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Discurso do Presidente Lula, por ocasião da visita

Discurso do Presidente Lula, por ocasião da visita do presidente da Síria, Bashar Al-Assad

Quero cumprimentar a delegação que acompanha o presidente Al-Assad,

Quero cumprimentar a imprensa da Síria, a imprensa brasileira,

 

E dizer: a vinda do presidente Al-Assad ao Brasil é uma viagem de descoberta e reencontro. É a primeira visita de um chefe de Estado da Síria, país que tanto contribuiu para a formação da nação brasileira.

 

Recebê-lo, quando comemoramos os 130 anos da imigração árabe, renova os laços de confiança e de esperança que fizeram homens e mulheres atravessarem oceanos em busca de uma nova vida.

 

São hoje mais de dois milhões e meio de homens e mulheres. Herdaram seu talento, projetando-se no Brasil como políticos, médicos, arquitetos, engenheiros, artistas e cientistas.

 

Meu caro presidente Al-Assad,

 

Sua presença aqui é oportunidade para selarmos parceria lançada quando estive em Damasco, em 2003. Nesses sete anos, nossas relações ganharam novas dimensões e possibilidades.

 

A capacidade de transpor barreiras e compartilhar experiências é o impulso maior de nosso relacionamento. Os acordos que assinamos hoje dão sentido prático a esse compromisso. Temos uma aliança assentada em números sólidos. O comércio quadruplicou e hoje alcança US$ 300 milhões.

 

A criação do Conselho Empresarial Brasil-Síria abre oportunidades para multiplicar o comércio e estimular os investimentos.

 

Essa tendência é de crescimento, com um sistema multilateral de comércio mais representativo dos anseios do mundo em desenvolvimento. Por isso, defendemos o fim dos entraves que impedem o avanço do processo de acessão da Síria à Organização Mundial do Comércio.

 

Meu caro Presidente,

 

Desde o início de meu governo, atribuí prioridade às relações com o Mundo Árabe.

 

Com o lançamento da Cúpula América do Sul – Países Árabes, em 2005, unimos de forma pioneira nossas vozes na defesa de uma ordem internacional mais democrática e mais equilibrada. A construção da paz no Oriente Médio é um dos pilares desse projeto do qual o Brasil quer ser parceiro.

 

Mas essa é uma responsabilidade de todos. Esse conflito transcende as dimensões regionais e afeta o mundo inteiro. Recusamos a tese de que o Oriente Médio está fadado ao conflito, de que seus filhos estão condenados a reviver a irracionalidade da guerra.

 

Não haverá reconciliação verdadeira se houver vencedores e vencidos. Temos urgência em ver a região pacificada, com todos os seus povos vivendo em harmonia.

 

Foi essa a mensagem que transmiti aos presidentes Peres, Abbas, Ahmadinejad e Sleiman quando estiveram no Brasil. Levei essa exortação à moderação e ao compromisso negociador com minhas recentes visitas a Tel Aviv, Ramalá, Amã, Doha e Teerã.

 

Caro Presidente,

 

Não por coincidência, comecei por Damasco minha primeira viagem ao Oriente Médio. A Síria é um sócio indispensável na busca da pacificação. Não se retomarão as negociações sem o engajamento de todos.

 

O Brasil é especialmente grato pelo apoio sírio à retirada dos cidadãos brasileiros do Líbano durante a conflagração de 2006.

 

Todos os olhos se voltam para Damasco em busca de palavra de autoridade e moderação. A Síria tem que ser ouvida e envolvida nas grandes discussões sobre o futuro do Oriente Médio.

 

Apoiamos o princípio da “terra por paz” para assegurar a devolução das Colinas de Golã à Síria.

 

Defendemos um Estado Palestino independente, soberano, coeso e economicamente viável, e que possa conviver em segurança e dignidade com o Estado de Israel.

 

Isso só será possível com unidade. Contamos com a Síria para ajudar a alcançar uma verdadeira reconciliação entre os palestinos.

 

O Brasil condenou a intervenção em Gaza, da mesma forma que condena atos terroristas de qualquer espécie. Consideramos que bloqueios não contribuem com a paz. O incidente com a flotilha humanitária, atacada em águas internacionais, mostra que é mais do que hora de levantar o bloqueio a Gaza.

 

Esperamos o imediato acesso de material de construção aos assentamentos. Disso depende a execução de projetos IBAS de construção de escola em Gaza.

 

Queremos investir nos jovens, na voz da esperança e do diálogo. Recusamos a lógica do preconceito, da desconfiança e das armas. Por isso, congratulo-me com Vossa Excelência pelo empenho da Síria em normalizar suas relações diplomáticas com o Líbano.

 

Caro Presidente,

 

Sírios e libaneses apostaram no respeito recíproco e no trabalho cooperativo quando deixaram sua pátria em busca de novos horizontes. Ajudaram a construir uma nação brasileira agradecida e determinada a retribuir generosamente. São essas as perspectivas e esperanças que nos unem.

 

Com essa convicção expresso, em meu nome e no do povo brasileiro, meus melhores votos de saúde e felicidade para Vossa Excelência, desejando paz e prosperidade para o povo sírio.

 

Muito obrigado.

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