentos processados, energia, biocombustível e calçados. E temos certeza que existem imensas oportunidades no Brasil para capitais russos participarem, também, do nosso esforço de desenvolvimento no país. Também iniciativas industriais de infraestrutura no setor de defesa, que é um setor que eu considero que a Rússia tem um diferencial fantástico. Na própria área de energia, na área de petróleo e gás, principalmente, no que se refere à exploração em terra inequivocamente há uma imensa experiência, capacidade, competência dos empresários e das empresas do governo russo nessa questão.

E nós também estamos fazendo um grande esforço de infraestrutura na área de ferrovias, na área de rodovias, de portos e de aeroportos, em que parcerias entre empresas brasileiras, empresas russas ou empresas russas atuando por si só são extremamente bem-vindas.

Além disso, nós vamos realizar megaeventos esportivos. No Brasil, a Copa do Mundo de [20]14, os Jogos Olímpicos de 2016. Na Rússia, os Jogos Olímpicos de Inverno de 2014 e a Copa do Mundo de 2018. Ambos os países têm oportunidades enormes de cooperação nessas áreas e podemos, e devemos, nos articular para transmitir uns para os outros a experiência que teremos nessas atividades, na área de infraestrutura, na área de segurança de jogos, na área de logística, de transporte urbano…

E eu queria dizer que o Brasil espera ser tão competente dentro, aliás, fora dos campos de futebol para receber as diferentes equipes – em especial, a equipe russa – como nós somos dentro do campo de futebol. É óbvio que vocês têm essa expectativa de ganhar de nós, mas eu asseguro a vocês que nós vamos ser difíceis de sermos derrotados, muito difíceis. Então, eu acho que nós iremos fazer aquela chamada boa competição.

Eu queria dizer umas palavras também sobre a economia do país. Nós estamos fazendo a nossa parte. Nós estamos buscando articular, junto com o setor privado, todas as políticas possíveis para assegurar um crescimento acelerado do nosso país – meta que nós tanto almejamos e devemos perseguir sistematicamente.

O Brasil está em uma situação bastante favorável. Ao mesmo tempo em que nós crescemos, nós distribuímos renda hoje, e nós crescemos de forma a manter a nossa estabilidade macroeconômica.

A nossa inflação está sob controle. Em um mundo em que explode a dívida pública, o Brasil tem uma relação dívida x Produto Interno Bruto baixa, de 35% do PIB, um déficit controlado.

Assim como a Rússia, nós experimentamos especulações contra a nossa moeda e nos últimos anos acumulamos um montante de reservas que torna a nossa economia muito segura internacionalmente – acumulamos 378 bilhões de dólares de reserva. Reduzimos assim a nossa vulnerabilidade externa e temos muito orgulho que, após anos a fio sendo devedores do Fundo Monetário, hoje somos credores, emprestamos ao Fundo Monetário da mesma forma que a Rússia também é credora, porque até decidimos em conjunto aumentar os nossos empréstimos dentro da última reunião dos BRICS, que nós tivemos em Los Cabos.

Nós recebemos, nos últimos tempos… Nós temos recebido nos últimos tempos, diante desse quadro macroeconômico estável e com uma certa pujança também, do nosso mercado interno, nós temos recebido um conjunto de investimento direto – o chamado investimento direto externo – muito significativo, acima dos 60 bilhões de dólares.

O nosso desemprego está em um dos menores níveis dos últimos anos. Nos últimos dois anos, no período do meu governo, nós criamos 3 milhões e 700 mil novos postos de trabalho. E ao longo de todo o período que começa em 2003, com o governo do presidente Lula, nós, nesse período, conseguimos ofertar 17 milhões de postos de trabalho.

Nós promovemos uma ampla mobilidade social no Brasil e o que é importante? Hoje, a maioria das famílias pode dizer que seus filhos têm uma vida melhor do que tiveram seus pais, o que é um sintoma fundamental de melhoria das condições de vida da população.

