Biocombustível
01/04/2006
Ciência & Tecnologia
04/04/2006

OMC

Empresários brasileiros cobram concessões na área agrícola

O setor empresarial brasileiro sua posição nas negociações de acesso a mercados na Organização Mundial do Comércio [OMC], durante reunião com o diretor-geral da entidade, Pascal Lamy, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo [FIESP].

”As negociações de acesso a mercados para bens industriais devem avançar em paralelo aos progressos nas áreas em que estão concentrados interesses demandantes pelo Brasil, especialmente em agricultura”, afirmou a gerente-executiva da Unidade de Negociações Internacionais da Confederação Nacional da Indústria [CNI], Soraya Rosar.

Ela explicou que os empresários brasileiros, consideram as negociações
agrícolas o elemento crítico para o sucesso das negociações. O acesso
de produtos como suco de laranja, soja, frango e derivados aos mercados de países desenvolvidos é prejudicado pela adoção de altas tarifas, enquanto outros produtos, como carnes bovina e suína, sofrem com a imposição de cotas.

Empresários brasileiros ouviram de Lamy que Estados Unidos, União Européia e Brasil devem avançar em suas propostas de acesso a mercados, o que significa que o Brasil deve aceitar uma redução maior das tarifas industriais, enquanto os Estados Unidos precisam cortar mais subsídios internos e a União Européia tem de apresentar uma melhor oferta de redução tarifária.

Segundo a CNI, os empresários brasileiros aceitam a adoção da fórmula suíça com coeficiente 30 para a redução de tarifas de produtos industriais. Essa fórmula prevê cortes maiores em tarifas mais altas e reduções menores em tarifas mais baixas. Com isso, as atuais tarifas cairiam pela metade.

A tarifa média consolidada, aquela registrada na OMC, cairia de 31% para 14,68% em média, enquanto a tarifa máxima sairia de 35%
para 16,15%.

De um total de 8.800 produtos industriais listados, 2.474
ficariam abaixo da tarifa média aplicada, de 10,77%, o que é considerado
pouco pelos europeus.

O setor empresarial brasileiro defende também a adoção de um
tratamento diferenciado para determinados produtos que não têm o mesmo padrão de competitividade internacional, como dos setores químico, eletroeletrônico e de bens de capital.

Pascal Lamy participou de uma reunião, no Rio de Janeiro, com o
comissário de Comércio da União Européia, Peter Mandelson, o representante de comércio dos Estados Unidos, Rob Portman, e o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

O prazo para a definição das modalidades das negociações da Rodada Doha da OMC termina no fim de abril.

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