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Discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva,

Discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por ocasião da visita ao 20º Grupo de Artilharia de Campanha Leve

Luiz Inácio Lula da Silva

Excelentíssimo senhor Cláudio Lembo, governador do estado de São Paulo,

Senhores ministros, Waldir Pires, da Defesa; Márcio Thomaz Bastos, da Justiça, Luiz Dulci, da Secretaria-Geral

General Francisco Roberto de Albuquerque, comandante do Exército brasileiro,

Meu caro Rubens Furlan, prefeito de Barueri,

General Luiz Edmundo Maia de Carvalho, comandante militar do Sudeste,

Major-Brigadeiro-do-Ar Aprígio Eduardo Azevedo, comandante do IV Comar,

Senhores prefeitos Emídio de Souza, de Osasco; Evilásio Farias, de Taboão da Serra; Geraldo Cruz, de Embu das Artes;

Jorge Costa, de Itapecerica da Serra; Paulo Bururu, de Jandira,

Contra-Almirante Carlos Passos Bezerril, diretor do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo,

Coronel Eliseu Teixeira Borges, comandante-geral da Polícia Militar do estado de São Paulo,

Tenente-Coronel Marco Aurélio Abreu, comandante do 20º Grupo de Artilharia de Campanha Leve,

Demais oficiais presentes,

Meus caros cabos e soldados deste Agrupamento, do programa Soldado Cidadão,

Primeiro, general Albuquerque, Ministros e governador Cláudio Lembo, quero dizer a vocês que a história nos prega algumas peças que não têm explicação.

Eu me lembro que uma das frustrações grandes que eu tive na minha vida foi quando, com 18 anos de idade, eu me apresentei ali no Parque Dom Pedro para tentar servir no Exército brasileiro, e não consegui. Não sei por que, não me quiseram.

O dado concreto é que eu não pude servir no Exército brasileiro e isso foi uma frustração muito grande para minha mãe, porque um dos sonhos dela era que seus filhos pudessem servir o Exército.

Pode ser que tenha algumas pessoas com preconceito contra o Exército brasileiro, mas no meio do povo pobre, certamente, grande parte das famílias gostaria que os seus filhos tivessem a oportunidade de servir no Exército brasileiro.

Mas a minha frustração foi compensada quando, quase 40 anos depois, eu sou eleito presidente da República, e aquele menino que não pôde servir o Exército brasileiro vira comandante-chefe das Forças Armadas do nosso País.

E foi com muito mais orgulho que, na primeira conversa que eu tive com os nossos comandantes do Exército, da Aeronáutica e da Marinha, eu disse que gostaria, ao terminar o meu governo, que nós pudéssemos ter conseguido e conquistado o estabelecimento de uma relação entre a sociedade civil e as Forças Armadas brasileiras.

Houve problemas, preconceitos, e eu dizia aos comandantes que era importante que nós não nos dividíssemos por farda, que nós nos sentíssemos todos brasileiros, cada um cumprindo a sua função, o metalúrgico na metalurgia, o político na política e o militar na caserna, cumprindo as suas funções e guardando, com soberania, as nossas fronteiras.

Muitas vezes nós não damos valor a determinadas coisas, só damos valor quando estamos em perigo ou quando acontece um imprevisto qualquer.

E eu propus ao Comandante do Exército, ao nosso Almirante e ao nosso Brigadeiro, que pudéssemos criar a possibilidade de colocar mais gente para servir as Forças Armadas. Nós chegamos a uma situação, Governador, teve momentos em que o soldado só servia meio-dia, porque estava com o dinheiro curto para servir almoço para o jovem soldado brasileiro.

Eu disse ao comandante Albuquerque que isso não iria mais acontecer, que era importante que os nossos soldados pudessem comer, pudessem se vestir de forma adequada e pudessem sentir orgulho de servir às Forças Armadas.

E construímos a idéia do Soldado Cidadão, ou seja, recrutar um grupo de jovens a mais, espalhados por este País, sobretudo, nas grandes regiões metropolitanas, para que esses jovens pudessem, acima do recrutamento normal das Forças Armadas, adentrando no Exército, aprender três coisas que eu acho sagradas na formação de um ser humano.

Primeiro, gostar do seu País; segundo, aprender os princípios da disciplina e, terceiro, aprender uma profissão. E por que aprender uma profissão?

Porque fazia parte, desde quando pensamos no lançamento do programa Primeiro Emprego, a gente criar as condições para permitir que jovens brasileiros pudessem adentrar, tanto numa empresa quanto nas Forças Armadas brasileiras, e aproveitar o tempo que estivessem lá para sair melhor formados, para ajudar a sua família e para ajudar o nosso País.

Então, é com muito orgulho, mas muito orgulho mesmo, que ao perguntar ao general Albuquerque quanto tempo esses meninos tinham no Exército brasileiro, eu fui informado antes, pelo microfone, que os meninos tinham apenas dois meses de Exército brasileiro, porque começaram em junho.

E a disciplina e o aprendizado foram tão rápidos que qualquer um de nós que esteja aqui presente, se não ouvíssemos falar ao microfone, certamente estaríamos pensando que esses meninos já estavam há mais tempo nas Forças Armadas brasileiras.

Eu não tenho dúvida nenhuma que, certamente, vocês que fazem parte das Forças Armadas brasileiras, os nossos jovens, são motivo de orgulho para as suas famílias, são motivo de esperança para as suas famílias e muito mais, são motivo de orgulho para o nosso País.

Quase 70 mil jovens já serviram as Forças Armadas, dentro do programa Soldado Cidadão. Eu espero que a gente possa, a cada ano, quem quer que governe o estado, quem quer que governe o País, eu espero que a gente não deixe que um programa desses termine, eu quero que mais soldados cidadãos se apresentem pelo Brasil inteiro, que mais jovens possam aprender uma profissão, que mais jovens possam aprender o amor à pátria e que mais jovens possam passar mais segurança para a sociedade e para a sua família.

Quero terminar dizendo ao general Albuquerque que aprendi nessa convivência com as Forças Armadas brasileiras a descobrir o quanto podem prestar de serviço ao Brasil, as nossas Forças Armadas, se houver disposição política de olhar as Forças Armadas como instrumento, não apenas de defesa da nossa soberania ou das nossas fronteiras, mas como instrumento que pode partilhar com todo o Estado brasileiro uma grande política de inclusão social, para que todos se sintam em casa, dentro ou fora do Exército.

Meus parabéns, muitos parabéns aos nossos jovens soldados, e que Deus possa guiar esse tempo que vocês estão nas Forças Armadas e possa guiar o comportamento de vocês na ajuda aos seus familiares.

Muito obrigado, general Albuquerque, muito obrigado, generais-oficiais e Governador. Isto aqui é um exemplo de que a juventude brasileira não tem por que cair na criminalidade, a juventude brasileira precisa apenas de uma oportunidade.

Tendo oportunidade, certamente ela será mais que útil ao conjunto da sociedade.

Muito obrigado.

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