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24/11/2015
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24/11/2015

Socialismo do Século 21

Eixo Argentina – Brasil – Venezuela será rompido com eleição de Macri

Marcelo Rech

O governo brasileiro ainda não digeriu a derrota do candidato kirchnerista Daniel Scioli na Argentina. A presidente Dilma Rousseff convidou Maurício Macri para vir à Brasília antes de sua posse em 10 de dezembro. Ela sabe que a eleição do oposicionista marcará a ruptura do eixo Argentina – Brasil – Venezuela, que entre outras coisas, vem sustentando silenciosamente o regime chavista e tudo o que ele tem representado.

Num esforço por evitar dores de cabeça, ela recebeu em outubro, no Palácio do Planalto, o candidato de Cristina Kirchner. Do alto dos seus míseros 8% de popularidade, Dilma queria emprestar apoio e respaldo ao então governador da Província de Buenos Aires. Dias depois, foi a vez do ex-presidente Lula ir à Argentina para colar em Scioli e tentar reverter um quadro que já se mostrava delicado.

O que mais assusta o Planalto são as declarações de Macri em relação à suspensão ou expulsão da Venezuela do Mercosul, invocando a Cláusula Democrática prevista no bloco. O presidente eleito defenderá essa proposta 11 dias após a sua posse, na última reunião do bloco no ano, em Assunção.

Nesta segunda-feira, 23, o Uruguai tratou de desconversar. O governo de esquerda da Frente Ampla não vê razões para tal iniciativa. Macri contará com o apoio certo do Paraguai, vítima da armação política de 2012 que serviu para ingressar a Venezuela no Mercosul.

O Brasil sabe que as relações comerciais deverão ser blindadas, mas sabe também que Maurício Macri pressionará por mudanças efetivas nas regras do bloco, na assinatura do acordo com a União Europeia, numa maior aproximação com a Aliança do Pacífico e no aprofundamento das relações com os Estados Unidos.

Menos de 24h após ser eleito, Macri já percebeu que as relações com a vizinhança não serão fáceis, mas que cabe a ele liderar o movimento por mudanças conceituais e práticas, afinal de contas, o Mercosul agoniza enquanto novos e sólidos arranjos comerciais são fechados mundo afora.

Do ponto de vista político, o presidente argentino também sabe que sua vitória poderá marcar um ponto de inflexão no âmbito regional, colocando a Argentina no papel de liderança quando já são visíveis o cansaço e o desgaste do modelo atual dos chamados “governos progressistas”.

Marcelo Rech é jornalista e analista no Instituto InfoRel de Relações Internacionais e Defesa (www.inforel.org). E-mail: inforel@inforel.org.

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