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Tríplice Fronteira

01 de setembro de 2006 - 22:53:00
por: InfoRel
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O governo dos Estados Unidos ficou satisfeito com a criação do Centro Regional de Inteligência (CRI), que vai funcionar na região da Trà­plice Fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai. A sede do CRI será na cidade brasileira de Foz do Iguaçu (PR).

Segundo fontes do governo norte-americano, é satisfatório o estabelecimento de um centro de inteligência na América do Sul, com o propósito de combater a delinqüência e a corrupção transnacional que emana da Trà­plice Fronteira.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos revelou que o Brasil estabeleceu a sede do CRI na cidade de Foz do Iguaçu há quase um ano, mas que decidiu recentemente ampliá-lo transformando-o num centro de operações regionais, com a participação de agentes dos serviços secretos da Argentina e Paraguai.

Além disso, o Departamento de Estado garantiu que a criação do Centro Regional de Inteligência é uma iniciativa do governo brasileiro, que não recebeu pressões para fazê-lo funcionar, apesar de previsto no chamado Mecanismo 3+1 de Segurança da Trà­plice Fronteira, da qual os Estados Unidos fazem parte junto com Brasil, Argentina e Paraguai.

O Mecanismo 3+1 foi criado em 2002 com o objetivo de melhorar a capacidade dos paà­ses sul-americanos para combater a delinqüência transfronteiriça e frear a lavagem de dinheiro, além de tornar mais ostensiva a vigilância sobre possà­veis atividades de arrecadação de recursos que financiariam o terrorismo no Oriente Médio.

O governo norte-americano também assegurou que não aportou recursos para a criação do centro, mas espera com interesse, colaborar com os sócios do mecanismo em diversas questões de segurança relativas à  Trà­plice Fronteira.

O Centro Hemisférico de Estudos de Defesa, da Universidade Nacional de Defesa, informou que no dia 22 de agosto, um funcionário da embaixada brasileira em Washington, destacou que o Brasil ampliou o centro com a finalidade de compartilhar informações de inteligência com os paà­ses vizinhos.

Esse mesmo funcionário também teria garantido que um dos objetivos principais do CRI é a vigilância sob atividades suspeitas relacionadas com o terrorismo.

Para Henry Crumpton, coordenador de anti-terrorismo do Departamento de Estado, “é necesario melhorar a cooperação contra o crime organizado na Trà­plice Fronteira”. Na sua avaliação, até o momento essa cooperação é desigual, mas tem alcançado algum progresso.

Ele entende que os Estados Unidos devem oferecer uma colaboração mais intensa aos paà­ses do Cone Sul, principalmente com relação ao intercâmbio de informações de inteligência.

No informe por Paà­ses sobre Terrorismo, publicado pelo Departamento de Estado no dia 28 de abril, os governos dos três paà­ses demonstram preocupação com o contrabando de armas e drogas, falsificação de documentos e lavagem de dinheiro.

O documento diz ainda que Hezbollah e Hamas arrecadam fundos junto à s comunidades mulçumanas da região, mas não garante que grupos extremistas islâmicos realizem operações a partir da Trà­plice Fronteira.

Em 1996, Brasil, Argentina e Paraguai, estabeleceram o "Comando Tripartite da Trà­plice Fronteira", num esforço para controlar melhor o comércio e a enorme população internacional transitória que há naquela zona.

Esse comando foi ampliado em 1998 mediante acordo de segurança entre os três paà­ses segundo o qual, também intensificaram a luta contra o terrorismo, o contrabando, a lavagem de dinheiro e o narcotráfico.