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Geopolítica

Estados Unidos perdem influência na América Latina

De acordo com o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), de Londres, a América Latina está redefinindo suas alianças ao se dar conta de seu peso internacional, diminuindo significativamente a influência norte-americana na região.

Em seu balanço estratégico anual, o IISS afirma que neste ano, “vários países latino-americanos perceberam a si mesmos como potências emergentes no cenário mundial e esperam ser tratados como tais”.

Essa guinada latino-americana seria liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, que impôs uma agenda política com interesses e aspirações mundiais.

Apesar de concretamente não ter resultado em nada, a decisão brasileira de exercer influência no conflito do Oriente Médio e na defesa do programa nuclear iraniano, surpreenderam.

Esse processo deu-se ao mesmo tempo em que os países latino-americanos decidiram buscar novos parceiros extra-regionais como China, Rússia e Irã.

O estudo mostra que os Estados Unidos perderam espaço numa área considerada historicamente como de sua influência.

Preocupa, sobretudo, o fortalecimento das relações iranianas com Bolívia, Brasil e Venezuela.

Também contribuiu para o enfraquecimento norte-americano na América Latina, a crise política em Honduras e o acordo militar firmado com a Colômbia e que dará aos Estados Unidos o direito de operar em sete bases naquele país.

Apesar da Corte Constitucional da Colômbia ter decidido que o assunto deverá passar pelo Congresso, o presidente Juan Manuel Santos estuda formas de ampliar e aprofundar a cooperação.

Por fim, a decisão brasileira de propor uma entidade regional que exclui Estados Unidos, Canadá, Portugal e Espanha, também acelerou este processo.

A futura Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), contará com a presença de Cuba que esnobou sua reintegração à Organização dos Estados Americanos (OEA).

Para o IISS, os Estados Unidos terão de esforçar-se para retomar os laços diplomáticos com a América Latina a partir de países mais amigos como Colômbia e Peru.

Além disso, comércio e energia deverão orientar as novas discussões em lugar da luta contra o narcotráfico e Cuba, por exemplo.

O Brasil recebeu um alerta do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, para que evite impulsos imperialistas e rupturas com os Estados Unidos.

O IISS também destaca a influência crescente de Bolívia e México quanto às mudanças climáticas e a criação da União das Nações Sul-Americanas (UNASUL) e da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba).

Análise da Notícia

Quando Barack Obama foi eleito presidente dos Estados Unidos, a América Latina acreditava que deixaria de ser o quintal norte-americano e que as relações passariam a outro patamar.

Obama prestigiou a Cúpula das Américas em Trinidad e Tobago e até conversou com Hugo Chávez que lhe presenteou com o livro “As veias abertas da América Latina”, do uruguaio Eduardo Galeano.

E parou por aí.

A política norte-americana em relação a Cuba foi mantida assim como essa aberração que é a Base Naval de Guantánamo.

O aumento da presença militar na região foi alcançado no acordo firmado em outubro de 2009 com a Colômbia.

Os Estados Unidos adotaram postura ambígua em relação à crise política em Honduras quando queriam a queda de Manuel Zelaya.

Diante da frustração, a América Latina buscou e achou novos parceiros.

China, Rússia e Irã, aproveitaram a oportunidade e desembarcaram na região com ofertas comerciais, linhas de crédito, material militar e respaldo político.

O aumento dessa presença preocupa os Estados Unidos.

E a cada dia, diminui sua força entre os latinos.

Contribui para essa situação, a crise financeira enfrentada pelo país e os atoleiros representados pelo Afeganistão e Iraque.

Até mesmo a Colômbia do conservador Juan Manuel Santos quer diversificar as relações, buscar novos mercados e reduzir a dependência dos Estados Unidos.

Resta saber até quando os falcões permitirão um vôo solo da América Latina sem sabotarem iniciativas como a UNASUL, por exemplo.

Ou se o próprio radicalismo de esquerda de alguns não vai ser suficiente para que a região não alcance um grau de integração que a torne verdadeiramente forte política e economicamente.

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