Brasília, 10 de dezembro de 2018 - 08h01

Diplomacia

18 de junho de 2014
por: InfoRel
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Brasília - O vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, esteve ontem com a presidente Dilma Rousseff e o vice Michel Temer, com o objetivo de retomar o diálogo de alto nível entre os dois países após um ano de idas e vindas e a ferida exposta com as denúncias de espionagem de Edward Snowden. Biden foi claro ao afirmar que o Brasil é um parceiro estratégico, mas não haverá pedido de desculpas à presidente como fez Barack Obama com Angela Merkel.



Joe Biden veio ao Brasil para respirar o clima de animosidade que ainda impera entre os dois países, tanto que sua agenda foi completamente esvaziada de temas sensíveis. O vice-presidente encorajou o Brasil a liderar o processo de mudanças na governança global da internet, falou das preocupações de Washington com a crise venezuelana e assistiu à partida de estreia dos Estados Unidos na Copa, contra Gana em Natal (RN).



De Brasília, voou para Bogotá onde tem reunião privada com o presidente reeleito Juan Manuel Santos. O processo de paz colombiano ainda está muito acima do Brasil em termos de prioridades regionais.



Para os Estados Unidos, o mais importante é que os programas de espionagem estão sendo revisados a mando de Obama e que a Agência Nacional de Segurança (NSA), não deverá mais espionar cidadãos estrangeiros fora do território norte-americano. Ninguém no Planalto acreditou.



Mesmo com todas as pressões da Câmara Americana de Comércio e do US Brazil Council, a Casa Branca achou por bem esvaziar a agenda de Biden e aproveitar a reaproximação com Dilma para  tratar de coisas mais amenas. Os empresários querem um Tratado de Livre Comércio e um Tratado de Salvaguardas Tecnológicas, o que não obterão tão cedo.



No entanto, a surpresa ficou por conta do oferecimento dos Estados Unidos de entregar os arquivos classificados da época do regime militar brasileiro à Comissão da Verdade criada há três anos.



O gesto repete a decisão da presidente chilena Michele Bachelet que propôs o mesmo no início da semana em relação aos arquivos sobre brasileiros perseguidos no Chile dentro da Operação Condor.



Análise da Notícia



Marcelo Rech



Os Estados Unidos estão preocupados com o fortalecimento das relações do Brasil com a China. No dia 15 de julho, o presidente chinês participa da VI Cúpula dos BRICS em Fortaleza (CE) e depois, visita Dilma em Brasília. Ela espera pelo anúncio de pesados investimentos em infraestrutura e energia, além de mais cooperação trilateral, especialmente na África onde hoje, Brasil e China concorrem.



Além disso, a China quer acordos na área de Defesa. O país tem investido pesado neste setor na região. Bolívia, Equador, Nicarágua e Venezuela têm recebido equipamentos e linhas de crédito para a aquisição de material bélico....chinês.



Agora, se sabe que os chineses querem participar de projetos como o SISFRON e o SisGAAz, respectivamente sob responsabilidades do Exército e da Marinha. Há intenção ainda de produzir e comercializar com o Brasil, material bélico que poderia incluir mísseis.



Do ponto de vista comercial, a China já é o principal parceiro do Brasil há alguns anos, no entanto, o fato de Dilma considerar a visita do presidente chinês como “A” visita bilateral de 2014, torna tudo ainda mais preocupante para Washington.



Joe Biden preferiu uma agenda suave no Brasil. Na prática, os Estados Unidos estão buscando uma reaproximação após o estrago provocado pelas denúncias de Snowden, mas sabem que de concreto mesmo somente após as eleições. Pode ser com Dilma, mas não seria nada mal ter de lidar com Aécio Neves e seu futuro chanceler Rubens Barbosa.


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