Brasília, 15 de novembro de 2018 - 05h24

Forças Armadas

19 de abril de 2005
por: InfoRel
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Excelentà­ssimo senhor José Alencar, vice-presidente da República e ministro da Defesa,

Meu querido companheiro Luiz Gushiken, ministro-chefe da Secom,

Minha companheira Marisa,

Almirante-de-Esquadra Roberto de Guimarães Carvalho, comandante da Marinha e sua dignà­ssima esposa,

General-de-Exército Francisco Roberto de Albuquerque, comandante do Exército e sua dignà­ssima esposa,

Tenente-Brigadeiro-do-Ar Luiz Carlos da Silva Bueno, comandante da Aeronáutica e sua dignà­ssima esposa,

Senhores oficiais-generais,

Senhoras e senhores integrantes das Forças Armadas,

Meus caros e minhas caras jornalistas,

Meus amigos e minhas amigas,

Mais uma vez expresso a minha alegria, além do orgulho cà­vico e democrático, ao participar desta cerimônia de promoção de novos oficiais-generais.

Este é um momento especial para todos nós, em que reconhecemos, mais uma vez, o profissionalismo e o espà­rito coletivo do militar brasileiro que, diante do ideal de servir a pátria e proteger o paà­s, mantém sua indissociável dedicação ao sentimento humanitário.

As Forças Armadas, por dever constitucional, são defensoras da nossa soberania, integração e independência. E os oficiais-generais são os representantes fiéis desses objetivos maiores, responsáveis por buscá-los sempre com espà­rito de justiça. São essas virtudes que garantem e fazem perdurar a credibilidade da nossa Marinha, do nosso Exército e da nossa Aeronáutica.

Senhores oficiais-generais,

Ao renovar-lhes os meus cumprimentos pela merecida promoção, quero destacar o grande significado que este momento tem, na trajetória pessoal e profissional de cada um. Podem ter a certeza de que o desafio que os senhores estão assumindo tem o reconhecimento de todo o povo brasileiro.

Neste momento e, mais ainda, daqui para a frente, os senhores estão e estarão retribuindo, com esforço e dedicação, o carinho e o sacrifà­cio que suas famà­lias dedicaram ao crescimento de suas carreiras. Suas famà­lias, portanto, merecem, da nossa parte, as mais sinceras homenagens.

Eu torço para que todos tenham sucesso profissional, para o bem dos senhores, das suas corporações e do nosso querido Brasil.

Eu queria aproveitar esta tarde em que muitos de vocês estão realizando seus sonhos, muitos, ou quase todos estão dedicando à s Forças Armadas brasileiras e ao Brasil 35, 40, 45, 30 anos da sua vida e chegam a um posto que é o sonho de todo mundo.

Eu, nesses dois anos, aprendi a conhecer melhor as nossas Forças Armadas e aprendi a reconhecer o trabalho extraordinário e dignificante que as Forças Armadas têm prestado ao Brasil, ao longo de muitos e muitos anos, antes que eu viesse a ser presidente da República.

Depois que assumi a Presidência da República, não teve nenhum momento, nesses dois anos e quatro meses de governo, em que tenhamos dado uma tarefa à s Forças Armadas e que não tenham cumprido essa tarefa sem perguntar, sem reclamar, e têm feito aquilo que possivelmente em muitos outros paà­ses não seja o hábito das Forças Armadas fazerem.

Aqui, além de soldados, além de representantes da sociedade brasileira, no que diz respeito à  nossa garantia e à  nossa soberania, as nossas Forças Armadas têm, ao mesmo tempo, se dedicado a fazer trabalhos sociais e, muitas vezes, conversando com outros presidentes, nós não conhecemos tantos lugares em que as Forças Armadas tenham a dedicação que têm aqui, no Brasil.

Seja o trabalho feito na Amazônia, seja o trabalho feito no Nordeste uma das mais novas experiências, na questão da distribuição de água nas regiões mais secas do Brasil, fazendo levantamento de onde precisarà­amos colocar as cisternas –, seja na experiência de treinar os Soldados Cidadãos, que é uma esperança extraordinária para a sociedade brasileira, que a gente possa, cada vez mais, ter mais jovens servindo à s nossas Forças Armadas.

