Defesa

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08/08/2006

Discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva,

Discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na apresentação dos novos oficiais-generais

Luiz Inácio Lula da Silva

Excelentíssimo senhor Waldir Pires, ministro da Defesa,

Excelentíssimo ministro Tarso Genro, chefe da Secretaria de Relações Institucionais,

Almirante-de-esquadra Roberto de Guimarães Carvalho, comandante da Marinha,

General-de-exército Francisco Roberto de Albuquerque, comandante do Exército,

Tenente-brigadeiro-do-ar Luiz Carlos da Silva Bueno, comandante da Aeronáutica,

Senhores oficiais-generais,

Senhoras e senhores integrantes das Forças Armadas,

Meus amigos e minhas amigas,

É com muita honra que mais uma vez recebo aqui, em Brasília, um seleto grupo de oficiais-generais promovidos. Sei que cada um dos senhores vem de um rincão diferente de nosso País e que cada um traz consigo uma história de vida singular.

Estou certo, porém, de que os senhores têm em comum uma carreira pautada pelo profissionalismo e a competência; têm em comum, também, a devoção total à Pátria brasileira, à qual se dedicam desde o início de suas juventudes.

O caminho percorrido até este momento de júbilo custou-lhes muito sacrifício e abnegação. Mais do que uma merecida recompensa, porém, sua promoção significa a renovação de uma aliança com o Brasil e com os brasileiros e uma redobrada responsabilidade na condução de nossas Forças Armadas.

Temos a felicidade de viver em paz com as nações vizinhas. Há décadas não enfrentamos ameaças maiores de conflitos regionais. Isso, contudo, não torna menos importante o papel das nossas Armas, pois nós sabemos que a verdadeira paz não se apóia apenas na ausência de guerra mas, sobretudo, no esforço bem-sucedido de fazer de uma Nação um abrigo para todos os seus filhos.

Sabemos, também, que as grandes fronteiras da soberania nacional são, hoje, a justiça social e o desenvolvimento. Nossas Forças Armadas compreenderam bem este desafio e se engajaram com convicção na batalha do desenvolvimento.

Hoje, os mesmos marinheiros que defendem nossa costa são aqueles que levam a saúde e a assistência às populações ribeirinhas. Os soldados que guardam nossas fronteiras são aqueles que constroem algumas de nossas mais importantes estradas. E os aviadores que cruzam nossos céus representam, para muitas comunidades isoladas, o elo de ligação com o mundo, o mensageiro voador que traz o remédio e a assistência, salvadores de vidas.

Meus amigos e minhas amigas,

A redução das muitas disparidades regionais e sociais de nosso País só continuará ocorrendo com sucesso se os homens de farda continuarem com a mesma determinação que hoje dedicam a esta causa. Apesar das dificuldades e dos desafios orçamentários que ainda persistem, as Forças Armadas estão hoje muito mais eficientes e melhor geridas.

Isso dá a elas uma enorme capacidade de resposta rápida aos desafios que lhe são apresentados. É o que vem acontecendo, por exemplo, na construção de pontes e no asfaltamento de trechos da BR-163, que liga Santarém, no Pará, a Cuiabá, no Mato Grosso; ou na duplicação da BR-101, no Nordeste, onde disputas jurídicas impediram, por muitos anos, a realização das obras por empreiteiras privadas.

Nos dois casos, os Batalhões de Engenharia do Exército se engajaram nas obras, utilizando toda a sua experiência profissional, seu comprovado talento técnico-científico e, também, sua valiosa infra-estrutura de máquinas.

O mesmo vale para o Programa Soldado Cidadão, que transforma os jovens recrutas da Marinha, do Exército e da Aeronáutica em profissionais qualificados e prontos para disputar uma oportunidade num mercado cada vez mais competitivo. E para os muitos outros programas de cunho social de nossas três Armas.

Este mesmo sentido de promoção da justiça social e do desenvolvimento é o que tem pautado a participação de nossos militares junto às Forças Internacionais de Paz naquele que é um dos países mais sofridos de nossa América: o Haiti.

Chegamos àquele país com o objetivo de ajudar seu povo a reencontrar a paz e reconquistar uma estabilidade há muito perdida. Sabemos, porém, que é com nossa ação solidária e com a ajuda que nossas tropas vêm prestando à reconstrução do país que poderemos contribuir para erradicar as verdadeiras causas da violência e da pobreza.

Senhores oficiais-generais,

Foi a parceria com o povo brasileiro na luta pela construção nacional que pintou algumas das páginas mais belas da história de nossas Forças Armadas. Uma dessas páginas se abre no ano de 1889, quando Cândido Mariano Rondon foi nomeado ajudante da Comissão de Construção das Linhas Telegráficas de Cuiabá a Registro do Araguaia.

A partir de então, Rondon chefiou várias comissões e percorreu os mais distantes pontos do território nacional instalando linhas telegráficas que iriam unir os brasileiros através da comunicação e da solidariedade.

Através dele, o Estado brasileiro descobriu novos rios, estabeleceu contato pacífico com povos indígenas isolados e estendeu sua presença ao longo das nossas fronteiras. Desejo que a inspiração do Marechal Rondon nunca falte a qualquer brasileiro, seja ele civil ou militar.

Mas é aos senhores oficiais-generais que cabe a tarefa de dar continuidade à missão cívica e desenvolvimentista que as Forças Armadas brasileiras tão bem conduzem desde os primeiros dias da República.

O desenvolvimento, a democracia e a justiça formam o alicerce onde se assenta a verdadeira paz. Como brasileiros, é dever de todos nós zelar por este alicerce e fortalecê-lo a cada dia.

Quero dar os parabéns aos oficiais-generais. Quero dar parabéns às suas esposas e dar os parabéns a todos os seus familiares. E desejar a todos vocês boa sorte nessa nova tarefa que vocês assumem nas Forças Armadas brasileiras.

Muito obrigado.

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