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Negócios

05 de dezembro de 2016
por: InfoRel
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Brasília - A Embraer, terceira maior fabricante de aviões no mundo e maior empresa brasileira de produtos de defesa defende a discussão em torno da indústria do setor como um tema de Estado. Na semana passada, Marcelo Santiago, diretor de financiamento de vendas da empresa, afirmou que o mercado de defesa e segurança é onde o apoio oficial com crédito à exportação é mais estratégico, pois há uma lacuna neste segmento no mercado privado.



Ele e representantes das indústrias de defesa do Brasil participaram na semana passada, do “I Encontro Internacional sobre Financiamento a Projetos de Defesa” que discutiu, entre outros temas, a experiência da Embraer e o apoio do Estado na exportação.



Marcelo Santiago revelou que enquanto a área de defesa e segurança deve representar 13% do faturamento total da companhia em 2016, nos últimos dez anos o financiamento oficial representou apenas 3% das vendas.



Com o potencial de exportação do programa KC-390, o assunto ganhou relevância. A maior aeronave já produzida no Brasil concorre com aviões entre dez e trinta toneladas. A Embraer projeta um mercado internacional potencial para 2.700 unidades para as próximas duas décadas. Grande parte desse número advém da necessidade de renovação da frota. São aviões com mais de 30 anos de uso.



Na avaliação do executivo, “um programa de sucesso é aquele desenvolvido em parceria com o seu governo, mas que é capaz de exportar. Só assim se obtém a totalidade dos benefícios para a sociedade, como a geração de empregos, divisas e tecnologia”, afirmou.



De acordo com o Comando da Aeronátuica, a FAB prevê a aquisição de 28 unidades do cargueiro, mas a empresa já conta com 32 cartas de intenção de compra da Colômbia, Argentina, Chile, Portugal e República Tcheca, parceiros no programa de desenvolvimento do avião.



“Se a indústria de defesa é uma questão de Estado, o assunto precisa ser discutido”, defendeu Santiago sobre o fomento à exportação. O diretor também acredita que já é consenso a relevância estratégica do segmento de defesa para o país. Na sua opinião, o que o setor precisa são ações efetivas por meio de políticas públicas direcionadas ao fortalecimento da indústria nacional.



Ele citou como exemplo, o mercado privado de crédito para produtos de defesa que é restrito e que torna o apoio governamental ainda mais relevante, pois o financiamento pode ser decisivo na hora de fechar ou não uma venda.



Para a Embraer, o ciclo da estruturação do processo de financiamento oficial, para a empresa, é muito longo. Hoje, o exportador também precisa lidar com diversos órgãos para estruturar um financiamento e obter aprovações, como Tesouro Nacional, BNDES, Fazenda, Relações Exteriores, Camex, entre outros.



O outro desafio a ser vencido é oferecer o crédito com condições mais competitivas. Para se ter uma ideia, em um comparativo médio de financiamento para prazo de dez anos a taxa francesa é de 0,7%, da Alemanha 0,2% e do Brasil 5,4%.



Para o Secretário de Economia e Finanças da Aeronáutica (SEFA), Tenente-Brigadeiro do Ar José Magno Resende de Araujo, o debate proposto pelo evento em torno do financiamento à exportação de produtos de defesa cumpriu seu papel de alertar sobre a importância do tema.



De acordo com o militar, o país sabe fazer financiamentos bem estruturados de importação, mas é preciso buscar alternativas para facilitar a exportação, inclusive as aeronaves são uma referência de produto de alta tecnologia e valor agregado exportado pelo Brasil em contraponto com as commodities.



Ele confirmou que o KC-390 enfrenta concorrência de empresas norte-americanas e européias, e vai depender de soluções financeiras nacionais para tornar a comercialização mais competitiva. “Para nós é extremamente importante que a Embraer exporte e que esse produto seja um sucesso. Os valores são elevados, não há como efetuar vendas sem ter um suporte de financiamento. São recursos de planejamento de longo prazo e precisam estar estruturados em financiamentos competitivo”, concluiu.


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