Eu estou dizendo tudo isso porque eu acredito que o Estado brasileiro precisa, definitivamente, reconhecer os valores dos servidores civis e militares que dedicam, praticamente, a sua vida inteira a serviço da nossa nação, muitas vezes não recompensados, muitas vezes não compreendidos pela sociedade. É como se fosse um trabalho silencioso, mas, ao mesmo tempo, todos se dedicando de corpo e alma para que o resultado seja o melhor, sobretudo para o Brasil e, depois, para o povo brasileiro.

É assim que nós temos discutido com o Ministro da Defesa, com os Comandantes das Forças Armadas, como trabalhar para que a gente possa recuperar o prejuà­zo que as Forças Armadas sofreram durante tantos anos de desmonte. Se não bastasse o desmonte da máquina pública, nós temos o grande desmonte, eu diria, no soldo e no salário tanto do servidor público civil, quanto do servidor público militar, como se essas pessoas não tivessem famà­lias, como se essas pessoas não tivessem gastos, como se essas pessoas não tivessem que pagar escolas, como se essas pessoas não pudessem viver como vive qualquer outro cidadão na face da Terra que precisa sobreviver.

Eu estou dizendo isso, nesta oportunidade, porque eu tenho conversado com o meu Vice-Presidente, o Ministro da Defesa, e quero que vocês saibam que nós vamos trabalhar não apenas com vontade polà­tica, mas com carinho, para ver se nós encontramos uma forma não apenas de discutir a questão salarial, mas a recuperação das Forças Armadas brasileiras. Eu digo sempre que um paà­s pode ser medido por muita coisa, mas uma das coisas em que um paà­s é medido é pelo potencial de defesa que ele tem, é pela preparação das suas Forças Armadas.

Eu tenho andado pelos paà­ses pobres, como fui para a àfrica agora, e tenho visto muitas vezes situações degradantes das Forças Armadas dos paà­ses. Em alguns casos eu ficava até pensando se o Brasil poderia ou não ajudar a sair de uma situação, como a que eu vi, por exemplo, em Guiné-Bissau, em que eles precisam do apoio do Brasil. Agora, obviamente, o Brasil só pode apoiar se aqui dentro nós tivermos dando à s nossas Forças Armadas aquilo que merecem e que precisam.

Eu digo sempre que há uma dà­vida enorme do Estado brasileiro com o povo brasileiro. Há uma dà­vida com os pobres deste paà­s de mais de século, e nós não vamos conseguir recuperar isso em dois ou três anos. Há uma dà­vida com a juventude deste paà­s, de muitos e muitos anos, e que nós vamos levar outro tanto de anos para começar a recuperar.

Hoje, eu disse que nós tà­nhamos uma dà­vida com os à­ndios brasileiros que possivelmente vamos demorar para pagar. Como eu tive a coragem de pedir perdão lá no Senegal, na Ilha de Gorée, pelos 300 anos de escravidão a que os africanos foram submetidos e o Brasil participou diretamente, comprando escravos.

Fiz isso porque acho que o ser humano precisa de està­mulo, ele precisa saber que está sendo olhado com carinho, ele precisa saber que o serviço dele está tendo atenção, ele precisa saber que o serviço dele vai ser recompensado.

Eu quero terminar dizendo que vocês estão, hoje, assumindo novas tarefas. E nesse tempo que vamos ter para trabalhar juntos, nós vamos ter que dedicar a nossa inteligência, a nossa criatividade e a nossa disposição polà­tica para que, juntos, a gente possa fazer com que as nossas Forças Armadas voltem a ser as Forças Armadas que tenham não apenas a recompensa salarial, mas a recompensa dos bens materiais necessários para que a gente possa fazer valer a grandiosidade que o Brasil hoje tem no mundo.

A todos vocês, aos seus familiares, toda sorte do mundo. E espero que esses sonhos que vocês estão realizando hoje possam fazer com que outros sintam o està­mulo de se dedicarem o tanto que vocês se dedicaram para chegar ao posto que acabaram de chegar.

Boa sorte e que Deus abençõe todos vocês.


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