O nosso país criou o que nós chamamos uma nova classe média. Antes, a distribuição era mais ou menos a seguinte: um terço da população do meu país era considerado o mercado, os dois terços restantes não tinham acesso a todos os bens e serviços. Agora não. Agora, além das camadas de renda mais alta da população, além delas, nós temos um mercado de 105 milhões de brasileiros e brasileiras, o que é extremamente importante. Por que? Porque o mercado desse porte, ele cria demanda interindustrial. Ele compra, ele exige investimento industrial, ele exige investimento em serviços, ele exige investimento em infraestrutura e ele sustenta esse desenvolvimento. Não que ele seja movido, pura e simplesmente, pela sua ampliação. Ele é movido também pelo fato de, a cada dia, maiores necessidades surgirem e, portanto, maiores oportunidades, porque o aumento das necessidades é proporcionalmente também um aumento das necessidades.

Daí que nós precisemos de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, precisemos de computadores, precisemos de telefones celulares, precisemos ampliar toda a área de produção intermediária – aço, gás -, precisamos de todos os insumos que movem a indústria, precisamos, portanto, de um esforço enorme dos nossos empresários e de uma parceria forte dos nossos empresários com empresários de outros países. E aqui, muito especialmente, eu estou falando de um país com o qual nós definimos, o Brasil, que queremos uma parceria estratégica que é a Rússia, a Federação Russa. Porque nós temos necessidade de mais investimento. E essa mobilização é a palavra que eu queria deixar aqui para os senhores, tanto no que se refere ao fornecimento, através dos fluxos comerciais, como através dos investimentos recíprocos.

Nós também temos muito orgulho de continuar nosso programa de superação da pobreza no nosso país. Esse orgulho começa quando, lá atrás, em 2003, o então presidente Lula cria o programa Bolsa Família, e se dá agora também porque nós estamos conseguindo… Eu li, recentemente, uma avaliação que aqui na Rússia superaram a pobreza extrema, que os últimos remanescentes da pobreza extrema foram elevados à condição de consumo, que não é aquela abaixo da linha da pobreza.

Nós queremos… Este ano de 2012 é um ano muito importante, porque nele nós tiramos 16,4 milhões de brasileiros da pobreza. E pretendemos, até 2014, ter superado esse limite da linha da pobreza. Isso é muito importante, principalmente quando é feito num momento de grande crise internacional.

Nós nos tornamos o terceiro mercado mundial de consumo de computadores, por exemplo, o quinto de telefone celulares. Mais de 60 milhões de brasileiros, hoje, têm acesso à internet. E nós queremos, ate 2014, superar, e muito, essa marca. E pretendemos, num horizonte até [20]16, praticamente universalizar o acesso a computadores individuais no Brasil. Somos um dos maiores mercados do mundo, de alimentos, bebidas, automóveis, motocicletas, eletrodomésticos…

E nós estamos adotando no Brasil um conjunto de políticas articuladas para melhorar a competitividade. Temos diante de nós um desafio que é reduzir a burocracia no nosso país. Esse desafio nós vamos perseguir sistematicamente. E acredito que nunca tem um dia, vai chegar um dia em que a gente fale: “olha, acabamos em definitivo com a burocracia”. Acho que combater a burocracia é uma prática que tem de ser sistemática, porque ela sempre surge. Ela tem essa imensa capacidade de sempre ressurgir. Estou falando da experiência brasileira. E por isso, meu governo vem adotando um conjunto de políticas para acelerar a competitividade entre as quais esta questão da burocracia tem um destaque.

A outra questão importante é que nós reduzimos fortemente a taxa de juros no Brasil a patamares convergentes com aqueles praticados internacionalmente. Essa inflexão na política de juros mitigou a tendência à valorização de nossa moeda, o real. Criou condições para a retomada dos investimentos produtivos. Nós estamos reduzindo o custo da energia elétrica, porque somos um país com uma grande capacidade instalada de geração hidrelétrica. E a depreciação das nossas usinas duram muito mais do que o tempo necessário para pagá-las, para depreciá-las, para amortizá-las. E isso permite que o Brasil, então, tenha um custo competitivo de energia beneficiando a nossa população, o setor produtivo e mantendo todos os termos dos contratos assinados.

