Brasília, 18 de outubro de 2018 - 03h19

Embraer é chamada a opinar

01 de outubro de 2009
por: InfoRel

Marcelo Rech


Se o cronograma que teve de ser consertado por conta das declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do dia 7 de setembro, for mantido, a Força Aérea Brasileira comunica nesta sexta-feira as três empresas finalistas que a licitação para a compra de 36 aviões de caça está encerrada.


Nos últimos dias, o lobby das empresas em Brasília cresceu monstruosamente. Todos jogam as últimas fichas num negócio que pode chegar aos R$ 10 bilhões.


A decisão política está tomada. O governo decidiu-se pelo modelo francês Rafale e o negócio só não sai se a Dassault der para trás nas promessas feitas pelo presidente Sarkozy.


Seus executivos reconhecem que foi ele quem vendeu o avião, mas é a empresa quem negocia o contrato, as condições, o preço – aliás, o mais alto entre os concorrentes.


Há 15 dias, a embaixada dos Estados Unidos trouxe à capital, os principais executivos da Boeing. Foram todos ao Senado que é quem dá a última palavra sobre o financiamento externo que vai pagar a conta.


Saíram de lá sem convencer ninguém sobra a prometida transferência de tecnologia. Agora falam num negócio que vai gerar 5 mil empregos no Brasil. Até carta da Secretária de Estado Hilary Clinton foi entregue para sensibilizar a turma.


Pesa contra os norte-americanos os mais de 20 vetos impostos ao Brasil em negociações externas. A mais conhecida e emblemática refere-se ao Super Tucano que seria vendido à Venezuela.


Mas, os Estados Unidos jogam pesado. Não costumam entrar numa briga se não for para ganhar. E para isso, lançam mão de muitos artifícios que fariam Hugo Chávez corar.


Os suecos prometem um avião mais barato, 100% de transferência de tecnologia e a possibilidade de o Brasil participar do desenvolvimento do projeto. Poderíamos supor que o país pudesse ter o avião formatado para atender às suas demandas. Mas é pura suposição.


Os franceses querem confirmar o Rafale, o preferido de Lula e Jobim. Não trabalham com a possibilidade de uma zebra dar as caras. Terão de baixar preços e custos.


No entanto, o que as três mais usam para sensibilizar a classe política é a garantia de que a Embraer participará do projeto.


Outro dia, a empresa emitiu uma opinião a respeito e foi repreendida pelo ministro da Defesa.


Para Nelson Jobim, quem decide é o governo e a Embraer não é governo.


Resta saber então, quem receberá a propalada transferência de tecnologia. Para alguns senadores, é fundamental que a Embraer seja chamada a opinar.


Marcelo Rech, 38, é jornalista com pós-graduação em Relações Internacionais e especialização em Estratégias e Políticas de Defesa. Correio eletrônico: inforel@inforel.org

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