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Cúpula das Américas
11/04/2015
Geopolítica
14/04/2015

Histórico

EUA e Cuba trocam afagos após congelamento de 53 anos nas relações

Marcelo Rech, especial da Cidade do Panamá

O tão aguardado encontro histórico entre os presidentes Barack Obama, dos Estados Unidos, e Raúl Castro, de Cuba, realizou-se após o encerramento da primeira sessão de trabalhos da VII Cúpula das Américas que termina na tarde deste sábado, 11. Os dois conversaram reservadamente após os discursos em que destacaram a importância da reaproximação, não apenas para os dois países, mas para todo o hemisfério.

Os dois reconheceram a complexidade da relação, mas deixaram clara a disposição em avançar neste diálogo que teve início em dezembro do ano passado. Apesar de não terem tratado com profundidade de nenhum tema, Obama e Castro sabem que as negociações serão fortalecidas após a vontade política expressada.

Raúl Castro sabe que Barack Obama enfrenta uma forte oposição em Washington e saudou sua coragem em retomar o diálogo apesar das dificuldades políticas. Para o líder norte-americano, após 53 anos de congelamento das relações, era preciso tentar algo novo.

A reunião entre os dois marca o momento mais importante da Cúpula que terminará sem a aprovação de uma Declaração Final. Esta será a terceira vez que o evento hemisférico é encerrado sem que um documento seja aprovado pelos Chefes de Estado e de Governo.

De acordo com Barack Obama, “creio que enquanto tenhamos mais intercâmbios comerciais e interações entre Estados Unidos e Cuba, as profundas relações entre os nossos povos se refletirão de uma maneira mais construtiva. Obviamente, há profundas diferenças entre ambos governos. Falaremos sobre nossas preocupações sobre democracia e direitos humanos e eles também falarão de suas preocupações com respeito às políticas norte-americanas”, disse.

Segundo ele, “concluímos que podemos concretizar em um espírito de respeito e civilidade e ao longo do tempo, juntos poderemos passar a página e iniciar uma nova relação. Nossas ações imediatas são retomar os vínculos diplomáticos e em última instância que possamos abrir uma embaixada em Havana e eles em Washington”.

“É o que pensamos também. Creio que podemos discutir e fazer de tudo, como disse o presidente Obama, com respeito mútuo em relação as ideias do outro. Pode ser que isso nos convença de algumas coisas e que de outras, não”, explicou Raúl Castro.

O líder cubano explicou ainda que “não há que se alimentar ilusões, temos muitas diferenças. A história dos nossos países é complicada, mas estamos dispostos a avançar na amizade de nossos povos, nas reuniões que estamos levando a cabo, abrir nossas embaixadas, visitar-nos mutuamente”, concluiu.

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