Defesa

Oriente Médio
06/04/2006
Universidade de Brasília
11/04/2006

Super Tucano

Embraer não desistiu de vender à Venezuela

A Embraer não reconhece a desistência, por parte do governo venezuelano, das negociações para a comercialização de 20 aeronaves de ataque leve Super Tucano, que renderia à empresa, cerca de US$ 170 milhões.

Segundo a Embraer, o contrato não foi certificado pelo ministério da Defesa da Venezuela, razão pela qual, a empresa considera que as negociações estão mantidas.

Ainda de acordo com a Embraer, o Super Tucano será utilizado no treinamento de pilotos militares e em missões de ataque leve, como interceptação de aeronaves ilícitas.

A Embraer precisa da certificação por parte do ministério da Defesa da Venezuela, para informar aos governos dos Estados Unidos e da União Européia sobre o usuário final do produto, no caso o Super Tucano.

Como o avião utiliza equipamentos de origem norte-americana e européia, estes governos têm de emitir o Certificado de Usuário Final [End User Certificate], uma espécie de autorização para que o negócio prospere.

O assunto suscita uma série de preocupações, pois a Embraer pretende consolidar o Super Tucano como a aeronave mais adequada para treinamento militar e operações de ataque leve, obtendo inclusive, ganhos em escala e aumentando a competitividade dos produtos da empresa no mercado externo.

O presidente venezuelano Hugo Chávez informou na segunda-feira que o negócio não seria fechado por interferência norte-americana, embora tenha garantido que seu objetivo não é atacar países vizinhos ou provocar uma corrida armamentista na região.

Para a Embraer, não há condições de substituição das peças e equipamentos que estão sujeitos à aprovação dos Estados Unidos e Europa. A inviabilidade é tanto técnica quanto comercial, garante a empresa.

O motor do Super Tucano é norte-americano e não há outro com as mesmas características para substituí-lo. Além disso, mesmo que houvesse, o avião teria de ser reprojetado, o que economicamente é impensável para um contrato de venda de apenas 20 unidades.

A Venezuela deve iniciar em breve, as negociações com a Rússia para encontrar uma aeronave que atenda aos anseios de Chávez. A Colômbia, por sua vez, foi autorizada pelos Estados Unidos para comprar o avião brasileiro.

O presidente da empresa, Maurício Botelho, deverá ser convocado a prestar esclarecimentos na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, por conta do impasse.

Deputados e senadores também querem ouvir o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, sobre as negociações que estariam sendo realizadas nos Estados Unidos, para que a Embraer seja autorizada a concretizar o negócio com o governo de Chávez.

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