Brasília, 20 de novembro de 2019 - 13h47
Economia aposta em fortalecimento do comércio com acordo MERCOSUL - UE

Economia aposta em fortalecimento do comércio com acordo MERCOSUL - UE

28 de junho de 2019 - 19:47:37
por: Marcelo Rech
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Brasília - O Secretário Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do ministério da Economia, Marcos Troyjo, disse nesta sexta-feira, 28, durante o anúncio do acordo histórico entre MERCOSUL e União Europeia, em Bruxelas, Bélgica, que o Brasil finalmente está prestes a entrar no jogo da economia internacional do Século XXI. De acordo com Troyjo, o comércio exterior ganha importância com o acordo assinado após duas décadas de negociação.

"O Brasil, dentre as 15 maiores economias do mundo, é a que tem menor fatia do PIB representada pelo comércio exterior. Um dos efeitos que esperamos agora é um aumento significativo da corrente de comércio brasileira", afirmou Troyjo.

O acordo mais amplo e de maior complexidade já negociado pelo bloco sul-americano cobre temas tanto tarifários quanto de natureza regulatória, como serviços, compras governamentais, facilitação de comércio, barreiras técnicas, medidas sanitárias e fitossanitárias e propriedade intelectual.

Troyjo disse, também, que iniciativas como o acordo MERCOSUL - UE, além de toda a dinâmica existente para acessão do Brasil à Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), permitem que o país se prepare melhor para o futuro. "Os exemplos que vemos no mundo mostram que os acordos comerciais servem como uma espécie de acelerador do grau de institucionalização e modernização das economias, também do ponto de vista das regras internas", ressaltou.

Segundo ele, "não existe um único caso de milagre econômico nos últimos 50 anos em que o comércio exterior, com uma alta corrente de comércio, e um alto percentual de exportações e importações relacionadas ao PIB, não esteja presente", destacou, citando como exemplo os milagres econômicos do pós guerra, o crescimento econômico da China e do Chile nos anos 70, e de países do Sudeste Asiático.

O Acordo

O Acordo de Livre-Comércio MERCOSUL - UE inaugura a nova política comercial do Brasil, segundo a qual o governo promove maior interdependência entre importações, exportações e investimentos diretos com vistas a dar maior dinamismo às empresas e maior bem-estar às famílias brasileiras.

Ele entrará em vigor gradualmente. A primeira fase, que deve durar alguns meses, será uma profunda revisão jurídica; a segunda, que deve levar aproximadamente dois anos, é a discussão nos parlamentos dos quatro países do MERCOSUL e no Parlamento Europeu, até sua aprovação final. Uma vez ratificado, sua implementação será feita produto a produto, de acordo com cronogramas específicos que foram negociados entre as partes.

De acordo com o ministério da Economia, “O tratado é um marco histórico no relacionamento entre o MERCOSUL e a União Europeia, que representam, juntos, cerca de 25% do PIB mundial e um mercado de 780 milhões de pessoas. Em momento de tensões e incertezas no comércio internacional, a conclusão do acordo ressalta o compromisso dos dois blocos com a abertura econômica e o fortalecimento das condições de competitividade. Ele reconhecerá como distintivos do Brasil vários produtos, como cachaças, queijos, vinhos e cafés. Além disso, garantirá acesso efetivo em diversos segmentos de serviços, como comunicação, construção, distribuição, turismo, transportes e serviços profissionais e financeiros”.

Segundo estimativas do ministério, este instrumento representará um incremento do PIB brasileiro de US$ 87,5 bilhões em 15 anos, podendo chegar a US$ 125 bilhões se consideradas a redução das barreiras não-tarifárias e o incremento esperado na produtividade total dos fatores de produção. O aumento de investimentos no Brasil, no mesmo período, será da ordem de US$ 113 bilhões. Com relação ao comércio bilateral, as exportações brasileiras para a UE apresentarão quase US$ 100 bilhões de ganhos até 2035.

Atualmente, a UE é o segundo parceiro comercial do MERCOSUL e o primeiro em matéria de investimentos. Já o MERCOSUL é o oitavo principal parceiro comercial extrarregional da UE. A corrente de comércio birregional foi de mais de US$ 90 bilhões em 2018. Em 2017, o estoque de investimentos da UE no bloco sul-americano somava cerca de US$ 433 bilhões. O Brasil registrou, em 2018, comércio de US$ 76 bilhões com a UE e superávit de US$ 7 bilhões.

O Brasil exportou mais de US$ 42 bilhões, aproximadamente 18% do total exportado pelo país. O Brasil destaca-se como o maior destino do investimento externo direto (IED) dos países da UE na América Latina, com quase metade do estoque de investimentos na região. O Brasil é o quarto maior destino de IED da UE, que se distribui em setores de alto valor estratégico.