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Empresários brasileiros cobram metas de preservação para a Amazônia

Empresários brasileiros cobram metas de preservação para a Amazônia

13 de julho de 2020 - 08:00
por: Marcelo Rech
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Brasília – Depois de reunir-se com investidores estrangeiros, o vice-presidente Hamilton Mourão conversou com representantes empresariais brasileiros na sexta-feira, 10, no Palácio do Planalto, para debater medidas de combate ao desmatamento na Amazônia. O segundo dia consecutivo em que Mourão, que preside o Conselho da Amazônia, discutiu o tema, foi marcado por cobranças quanto às metas de preservação para a Amazônia.

Segundo Mourão, "todos eles colocam a questão de que a gente tem que ter uma meta, reduzir o desmatamento ao mínimo aceitável, e as pessoas entenderem que não podem desmatar", afirmou.

O vice-presidente encontrou-se com Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), que reúne 60 dos maiores grupos empresariais do país, com faturamento equivalente a cerca de 45% do Produto Interno Bruto (PIB) e responsáveis por mais de 1 milhão de empregos diretos. Também participaram da reunião Marcello Brito, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) e Paulo Hartung, presidente da Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ). O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, participou por meio de videoconferência.

De acordo com o governo, os dois encontros de Mourão com investidores foram motivados por uma carta que o governo federal recebeu, em junho, de empresas brasileiras e estrangeiras em que elas manifestam preocupações relacionadas ao desmatamento e pedem a defesa de uma agenda do desenvolvimento sustentável. O vice-presidente assegurou que o Conselho da Amazônia está desenvolvendo um plano de trabalho que possa apontar metas precisas de redução do desflorestamento na região.

"Eu prefiro que a gente consiga terminar o nosso planejamento e eu dizer que daqui até 2022, a cada semestre, eu vou reduzindo em X por cento, até chegarmos num ponto aceitável. Algo factível, e não ficar fazendo promessa que eu não vou cumprir”, explicou Mourão.

Ele também falou sobre a participação das Forças Armadas nas operações de repressão a crimes ambientais. Um novo decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), assinado pelo presidente Jair Bolsonaro, foi publicado no Diário Oficial da União, prorrogando a presença dos militares na Amazônia Legal até 6 de novembro. 

"Eu não vejo, no curto prazo, como operar sem o apoio das Forças Armadas. Para trabalhar sem as Forças Armadas eu preciso reconstruir a força de trabalho das agências ambientais", esclareceu o vice-presidente, ao explicar que órgãos como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) operam com cerca de 50% de seu efetivos de servidores e apenas uma fração deles atua diretamente em campo, o que dificulta uma ação mais abrangente. 

"Temos menos de 50% do efetivo, sendo que dos 50% existentes, você pode botar que dois terços estão no escritório e um terço que está na rua, e esse um terço que está na rua não está só na Amazônia", destacou.