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Livre Comércio

Empresário exige desfecho rápido da negociação Mercosul-UE

“O Mercosul e a União Européia são sócios naturais”. Esta é a afirmação do presidente do conselho administrativo da BASF Aktiengesellschaft, Jürgen Strube, que falou a empresários brasileiros e alemães nesta segunda-feira, em São Paulo, em evento promovido Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha.

Segundo ele, as relações comerciais entre os blocos transitam sobre uma “ponte” sólida que, contudo, já está velha e não corresponde mais às exigências da globalização. As negociações entre Mercosul e União Européia duram mais de seis anos é a grande preocupação para o ex-presidente do Fórum Empresarial Mercosul – União Européia.

Na avaliação de Jürgen Strube, “infelizmente, os políticos ainda não conseguiram chegar a um acordo sobre os “planos de construção’ desta ponte moderna”.

Dados da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha, confirmam que a Europa é o parceiro comercial mais importante do Mercosul. A região realiza um quarto de seu comércio exterior com o bloco europeu, mas sob a perspectiva européia o Mercosul perdeu importância como parceiro comercial.

Para Strube, “mesmo que as importações da União Européia tenham crescido de 24,6 bilhões de Euros em 2000 para 30,4 bilhões de Euros em 2005, as exportações européias [UE 25] para o Mercosul diminuíram no mesmo período de 24,2 bilhões de Euros para 20,6 bilhões de Euros”.

Ele destaca que, além de players como China e Índia, a falta de competitividade e impasses na negociação do bloco econômico sul-americano enfraquecem a relação bilateral e prolongam esta indefinição.

Jürgen Strube explica que os impulsos positivos de um acordo de livre comércio para os investimentos estrangeiros diretos recebem pouca atenção.

“Minhas experiências com projetos de investimento na área química mostram que investimentos estrangeiros diretos são, de longe, um “motor para o crescimento” bem mais forte do que o comércio de mercadorias”, afirmou.

Esta posição é reforçada pela Câmara Brasil-Alemanha. De acordo com o seu presidente, Rolf-Dieter Acker, as empresas estrangeiras já contribuem com mais de 40% para as exportações brasileiras.

“A grande necessidade de investimento do Mercosul na área de infra-estrutura e energia só poderá ser realizada através de mais investimentos estrangeiros diretos e projetos de parceria público-privada”, avalia Acker.

“Hoje, a grande maioria das 1.200 empresas alemães com atividades no Brasil é de médio porte. Justamente estas empresas necessitam de condições confiáveis e segurança de planejamento de longo prazo para seus investimentos e negócios comerciais, por meio de um acordo comercial bilateral”, explicou o presidente da entidade.

“As empresas européias vêem no excesso de regulação um dos empecilhos mais graves para a competitividade empresarial. Burocracia e ‘red tape’ impedem o desenvolvimento das empresas e reduzem sua capacidade de inovação”, explicou Jürgen Strube.

Na sua avaliação, Europa e Mercosul devem trocar experiências sobre desregularização e sobre como chegar a uma melhor regulação. O ex-presidente da Associação Européia da Indústria e dos Empregadores sugeriu que todo novo projeto de lei deveria primeiramente passar por uma avaliação de impacto empresarial.

Zona de livre comércio UE-Mercosul

Uma zona de livre comércio entre Mercosul e União Européia, segundo a Câmara de Comércio, seria a maior no mundo, com mais de 700 milhões de consumidores e com um PIB de onze trilhões de Euros, o que traria tanto à União Européia quanto ao Mercosul, vantagens competitivas importantes diante de regiões como a Ásia. Para os empresários, os dois blocos juntos, são mais competitivas.

“Há anos perdemos não somente crescimento adicional no comércio bilateral, mas perdemos também chances na globalização, uma vez que nossas empresas não puderam se utilizar desta vantagem comparativa”, acenta Strube.

Em uma grande zona de livre comércio as empresas poderiam tirar melhor proveito da divisão internacional de trabalho. Foi que empresas européias fizeram e puderam aumentar sua competitividade deslocando parte das suas produções para o Leste Europeu, onde os custos são mais baixos.

Ponto de divergência: agricultura

O problema está no comércio agrícola, que tem participação de 53% nas exportações do Mercosul para a União Européia, mas representam somente 9% do comércio de produtos no mundo.

Para o especialista, o Mercosul deveria se libertar de sua dependência unilateral do setor agrário e aproveitar a chance de exportar mais produtos industrializados e serviços para a União Européia, através de uma zona de livre comércio.

“Os negociadores estão mal orientados se continuarem esperando da OMC, as soluções para suas questões em aberto. Com mais disposição a concessões e maior flexibilidade de ambos os lados, pode-se atingir bilateralmente resultados significativamente melhores do que no âmbito da OMC. As negociações devem se concentrar no que é alcançável em conjunto neste momento”, afirma Rolf-Dieter Acker.

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