Brasília, 15 de novembro de 2018 - 05h21

África - Brasil

13 de abril de 2005
por: InfoRel
Compartilhar notícia:
José Eduardo Agualusa é um dos principais expoentes da literatura africana de là­ngua portuguesa. Nascido em 13 de dezembro de 1960 em Huambo, Angola, Agualusa estudou e viveu grande parte de sua vida em Lisboa.

Morou no Rio de Janeiro e atualmente, vive em Luanda. Escritor, poeta e jornalista, é membro da União de Escritores Angolanos.

Ele também é correspondente do jornal Público de Lisboa, e da RDP-àfrica [a estação de rádio estatal portuguesa Agualusa tem ascendência angolana, portuguesa, escreveu Nação Crioula, que estabelece no romance a ligação entre Angola e o Brasil.

Em Brasà­lia para o lançamento do seu mais novo romance, José Eduardo Agualusa falou com Exclusividade ao InfoRel, sobre a polà­tica externa do Brasil para a àfrica. Acompanhe:

Qual a sua opinião em relação à  polà­tica externa do governo brasileiro para a àfrica, principalmente neste momento em que o presidente realiza um novo giro pelo continente?

Esta não é a primeira visita que o presidente Lula realiza à  àfrica. Eu creio que com o presidente Lula, iniciou-se uma nova era e o Brasil começou, finalmente a traçar uma polà­tica externa, o que é estranho para um paà­s com as dimensões do Brasil, uma grande potência. Mas, parece que isso agora começa a acontecer. E a sua polà­tica externa passa necessariamente por uma reaproximação com a àfrica. Penso que é um destino histórico o Brasil tornar-se não apenas um là­der natural dos paà­ses do Sul, mas, sobretudo dos paà­ses africanos de là­ngua portuguesa. O Brasil será sempre, necessariamente, o motor para o desenvolvimento desses paà­ses.

Mas, se critica muito essa aproximação do Brasil com paà­ses africanos, muito pobres e que têm pouco a oferecer. Que opinião o senhor tem a respeito?

Terà­amos que ver, caso-a-caso, cada paà­s. Há paà­ses na àfrica que têm um grau de desenvolvimento muito superior ao do Brasil, em muitos aspectos. Há outros paà­ses que têm polà­ticas de desenvolvimento com as quais o Brasil poderia aprender. No caso do meio ambiente, Botsuana é um dos paà­ses do mundo com as melhores gestões ambientais. Além disso, o Brasil tem muito a receber em termos de cultura. Para os brasileiros de origem africana, é muito importante esse reencontro com a àfrica, como uma forma de redescobrirem o seu orgulho e a dignidade ofendida durantes esses anos todos desde a escravatura. É importante para o Brasil e para os brasileiros reencontrarem a àfrica na vitalidade de sua cultura contemporânea. Não se trata apenas de uma questão econômica, vai muito, além disso.

O senhor é favorável à  realização de uma cúpula América do Sul – àfrica, nos moldes da proposta discutida pelo presidente Lula na Nigéria?

Eu penso que tudo isso passa por uma tentativa de se criar um bloco no Sul. Um bloco dos paà­ses do Sul de forma a afrontar o bloco dos paà­ses do Norte. Mais dia, menos dia, o Brasil terá de se confrontar com esse bloco, liderado pelos Estados Unidos. O Brasil é um paà­s em crescimento, um paà­s com riquezas imensas. É o paà­s mais rico em água, e a questão da água vai ser uma questão central nos próximos anos. E é bom que o Brasil se prepare porque vai haver confronto. Ainda que não seja um confronto violento, mas haverá confronto. E é bom que o Brasil tenha condições de aliar outros paà­ses, formando um bloco sólido. Há entre os paà­ses do Sul, grandes potências, como a àfrica do Sul, a China e a àndia.

Dá para ter alguma expectativa positiva em relação a essa polà­tica externa do Brasil no que diz respeito aos paà­ses africanos de là­ngua portuguesa?

Dá sim, sobretudo no plano cultural. Esses paà­ses têm uma ligação muito forte com o Brasil. Quando dizemos que somos paà­ses irmãos, isso não serve apenas para um discurso polà­tico, é a realidade. Temos uma história comum. Angola e Moçambique precisam do Brasil, inclusive para a formação da sua identidade. O contrário também é verdadeiro. Pouco-a-pouco se começa a assistir a uma redescoberta por parte do Brasil, da àfrica. No campo da literatura nós vemos a edição cada vez maior de livros de autores africanos de là­ngua portuguesa, no Brasil. O que eu sinto é que há um enorme interesse de parte do Brasil na àfrica.

No campo polà­tico, o Brasil pode realmente alcançar maior inserção internacional tendo os paà­ses africanos como aliados?

A médio e longo prazo vamos assistir a isso mesmo. Eu espero que sim. Mal seria se não pudesse ser assim. O Brasil tem muito a dizer. Conseguiu construir uma civilização sempre disposta ao diálogo, diferentemente daquilo que os Estados Unidos propõe que é uma civilização agressiva e de confrontos fà­sicos. Ao contrário, o Brasil tem toda uma tradição de diálogo. Eu acho que é isso que o Brasil tem a oferecer ao mundo.

Qual a situação de momento de Angola e como o Brasil pode ajudar concretamente o paà­s?

Angola está num perà­odo de transição. Depois de terminada a guerra, estamos a caminho de alguma coisa que eu espero, seja uma democracia plena. E não poderá haver desenvolvimento sem que haja democracia. Quando olhamos para a àfrica, percebemos que os paà­ses mais desenvolvidos, são aqueles que possuem democracias mais desenvolvidas, mais profundamente enraizadas. Quem quer que queira ajudar Angola, terá de apoiar o movimento democrático. O Brasil não tem feito isso. O Brasil, como Portugal, tem grande ligação com o regime. Acho que isso é um erro e é um erro grave. Eu acho que o Brasil e outros paà­ses deveriam insistir no apoio à  sociedade civil e à s forças democráticas.

Que diferenças o senhor percebe quanto à  postura de Brasil e Portugal em relação à  àfrica e, especialmente, Angola?

A informação é muito maior em Portugal do que no Brasil. Existe uma fortà­ssima comunidade angolana em Portugal, com algum poder econômico, com alguma capacidade de intervenção de fazer lobby polà­tico. Por outro lado, existem muitos portugueses que passaram por Angola e outros que vivem em Angola. A presença portuguesa em Angola é cada vez maior. Portanto, essa ligação é muito mais profunda e a atenção também é muito maior. Não tem nem comparação.

Warning: pg_exec(): Query failed: ERROR: invalid input syntax for integer: "" LINE 1: SELECT * FROM inforel.categoria_noticias WHERE id = ''; ^ in /home/inforel/www/classes/categoria_noticias.php on line 104

Warning: pg_fetch_array() expects parameter 1 to be resource, boolean given in /home/inforel/www/classes/categoria_noticias.php on line 106

Assuntos estratégicos

Especialistas apoiam adesão do Brasil à Convenção Internacional contra o Terrorismo Nuclear

Especialistas apoiam adesão do Brasil à Convenção Internacional contra o Terrorismo Nuclear

Brasília – Com cerca de 30 instalações nucleares e 3.000 fontes de...
Brasil firma acordo para facilitar exportação de alimentos para a China

Brasil firma acordo para facilitar exportação de alimentos para a China

Brasília - A Agência Brasileira de Promoção de Exportações...
Câmara de Comércio Árabe Brasileira quer trabalhar com governo do Brasil

Câmara de Comércio Árabe Brasileira quer trabalhar com governo do Brasil

Brasília – Apesar do anúncio feito pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, de...
Política Externa do novo governo desata críticas ao presidente eleito

Política Externa do novo governo desata críticas ao presidente eleito

Brasília – Os primeiros anúncios feitos pelo presidente da República...
CREDN realizará audiência sobre a importância da Inteligência de Estado para o Brasil

CREDN realizará audiência sobre a importância da Inteligência de Estado para o Brasil

Brasília – A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional...
Comunicado Conjunto dos Chanceleres da Espanha e do Brasil

Comunicado Conjunto dos Chanceleres da Espanha e do Brasil

Os chanceleres de Espanha, Josep Borrell, e do Brasil, Aloysio Nunes, mantiveram encontro de...
Declaração do G4 sobre a reforma do Conselho de Segurança da ONU

Declaração do G4 sobre a reforma do Conselho de Segurança da ONU

Em 25 de setembro de 2018, Sua Excelência a Senhora Sushma Swaraj, Ministra das...
Comunicado Conjunto do BRICS

Comunicado Conjunto do BRICS

Os Ministros das Relações Exteriores/Relações Internacionais do BRICS...