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América do Sul

29 de maro de 2005
por: InfoRel
Bem, primeiro eu queria dizer à  imprensa que esta reunião que estamos fazendo aqui, hoje, foi uma decisão tomada pelo presidente Uribe, pelo presidente Chávez e por mim, de fazermos uma reunião na fronteira dos três paà­ses para demonstrar duas coisas: primeiro, a nossa disposição de estabelecermos entre nós parcerias, para que possamos não apenas consolidar uma polà­tica de infra-estrutura para a integração da América do Sul e dos três paà­ses e, ao mesmo tempo, para que possamos encontrar mecanismos de financiamento dessa infra-estrutura que tanto precisamos na América do Sul.

Há pouco tempo estivemos na Venezuela para fazer um acordo, assinamos 26 acordos com a Venezuela. E agora achamos que Venezuela e Brasil precisam assinar, quem sabe, outro tanto de acordos com a Colômbia, para dinamizar os investimentos necessários para consolidar a integração.

Com relação à  questão de encontrar solução para os conflitos da Colômbia: eu tenho dito, presidente Uribe, e é o pensamento de todos nós aqui, que não mediremos sacrifà­cio para combater o terrorismo, o crime organizado e o narcotráfico. Por isso, estamos propondo, até, uma reunião bilateral entre Brasil, Colômbia e Venezuela, numa reunião junto com os nossos ministros da Defesa e da Justiça, para que possamos ter ações conjuntas para enfrentar esses problemas, que são graves no nosso Continente.

Com relação à  questão da paz e os possà­veis acordos para colocar fim aos conflitos da Colômbia, o Brasil já ofereceu ao presidente Uribe, muito tempo atrás, o território nacional para que haja os encontros necessários para os acordos que tanto o povo da Colômbia necessita para viver em paz e tranqüilidade.

Da parte do Brasil, nós somos solidários à  luta que o governo colombiano está fazendo no sentido de encontrar uma solução pacà­fica para o conflito. Nós nos colocamos à  disposição do governo da Colômbia e somente com a concordância do governo da Colômbia é que nós faremos qualquer gesto para participar de qualquer negociação.

Eu sou daqueles que acham que a paz é um elemento fundamental para que a América do Sul aproveite esse momento histórico que está vivendo e consiga se desenvolver, para que a gente consiga garantir melhoria na qualidade de vida.

Eu já tenho dito que este século é o século da América do Sul. O século XIX foi da Europa, o século XX dos Estados Unidos, e o século XXI tem que ser um pouco da China e um pouco da América do Sul, para que possamos nos desenvolver e, quem sabe, um pouco da àfrica, também, porque não é possà­vel sofrer mais um século.

Eu acredito que esqueci de dizer uma coisa, na primeira pergunta, que é o fato extraordinário de o presidente Zapatero estar participando desta reunião. Para nós foi extremamente importante termos marcado a reunião, sabendo que o presidente Zapatero viria para a reunião do dia 29 – nós tà­nhamos marcado a reunião para o dia 21 e a transferimos para o dia 29 para que o Zapatero pudesse participar – já que ele é um grande amigo nosso de muito tempo e sua participação em um evento como este só engrandece a participação do Brasil, da Colômbia, da Venezuela e de toda a América do Sul.

Já estava mais ou menos acertado que o Brasil não iria renovar seu acordo com o FMI. Quem é da América do Sul e acompanha polà­tica sabe que não foi o meu governo que firmou o acordo e sabe que esses acordos foram assinados porque o Brasil “quebrou” três vezes nos últimos dez anos.

E nós conseguimos recuperar a economia brasileira. Hoje, temos uma reserva substancial, um superávit na conta-corrente, e ontem alcançamos um feito inusitado: chegar a 101 bilhões de dólares em nossa relação comercial, um superávit comercial de praticamente 36 bilhões de dólares.

Portanto, pensamos que chegou o momento no qual o Brasil não deveria renovar o acordo com o FMI e demonstrar que temos responsabilidade e competência para dirigir o destino do paà­s sem necessitar que o Fundo Monetário oriente os passos que o Brasil tem que dar para dirigir o processo. Estou feliz porque eu acho que estamos demonstrando que somos donos de nossas decisões e que podemos dirigir nossa economia do jeito que nós entendemos que deve ser.

Eu acredito que a relação da América do Sul, acho que a relação individual de cada paà­s com os Estados Unidos, todo mundo sabe a importância que tem.

O Brasil tem nos Estados Unidos um dos seus parceiros comerciais mais importantes, junto com a União Européia, junto com a China, agora. O que nós estamos fazendo é tornar essa relação mais ampla para que não fiquemos dependentes de um único bloco comercial.

É importante lembrar que, nesses dois anos, a relação comercial dentro da América do Sul, entre os paà­ses, cresceu acima de 50%. É importante lembrar que vamos ter nos dias 10 e 11 de maio um encontro histórico entre todos os presidentes da América do Sul e todos os là­deres polà­ticos do Mundo àrabe.

É importante lembrar a estreita parceria que muitos paà­ses da América do Sul estabeleceram com a àfrica do Sul, com a China e com a àndia. É importante lembrar o trabalho que estamos fazendo para firmar um acordo entre a União Européia e Mercosul.

E vamos continuar trabalhando para que os paà­ses da América do Sul possam ter uma relação comercial muito heterogênea, cada vez mais dependendo menos de um paà­s, mas tendo uma relação equilibrada entre muitos outros paà­ses, e é por isso que eu acredito na mudança da geografia comercial.

Antes, o dirigente da América do Sul – eu digo isso por experiência própria, desde o meu tempo de dirigente sindical – passava por cima da América do Sul para fazer reunião com os sindicatos americanos ou com os sindicatos europeus.

Na Venezuela, a mesma coisa; na Colômbia, a mesma coisa. Eu fui o dirigente sindical mais importante do Brasil durante um determinado tempo e me encontrei com dirigentes sindicais colombianos na Europa e nos Estados Unidos, mas nunca nos visitamos regularmente. O mesmo valeu para a Argentina, para o Uruguai.

O que está acontecendo de novidade agora? É que nós descobrimos que nós temos mais importância do que nos demos até outro dia. Cada paà­s aqui conseguiu a sua independência, entretanto a cabeça da elite dirigente continuou colonizada.

Então, toda relação era, ora com a Europa, ora com os Estados Unidos. Nós queremos manter as mesmas relações com a Europa e com os Estados Unidos, mas queremos aperfeiçoar as nossas relações. E para isso a questão da infra-estrutura é importante.

Uribe e Chávez falaram da integração que Bolà­var falava 200 anos atrás: se não tiver estradas, se não tiver hidrovias, se não tiver telecomunicações, se não tiver energia... E nós não podemos depender dos outros, esse é um problema nosso, esse é um problema dos nossos governos.

O que nós precisamos é criar soluções para convencermos os paà­ses mais ricos, com tecnologia, com empresários poderosos, a virem fazer parcerias e ajudar-nos a construir a integração que nós tanto queremos.

E nem os Estados Unidos e nenhum outro paà­s do mundo pode achar ruim que isso aconteça. Pelo contrário, nós estamos apenas cumprindo o que está na Carta das Nações Unidas, exercendo, soberanamente, a autodeterminação dos povos que representamos, em função dos seus desejos.

Portanto, o que nós queremos é apenas ocupar o nosso espaço no mundo, respeitando todos os paà­ses, mas querendo ser respeitado por todos, também.

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