Opinião

Conselho de Desenvolvimento debate integração UE –
17/07/2007
Reforma ortográfica da Língua Portuguesa será impl
25/07/2007

Integração

Embaixador brasileiro destaca nível das relações com o Peru

O embaixador do Brasil em Lima, Luiz Augusto de Araújo Castro, está otimista com o fortalecimento das relações com o Peru e ao falar ao InfoRel, destacou que o Brasil já ultrapassou o Chile como principal parceiro comercial do Peru, primeiro país sul-americano a se incorporar ao sistema Sipam-Sivam.

De acordo com Araújo Castro, “há dez anos atrás, as relações eram tímidas. Até maio deste ano, o fluxo comercial cresceu 60% em relação ao mesmo período do ano passado e as exportações peruanas para o Brasil também cresceram 45%, equilibrando a balança comercial, o que é muito bom para os dois países”, explicou.

Nos últimos anos, o Peru tem crescido a taxas superiores a 5% e a inflação é menor que 1%, embora ainda haja muita pobreza, principalmente no interior do país. Apesar disso, o risco-país chegou a bater em 90 pontos e há um fluxo de investimentos estrangeiros muito grande no país.

Para o Brasil, o Peru exporta principalmente minérios, produtos agropecuários e têxteis. Também é forte a presença de empresas brasileiras no Peru, como Petrobras, Companhia Vale do Rio Doce, Votorantim e Gerdau, entre outras.

O embaixador destacou ainda que o governo peruano pretende adquirir aeronaves R-99 da Embraer para utilizar no futuro Sistema de Proteção da Amazônia Nacional (Sipan), que está sendo desenhado em parceria com o Brasil.

Imagem do Brasil

Luiz Augusto de Araújo Castro fez questão de enfatizar que a imagem do Brasil e de suas empresas no Peru são muito boas. A Petrobras, por exemplo, não enfrenta animosidades como na Bolívia e participa da exploração de petróleo e gás em pelo menos cinco lotes, inclusive em Cusco e na região amazônica.

Em julho do ano passado, o presidente Alan García afirmou em Brasília que deseja ver mais Petrobrás no Peru. A estatal peruana de petróleo, Petroperu, costuma hastear a bandeira brasileira em frente à sua sede. Outra demonstração da empatia existente é que a Petrobras destacou um peruano para atuar como gerente da empresa no país.

A Gerdau que recentemente adquiriu uma siderúrgica peruana fez questão de manter os trabalhadores em todos os níveis e a Odebrecht que atua na construção de estradas em várias regiões, também contrata mão-de-obra local para as operações. A responsabilidade social e ambiental das empresas brasileiras também foram elogiadas pelo diplomata.

Transoceânica

O embaixador informou que as obras de construção da rodovia Transoceânica deverão estar concluídas entre o final de 2009 e o início de 2010. Alguns trechos já foram inaugurados em setembro de 2005 e uma ponte ligando a cidade brasileira de Assis Brasil, no Acre, à Iñapari, no Peru, foi entregue no ano passado.

A obra previa a utilização de recursos do Proex/BNDES, mas os peruanos preferiram contrair empréstimos em outros bancos estrangeiros dada a oferta de crédito. “Há muita confiança no governo peruano e os investimentos são oferecidos em condições cada vez melhores”, explicou o embaixador. Araújo Castro assegurou que não há dinheiro público do Brasil na obra.

Ele informou que um grupo de trabalho formado por brasileiros, peruanos e equatorianos estudam a implantação de um eixo multimodal que vai unir cidades dos três países através de estradas e portos.

Segundo ele, “em Cruzeiro do Sul, no Acre, há uma idéia de se construir uma estrada e até mesmo uma ferrovia para integrar o município até Pucallpa. São 200 quilômetros que separam as duas regiões e a integração conta com o apoio e o esforço das respectivas comunidades”. Em Pucallpa está localizado um dos principais portos peruanos.

Enquanto isso, a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados analisa requerimento para a realização de um seminário em Manaus (AM), com a participação de integrantes do Congresso e autoridades locais para discutir os projetos previstos na Iniciativa de Integração Regional Sul-Americana (IIRSA).

A tão almejada saída brasileira para o Pacífico, na opinião dos deputados Átila Lins (PMDB-AM) e Rebecca Garcia (PP-AM), não pode ignorar a longa extensão territorial a ser coberta pelo transporte brasileiro intermodal – rios e rodovias – e o potencial econômico das regiões a serem percorridas.

Segundo eles, Peru e Equador, que estão no caminho entre o Brasil e o Pacífico, são exemplos de países ávidos por maior intercâmbio comercial com o Brasil. O barateamento do preço de mercadorias importadas dos Estados Unidos e México, e a abertura de novos mercados para produtos brasileiros também justificam tal pretensão.

O governo do Amazonas já deu início a uma série de ações para incrementar o projeto, como a construção de uma ponte sobre o rio Negro e a hidrovia do Purus, ligando Manacapuru a Boca do Acre, no Amazonas, e daí por estrada até Rio Branco e Cruzeiro do Sul, no Acre, de onde se pretende chegar a Puccalpa, no Peru.

Narcotráfico

Luiz Augusto de Araújo Castro destacou ainda a luta do governo peruano para pôr fim ao narcotráfico e ao terrorismo. Segundo ele, o terrorismo ainda existente está associado ao tráfico de drogas. Além do número praticamente insignificante, já não existiriam terroristas ideológicos como à época do Sendero Luminoso e do Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA).

O embaixador explicou que não são perpetrados atentados em Lima e os remanescentes desses grupos perderam o apoio que tinham nas universidades, por exemplo. Além disso, as Forças Armadas do Peru atuam fortemente nas zonas onde ainda existem algum foco.

No momento, um dos principais objetivos do Peru é fortalecer a cooperação com a Colômbia para impedir qualquer tipo de atuação das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), no país. O nível de tolerância do Peru com as Farc é zero.

Brasil, Colômbia e Peru têm um acordo de cooperação para o combate ao narcotráfico, firmado em 2005, mas de acordo com o embaixador, a produção de cocaína do Peru não se destina ao Brasil. Sai pelo Pacífico para o México e Ásia principalmente. O Peru seria responsável por 32% da cocaína mundial.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *