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15/07/2015
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17/07/2015

Suíça

Especialista em acordos de livre comércio critica postura brasileira

São Paulo – Empresários brasileiros receberam na quarta-feira, 1º, a vice-ministra e secretária de Estado de Economia da Suíça, Marie-Gabrielle Ineichen-Fleisch, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), onde discutiram inovação e acordos de livre comércio.

Para o especialista em Relações Econômicas e Políticas Internacionais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Renato Baumann, apesar dos recentes sinais de um esforço em se aproximar de mercados estrangeiros, o Brasil ainda amarga um “baixíssimo grau de integração produtiva com países vizinhos”.

Segundo ele, temos pouquíssimos acordos comerciais, de preferências comerciais, e certamente não iremos participar dos megaacordos que estão sendo negociados hoje. Costumo usar a imagem de que está chovendo sopa e estamos de garfo na mão. Não estamos nos beneficiando em nada de um mundo que está mudando de forma muito rápida”, alertou ao esclarecer a situação brasileira referente a inovação e competitividade.

Baumann explicou ainda que a relação entre inovação e competitividade é clara. Mas quando se trata de acordos de livre comércio e inovação, essa ligação pode ser “menos imediata”. “Em um ambiente de livre comércio não se observa necessariamente a transferência tecnológica. São decisões políticas maiores. Um livre comércio pode desestimular a inovação se as condições internas do país não estão dadas para estimular e viabilizar esse esforço”, alertou.

Na avaliação de Renato Baumann, o país precisa de uma condição básica para que os esforços de inovação alcancem resultados. Neste sentido, é preciso um Sistema Nacional de Inovação, “que é basicamente o indicador de um país desenvolvido ou subdesenvolvido. Se você tem o sistema, você é rico, se não tem, não, é tão simples quanto isso”, afirmou. O Sistema Nacional de Inovação consiste em instituições, legislação, estruturas de incentivo e financiamento.

Durante o debate, Marie Gabrielle destacou a importância da educação no processo de desenvolvimento de um país. No entanto, Baumann alertou que somente o investimento na formação da população não é suficiente para tornar um país inovador e competitivo.

“Se apenas educar, corre-se o risco de ter PhD dirigindo táxi. É preciso algo mais. É preciso pensar de uma forma abrangente, viabilizar um ambiente a favor do esforço de inovação. Se esses esforços forem em um ambiente de concorrência de produtos importados, tanto melhor”, defendeu.

Intenções da Suíça

Na Fiesp para estudar meios de chegar a um acordo de livre comércio entre Brasil e Suíça, Marie Gabrielle afirmou que o país é o mais importante na América Latina para os suíços.

“O Brasil não está apenas na lista dos nossos atletas, mas na lista dos nossos formuladores de política. Estou aqui porque quero encontrar empresários, quero falar com autoridades do governo e, claro, saber sobre o país e suas condições de negócios”, disse a ministra.

Ela listou algumas condições que acredita serem fundamentais para desenvolver a competitividade: educação, flexibilidade do mercado de trabalho, estabilidade e previsibilidade macroeconômica e um ambiente que encoraje o investimento.

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