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23/10/2009

EUA discutem influência do Irã na América Latina

EUA discutem influência do Irã na América Latina

Marcelo Rech, de Washington

Na próxima semana, o Congresso dos Estados Unidos realiza uma audiência pública para debater a influência do Irã na América Latina.

Uma das principais preocupações do governo e de políticos norte-americanos é com a aproximação entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Mahmoud Ahmdinejad, que no dia 23 de novembro, se encontram em Brasília.

Os congressistas norte-americanos não gostaram nenhum um pouco de saber que Lula deverá reiterar o apoio do Brasil ao Irã e condenar as sanções internacionais contra o regime de Teerã.

Para o presidente brasileiro, o encontro com Ahmadinejad que deveria ter ocorrido em junho, mas foi adiado por conta das eleições iranianas, é parte de uma relação Estado-Estado.

O Brasil garante que apesar de não entrar na polêmica entre palestinos e judeus, um dos temas preferidos do presidente iraniano, a agenda vai contemplar questões espinhosas como o programa nuclear que Ahmadinejad garante ser pacífico, mas que os Estados Unidos insistem em dizer que tem fins atômicos.

De acordo com o Itamaraty, Lula deve adotar um tomo conciliador onde vai defender o direiro iraniano de desenvolver energia nuclear, mas observando que isso implica em respeito às normas internacionais.

No Congresso dos Estados Unidos, a ampliação das relações do Irã com países latino-americanos provoca inquietação. Para alguns parlamentares, a região pode estar recebendo mais que negócios e comércio.

Suspeita-se que terroristas financiados por Teerã busquem abrigo em países como Vanezuela e Nicarágua.

O governo norte-americano pisa em ovos ao tratar da questão, pois avalia que Lula poderia manter um diálogo positivo com Ahmadinejad.

Já a comunidade judia nos Estados Unidos não quer saber de conversa. Lula não deveria recebê-lo e pronto.

Análise da Notícia

Quando a diplomacia brasileira iniciou as tratativas para que o presidente do Irã visitasse o país, a notícia caiu como uma bomba (sugestivo né?) nos Estados Unidos e Israel.

Diplomatas estrangeiros em Brasília correram ao Itamaraty para “cobrar” explicações como se o Brasil fosse um adolescente que acabara de trocar os pés pelas mãos.

Até uma audiência pública no Senado foi realizada para se conhecer o que pretendia o Brasil nessa relação com o demonizado Irã.

Embora ainda não estejam claras as intenções do Brasil, faz todo sentido que o diálogo ainda é muito melhor que o isolamento.

Se o presidente Lula for hábil como se espera de um líder, saberá dar o recado ao seu colega. Não precisa de conselhos nem tutela.

A tradição brasileira prima pela tolerância, não por extremismos.

Os Estados Unidos dão mostras de que ainda não se deram conta de erros passados.

Em vez de tentar compreender, buscam impor.

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