Defesa

Discurso do ministro da Defesa, Nelson Jobim, na a
22/12/2008
Cúpula Brasil-União Européia – Declaração Conjunta
22/12/2008

Discurso do ministro de Assuntos Estratégicos, Rob

Discurso do ministro de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangaberia Unger sobre Estratégia Nacional de Defesa

Paz perpétua e independência nacional!

A promulgação da estratégia nacional de defesa marca momento transformador na história do país. O Brasil é o mais pacífico dos países grandes na história moderna do mundo.

Essa história pacífica faz parte de nossa identidade nacional. Ela não nos exime, porém, da necessidade de nos defender.

Pelo contrário, aumenta nossas responsabilidades. A construção de um escudo de defesa diminuirá a probabilidade de termos de nos defender.

Se o Brasil quiser desbravar caminho singular e rebelde no mundo precisa poder dizer não, quando tiver de dizer não. O mundo em geral, os paladinos de um projeto forte de desenvolvimento são também os advogados de um projeto forte de defesa. Projeto forte de desenvolvimento é o que providencia a mobilização de recursos nacionais, físicos, financeiros e humanos.

Assegurando que o País possa andar com as próprias pernas, não para fechar-se ao mundo. Mas, pelo contrário, para poder abrir-se ao mundo em termos compatíveis com seu modelo de desenvolvimento.

É projeto que assegura a independência tecnológica, inclusive nos setores estratégicos – espacial e cibernético e uso pacífico da energia nuclear. E é projeto que amplia as oportunidades para aprender, trabalhar e produzir. Baseando o crescimento econômico nessa democratização de oportunidades econômicas e educativas.

No nosso país, os paladinos do desenvolvimento forte e de defesa forte muitas vezes estiveram em campos opostos. A formulação da Estratégia Nacional de Defesa representa um passo na superação desse antagonismo.

E ao se dedicar, com o apoio das forças armadas, ao soerguimento da defesa, as lideranças civis constroem a primazia do poder civil sobre o poder militar, indispensável à integridade das instituições republicanas.

Três opões marcam o rumo definido pela estratégia nacional de defesa. Opção por uma cultura militar pautada pela ampliação do ideal de flexibilidade. Que nossos soldados no campo saibam dispersar-se sem perder o poder de manobra coordenada e dirigida.

Que o guerreiro vire um guerrilheiro também. As forças regulares adquiram as poucos as características tradicionalmente atribuídas a uma força irregular, sem perder os seus atributos de hierarquia e disciplina. E que a incerteza característica do embate, seja assim transformada em oportunidade.

Não seremos os mais poderosos, que sejamos os mais audaciosos e imaginativos. A contrapartida a esse ideal de flexibilidade é a unidade, unidade em cima, um Estado-Maior Conjunto forte. Unidade em baixo, uma coordenação dos comandos regionais. Unidade antes e depois, por meio da centralização das compras de material de defesa.

Opção por uma indústria de defesa pautada por independência tecnológica, inclusive nos setores estratégicos, o espacial, o cibernético e o nuclear.

Sozinho entre os países continentais em desenvolvimento, o Brasil renunciou ao uso militar da tecnologia nuclear. Mas queremos sempre que essa renúncia seja a expressão da vontade política da nação. E não o resultado involuntário de uma impotência tecnológica e científica.

Opção por uma maneira de compor as Forças Armadas que aprofunde a identificação da nação com elas.

As Forças Armadas do Brasil haverão de ser sempre a própria nação em armas. Jamais uma parte da nação paga pelas outras partes para defendê-las.

Em primeiro lugar, porque essa participação do país, o trabalho da defesa, é o nosso resguardo mais eficaz. Em segundo lugar, porque um país tão desigual quanto o nosso, a prestação dos serviços militares e civis pode funcionar como um nivelador republicano, abrindo um espaço no qual a nação se possa encontrar acima das classes.

A estratégia definida por essas três opções – flexibilidade radical, independência tecnológica e identificação da nação com as Forças Armadas – coloca diante do país uma dupla indagação: qual o alcance das nossas ambições? E qual o limite da nossa disposição para o sacrifício?

O único poder do mundo capaz de sustentar tal sacrifício é o amor. Senhor presidente, no coração de cada brasileiro, há o sonho de que a pujança possa andar de mãos dadas com a ternura.

A estratégia nacional de defesa é uma promessa de que possamos viver em paz com a ternura. Mas também é uma profecia de grandeza. É uma profecia de que o povo brasileiro se engrandecerá sem imperar.

A ascensão do Brasil ressoará em toda a terra, como o grito de uma criança ao nascer, trazendo esperança inesperada e perturbadora a uma humanidade desiludida. O Brasil se levantará.

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