Brasília, 26 de maio de 2020 - 14h55
Embaixador do Brasil nos EUA defende alinhamento e rejeita subserviência

Embaixador do Brasil nos EUA defende alinhamento e rejeita subserviência

13 de fevereiro de 2020 - 16:23:52
por: Marcelo Rech
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Brasília – O Senado Federal aprovou nesta quinta-feira, 13, o novo Embaixador do Brasil nos Estados Unidos, o diplomata Nestor Forster Júnior. Sabatinado pela manhã na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, Forster assumirá o posto definitivamente. Ele já respondia pela missão em Washington como Encarregado de Negócios. Ele defendeu o alinhamento do Brasil com os Estados Unidos e rejeitou as teses de subserviência às políticas da Casa Branca.

“Eu não vejo subserviência alguma na relação do Brasil com os Estados Unidos. É uma relação de dois grandes países soberanos. É claro que os Estados Unidos é uma potência econômica, militar, há um desnível de poder ou de projeção de poder; isto é, até certo ponto, natural. Os países não são nunca exatamente iguais. Mas com relação à questão de alinhamento automático, eu tenho uma certa implicância com essa expressão, porque ela me parece algo que é impossível de fazer, não é que é difícil, é impossível. Por quê? Porque uma coisa é alinhamento. Alinhamento quer dizer aproximação. Isso nós estamos buscando ativamente. Neste Governo, o Brasil está buscando se aproximar dos Estados Unidos, porque ficamos distantes no passado”, explicou Forster.

Ainda segundo o diplomata, “a relação com os Estados Unidos costuma ser benéfica para aqueles que estão próximos aos Estados Unidos. Isso não quer dizer, não implica, de nenhuma maneira, subordinação ou muito menos subserviência”.

Para o Embaixador, “se houvesse alinhamento automático, nós não precisaríamos nem ter embaixada, talvez nem precisássemos ter o Itamaraty. Isso não existe com país nenhum, porque não é possível fazer numa agenda tão densa, com tantos interesses que perpassam não só relações de governo, como eu mencionei aqui, mas relações que a própria sociedade leva, como a questão de intercâmbio acadêmico, a questão do turismo, a questão das organizações não governamentais que se relacionam; enfim, há uma miríade, uma pletora de atores aí, de modo que seria ingênuo supor... A complexidade do nosso comércio, o que o comércio agrícola Brasil/Estados Unidos. Como alinhar isso automaticamente? Isso não é possível de ser feito”, assinalou.

Na avaliação de Forster, alinhamento automático “é uma expressão que é usada com um certo cunho depreciativo, mas que, na prática, não poder ser sequer realizada. O que existe – vamos deixar isso claro – é um alinhamento, uma busca de aproximação com os Estados Unidos sempre no interesse do Brasil”, defendeu.