Relações Exteriores

Comunicado Conjunto Brasil – México
06/08/2007
Discurso do presidente Lula da Silva, na cerimônia
06/08/2007

Discurso do presidente Lula em reunião do Conselho

Discurso do presidente Lula em reunião do Conselho Empresarial Mexicano de Comércio Exterior, Investimentos e Tecnologia

Luiz Inácio Lula da Silva

Excelentíssimo senhor presidente dos Estados Unidos Mexicano, Felipe Calderón,

Senhores ministros de Estado do México,

Ministros de Estado do Brasil,

Empresários brasileiros, empresárias,

Empresários mexicanos e empresárias mexicanas,

Quero cumprimentar todos os participantes deste extraordinário encontro empresarial México-Brasil,

Meu caro amigo, presidente Felipe Calderón, este um é um evento de grande relevância. Um número expressivo de empresários mexicanos e brasileiros – representantes de grandes, médias e pequenas empresas dos mais variados setores – se encontram aqui participando desta Reunião Plenária do Comitê Empresarial México-Brasil.

O setor privado tem papel determinante na consolidação da aproximação que estamos forjando entre nossos países. As potencialidades dessa parceria já fazem parte dos planos e objetivos de nossos homens de negócio.

Há uma semana, expressiva missão empresarial mexicana esteve em São Paulo, liderada pelo Ministro de Economia e pelo Presidente do Conselho Empresarial Mexicano de Comércio Exterior.

Na mesma época, aqui no México, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, presidiu o primeiro Seminário sobre Oportunidades do Agronegócio Brasileiro, que contou com a participação de importante delegação de empresários brasileiros.

É exatamente desse tipo de dinamismo que precisamos para estreitar o relacionamento econômico bilateral.

Senhores empresários,

A importância desta Reunião Plenária pode ser traduzida em números. O México é o sétimo parceiro comercial do Brasil. Em 2006, nosso comércio bilateral chegou próximo aos 6 bilhões de dólares.

O mercado mexicano é o quinto principal destino das exportações brasileiras, à frente de parceiros tradicionais, como Japão, Reino Unido, França, Itália, Espanha e Canadá. No ano passado, o Brasil exportou para o México 4,4 bilhões de dólares.

O México é o oitavo maior fornecedor do Brasil. Importamos 1,3 bilhão de dólares em produtos mexicanos.
Essas estatísticas são ainda mais expressivas se comparadas aos valores de 2002, quando nosso comércio não passava de 2,5 bilhões de dólares.

As importações brasileiras do México cresceram 55% em 2006, muito acima do crescimento médio das importações brasileiras do resto do mundo, que foi de 24%.

Isso quer dizer que, em 2006, o México foi o segundo país cujas exportações para o mercado brasileiro mais cresceram, depois do Chile. Esse aumento começa a corrigir o desequilíbrio que existia em nosso comércio.

Talvez ainda mais significativo da qualidade da parceria que queremos construir é o fato de as exportações e importações se concentrarem em produtos manufaturados de maior valor agregado.

Nossa aliança está assentando na consistência e responsabilidade de nossas políticas econômicas. Um ambiente de estabilidade permite uma integração à economia mundial menos exposta às incertezas que ainda marcam o cenário internacional.

Não por acaso México e Brasil figuram entre os principais receptores de investimentos diretos estrangeiros dentre os países emergentes. Esse quadro também beneficia nossas relações bilaterais.

O México se converteu no quinto principal investidor no Brasil. Cada vez mais empresas brasileiras – de todas as escalas – estão presentes no mercado mexicano. Foi, portanto, com grande satisfação que presenciei a assinatura do Acordo de Cooperação entre o Banco do Brasil e o Banorte.

Trata-se de um convênio entre dois grandes símbolos de nossos países: o maior banco da América Latina e um dos maiores bancos do México, controlado por capitais mexicanos.

A entrada em vigor, este ano, do Convênio para Evitar a Dupla Tributação facilita a instalação e operação de empresas de um país no outro, estimulando ainda mais os negócios.

No entanto, mesmo sendo o México um dos principais parceiros do Brasil, o comércio e os investimentos mútuos ainda estão aquém da capacidade das duas maiores economias da América Latina.

Como parceiros, devemos trabalhar para ampliar nossos acordos comerciais. Estou otimista com as negociações para ampliar o ACE – 53. A Comissão de Monitoramento do Comércio Bilateral e o Grupo de Estudos de Alto Nível também ajudarão a dinamizar o comércio e os investimentos.

Na área de energia há um vasto campo para a cooperação. Nossas empresas estatais, Petrobrás e Pemex, ocupam posições de destaque no cenário internacional. Detêm grande capacidade e conhecimentos técnicos e podem desenvolver mais ações em conjunto.

O Brasil também está pronto a cooperar com o México no desenvolvimento dos biocombustíveis, seja com o etanol derivado da cana-de-açúcar, seja com o biodiesel, extraído de grande variedade de sementes e oleaginosas.

Queremos contar com o apoio do México para estabelecer um mercado mundial para combustíveis limpos, baratos e renováveis.

Combustíveis que podem gerar empregos e renda, sobretudo no campo e para as populações mais pobres, sem, contudo, comprometer a segurança alimentar de nossos países.

O Memorando de Entendimento em Matéria de Cooperação Energética, que estamos assinando nesta visita, reforçará nossa atuação conjunta. Não apenas nos biocombustíveis, mas também nas indústrias de petróleo, gás e outros setores.

Outra área promissora é o agronegócio. Com criatividade e sensibilidade, seremos capazes de identificar novas oportunidades. Esse é precisamente o sentido da Carta de Intenções que o Ministro Reinhold Stephanes assinará hoje com o Secretário Alberto Cardenas, que cria um Grupo de Trabalho para promover a cooperação bilateral nessa área.

E o reinício das operações de vôo direto México-Brasil por uma empresa brasileira, em setembro, facilitará nosso intercâmbio turístico, comercial e cultural.

Meus amigos e minhas amigas,

Quanto mais próximos estivermos, maior será o dinamismo de nosso comércio e maiores serão os investimentos de lado a lado. Maiores serão também os benefícios para nossas sociedades.

Quero reforçar o compromisso do meu governo com a cooperação entre os setores privados do México e do Brasil. Estou certo de que o caminho do progresso econômico reforçará nossos vínculos de amizade e solidariedade.

Muito obrigado.

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