Nós decidimos resolver, em parceria com o setor privado, os principais gargalos da nossa infraestrutura. Gargalos que derivam de 20 anos de estagnação no Brasil, diante da forma pela qual a crise da dívida soberana da América Latina – em especial do Brasil – foi resolvida. Forma muito parecida com aquela adotada hoje em países da Zona do Euro, e por isso que nós sempre dizemos que essa forma não dá certo.

Nesses últimos 20 anos, nós temos orgulho de dizer que nós começamos a nos transformar, e para nós é muito importante, em um país continental, cuidar da nossa infraestrutura, integrar nossos modais de transporte. Ontem, nós lançamos o edital do nosso trem de alta velocidade, que vai ligar as duas maiores cidades do Brasil: São Paulo e Rio. Nós estamos fazendo, talvez, um dos maiores planos de ferrovia do mundo – depois do chinês -, que é um desafio, para nós, cortar o Brasil com ferrovias para transportar os nossos minérios, grãos e outros produtos.

Tudo isso é muito importante, mas o maior desafio do meu país está na área da educação. O Brasil universalizou a educação básica recentemente. Mas o nosso desafio na educação é um desafio de procurar qualidade na educação, por isso que nós dedicamos tanta importância e queremos que os recursos que nós obtenhamos, todos os recursos que nós obtenhamos – royalties, participações especiais da exploração do petróleo e gás no Brasil -, sejam destinados à educação.

E temos um orgulho de fazer uma parceria – por exemplo, no ensino técnico e profissionalizante – com a CNI, a Confederação Nacional da Indústria, com a qual nós estamos capacitando, junto com ela, estudantes de ensino médio e trabalhadores. Além disso, o programa Ciências sem Fronteiras tem por objetivo formar 101 mil estudantes brasileiros nas melhores universidades do mundo, ampliando nosso acesso à formação científica e tecnológica. Também trazendo e compartilhando, através de iniciativas entre institutos, o trânsito de cientista entre os nossos países e os diferentes países do mundo.

A Rússia, nesse aspecto, para o Brasil tem um papel essencial. Nós queremos estabelecer com a Rússia novas parcerias científicas e pretendemos, também, que estudantes brasileiros, em maior proporção, venham aqui para a Rússia e estabeleçam aqui um espaço de estudo, mas também, de troca de experiências de cultura e de aproximação e de amizade.

Por isso, eu queria dizer aos senhores: quando a gente olha para o futuro, Rússia e Brasil, que têm no passado um elenco de realizações, têm um futuro possível pela frente. Para esse futuro possível se tornar realidade, nós temos, de fato, de aprofundar o plano de ação da parceria estratégica que nós adotamos e assinamos lá em 2010. Nós temos de construir esse futuro, temos de elevar o nosso comércio, temos de realizar investimentos entre os nossos países.

No recente discurso pronunciado pelo presidente Putin, perante a Assembléia Federal, eu identifiquei numerosos pontos de convergência entre as prioridades russas e as brasileiras. Nós queremos ir além de uma economia baseada em commodities, queremos modernizar nossas indústrias e fortalecer nossa capacidade de inovação. Atribuímos especial ênfase à educação, concordamos que uma nova ordem multipolar requer ações coletivas capazes de unir nações e regiões em torno de uma agenda.

É nesse espírito que eu vejo o futuro das relações entre o Brasil e a Rússia. Conto com a experiência e a capacidade dos empresários das duas nações para levar adiante – com o firme apoio do meu governo e do governo russo – uma agenda de associação econômica bilateral, flexível, profunda e que permita que nossos países enfrentem os desafios de construírem grandes nações que é o nosso potencial.

Muito obrigada.

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