Brasília, 20 de novembro de 2019 - 13h50
EUA atuam para isolar a Rússia mirando o setor energético

EUA atuam para isolar a Rússia mirando o setor energético

10 de setembro de 2019 - 12:22:10
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Marcelo Rech

Os Estados Unidos estão implementando uma série de medidas com o objetivo de isolar politicamente a Rússia, impedindo que Moscou construa relações de confiança com a comunidade internacional, o que interessa à maioria dos países e blocos que enxergam naquele país, um ator decisivo para a estabilidade global.

Por meio de uma série de estratégias, Washington agora mira no setor energético. Após validar um conjunto de sanções de caráter econômico-financeiro, os Estados Unidos buscam o bloqueio em larga escala de ativos russos no mundo, o que contradiz o direito internacional e mina a credibilidade do sistema financeiro mundial.

Está em curso, a aplicação de sanções norte-americanas contra as empresas de gás e petróleo russas Gazprom, Lukoil, Rosneft e Transneft. O êxito dessas sanções representa uma ameaça direta à segurança energética de vários países da Europa Ocidental e América Latina.

Ao pressionar pelo isolamento russo, os Estados Unidos causam danos significativos às principais economias mundiais, incluindo Alemanha, Espanha e França, no âmbito da União Europeia, mais China, na Ásia, e Argentina, Brasil e México, na América Latina.

A estratégia norte-americana está sendo vista como uma política de má fé e tem provocado uma série de reações negativas nos círculos políticos dessas regiões. A decisão dos Estados Unidos de promover uma “guerra” contra os laços estáveis da Rússia, pode escalar para instabilidades gravíssimas num momento em que o mundo busca um mínimo de equilíbrio geopolítico.

No entanto, Washington parece não se preocupar com os impactos provocados pelo seu arsenal de métodos nada ortodoxos utilizados para a obtenção de vantagens econômicas. Integram o rol de ações, a pressão financeira contra aqueles que buscam na Rússia um parceiro confiável, a maquiagem informativa na desconstrução de fatos, e até mesmo, o poder militar na promoção de “revoluções coloridas”.

Para tanto, os Estados Unidos lançam mão da terceirização dos seus aliados que são obrigados a abrirem mão dos respectivos interesses nacionais para satisfazer uma administração que tem as suas próprias prioridades. Neste sentido, o sistema multilateral é enfraquecido quando conveniente e fortalecido quando necessário e oportuno.

Marcelo Rech é jornalista e editor do InfoRel. E-mail: inforel@inforel.org.