Brasília, 20 de novembro de 2019 - 09h19
Empresários discutem Geopolítica, Inteligência Global e Projetos Estratégicos

Empresários discutem Geopolítica, Inteligência Global e Projetos Estratégicos

17 de outubro de 2019 - 11:00:45
por: Marcelo Rech
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Brasília - “O cenário brasileiro perante os novos rumos da Geopolítica e da Inteligência Global” foi o tema da terceira palestra do 1º Ciclo de Estudos Estratégicos de Defesa realizada na sede da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, no dia 7. Ministrada por Guilherme Sandoval Góes, chefe da Divisão de Assuntos Geopolíticos da Escola Superior de Guerra, a apresentação tratou da trajetória geopolítica no mundo ao longo das décadas.

Segundo Góes, a humanidade passou por três paradigmas de ordem geopolítica: Ordem Mundial Eurocêntrica, com equilíbrio de poder entre as nações europeias, Ordem Mundial Bipolar, após a segunda Guerra Mundial com o mundo dividido em dois grandes blocos de pensamentos ideológicos (comunismo x capitalismo) e a Ordem Mundial Pós-moderna, com a hegemonia militar dos EUA. “Quando acaba a Segunda Guerra Mundial, os EUA são a maior potência, moldando o restante do globo com as suas decisões”, ressalta.

Ele ressaltou que, com o fim da Guerra Fria, as empresas passam a produzir para fornecer para todo o mundo e não apenas para os países capitalistas. “Ou você é um produtor, que faz parte da cadeia transnacional, ou um mercado consumidor no jogo da geopolítica mundial”, afirmou, apontando que esse é um dos gargalos do Brasil. “As maiores empresas fornecedoras do mundo não estão em nosso país, salvo algumas poucas, como a Vale”, lembrou.  

Segundo o palestrante da Escola Superior de Guerra, estamos em um período em que a ordem geopolítica está extremamente instável e que o cenário aponta em direção à multipolaridade de escopo global. Ele afirmou para os empresários que o maior desafio do setor industrial brasileiro é fazer parte do núcleo proativo, que produz para o mercado consumidor. “Para isso, é necessário o investimento em polos de pesquisas e na inovação”, disse.

A terceira palestra do Ciclo foi realizada no dia 8/10 e teve como tema “Futuro Logístico da Força Aérea Brasileira (FAB) e a Base Industrial de Defesa do Brasil (BID)”. O assunto foi conduzido por José Augusto Crepaldi, chefe do Estado-Maior do Comando-Geral de Apoio (COMGAP).

“A missão da logística é obter e suportar as capacidades do combatente da Força Aérea, nem mais, nem menos”, disse Crepaldi, ao citar a missão da FAB.  Segundo ele, as ações do grupo são executadas por meio da adequação de pessoal, aeronaves, plataformas espaciais, veículos terrestres, armamentos e instalações para alcançar os resultados almejados. “A logística deve garantir tudo isso”, afirmou Crepaldi.

Crepaldi revelou que, neste ano, foram investidos € 12 bilhões com a compra de equipamentos, oriundos da França, para as Forças Armadas. “Sabemos a importância do setor industrial para o país e o grande filão da atualidade é o setor de serviços, como a recuperação de motores e o setor de logística. Mas, as empresas brasileiras estão preparadas para suprir a demanda?”, questionou aos empresários. “A maior parte do nosso orçamento é direcionado para a prestação de serviços e não para aquisição de novos”, ressaltou.

Ele afirmou que, na década de 1980, mais de 90% das demandas da BID eram supridas pelas empresas nacionais. Mas, na década seguinte, uma série de fatores como a queda do muro de Berlim, a derrocada da URSS e o fim da Guerra Fria, fez com que o setor brasileiro voltado para defesa do país desacelerasse.

Segundo Crepaldi, atualmente as necessidades das Forças Armadas são atendidas pela iniciativa privada e que se as empresas brasileiras quiserem adentrar neste mercado, é necessário ter algumas características, como certificações, rígido controle de custo/orçamento e capacidade de inovar. “No Brasil, temos uma área de 22 milhões de km², para proteger e acompanhar e a BID tem a capacidade de ampliar e criar novas competências tecnológicas e de negócios, fortalecendo a estrutura industrial brasileira”, concluiu.

O 1º Ciclo de Estudos Estratégicos de Defesa é uma realização da FIEMG em parceria com a Escola Superior de Guerra (ESG) do Ministério da Defesa. Seu objetivo é reunir executivos e industriais para capacitá-los em áreas de importância para a defesa nacional. Confira abaixo quando serão realizadas as próximas palestras:

17 de outubro - Indústria da Defesa como pilar do desenvolvimento nacional

4 de novembro - Geopolítica dos conflitos do século XXI e a Amazônia

5 de novembro - Geopolítica do entorno estratégico

3 de dezembro - A importância das expressões do Poder Nacional na segurança e no desenvolvimento do Brasil 4 de dezembro - As Forças Armadas.