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01/11/2016
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01/11/2016

Comércio Exterior

Especialista norte-americano considera Aliança do Pacífico melhor para o Brasil

Brasília – O professor de Harvard e especialista em temas econômicos, Robert Lawrence, afirmou em evento realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que a Aliança do Pacífico, bloco integrado por Chile, Colômbia, México e Peru, é a melhor opção para o Brasil em comparação com o MERCOSUL.

Em sua palestra no Fórum de Comércio Exterior, realizado na terça-feira, 25, Lawrence que é professor de comércio internacional e investimento da Universidade de Harvard, explicou que a a união aduaneira mantém o país amarrado, mesmo com as mudanças recentes na posição da Argentina, menos hostil ao comércio exterior. Segundo ele, “quando há vizinhos difíceis é muito complicado ter uma união”.

“Mas é importante que vocês tenham claro que é preciso fazer uma escolha. Se o Brasil optar pelas forças do mercado, os acordos comerciais fazem sentido. Se optar pela intervenção do estado e protecionismo, não tem porque falarmos em acordos de livre comércio”, afirmou.

Na opinião do professor, “o MERCOSUL não funciona para o Brasil. É uma união aduaneira que mantém as mãos do Brasil atadas. Se o país tem vizinhos difíceis, é muito dificil ter uma união aduaneira. A Argentina está mudando e eu acredito que será o melhor. Mas se eu fosse o Brasil, eu estaria buscando a Aliança do Pacífico, pelo menos para ver o que eles estão fazendo e se é possível se juntar a eles. Infelizmente a América Latina está dividida geopoliticamente em Atlântico e Pacífico. Precisamos de uma América única. O Brasil me parece global, o que é bom, mas precisa ter relações regionais mais fortes”, explicou.

Ele destacou ainda que o Brasil não precisa escolher se quer negociar com a União Europeia ou com a América Latina e lembrou que o acordo entre o Canadá e os europeus quase não saiu, por causa da Bélgica. “E as negociações de vocês estão bem atrasadas, mas o Brasil tem o potencial de aumentar suas exportações para a Europa, especialmente em agricultura. Então, o Brasil deve negociar em várias frentes, mas a política na região tem que ser a de se estar conectado”, defendeu.

Com relação aos Estados Unidos, Lawrence foi taxativo: “Não é um bom momento para se negociar com os Estados Unidos. Nós fizemos diversos acordos de livre comércio nos anos de 1990 e 2000, acabamos de fechar a Parceria Transpacífico e não estou certo de que poderemos negociar com o Brasil agora. O que vai acontecer pós-eleição é difícil de dizer. Se você observar o Donald Trump, ele faz a negociação de acordos parecer uma competição. E não é. Se impusermos barreiras aos produtos estrangeiros, vamos encarecer os nosso insumos, o que é nocivo para o comércio em geral e incluiria o comércio com o Brasil. A Hillary Clinton tem uma inclinação pela economia global, mas o partido democrata é contra o livre comércio. Não sabemos o que vai acontecer nem com a Parceria Transpacífico, que deve ser renegociada. E esse período de negociação vai passar por um momento de extrema incerteza”, concluiu.

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