Brasília, 29 de setembro de 2020 - 05h22
Europa cobra medidas do Brasil contra queimadas em carta para Mourão

Europa cobra medidas do Brasil contra queimadas em carta para Mourão

16 de setembro de 2020 - 15:20:26
por: Marcelo Rech
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Brasília – O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, recebeu uma cobrança contundente dos países europeus contra as queimadas no Pantanal e na Amazônia. Uma espécie de ultimato chegou ao vice na forma de uma carta aberta que protesta contra a política ambiental brasileira.

A carta foi enviada pelos países que participam da declaração de Amsterdã, uma parceria formada para promover a sustentabilidade e as cadeias de produção de commodities que não cause a destruição de florestas. Participam Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Dinamarca, Noruega, Países Baixos e Bélgica.

De acordo com o documento, os países afirmam que nos últimos anos o desmatamento aumentou no Brasil em ritmo alarmante e que estão “profundamente preocupados” com os efeitos dessa destruição para o desenvolvimento sustentável do país.  No dia 8 de agosto, Mourão afirmou que os países europeus não cuidam das próprias florestas.

Na avaliação do vice-presidente, a exploração da Amazônia deve seguir os parâmetros atuais da sociedade, focando na Bioeconomia. Mourão disse ainda que os organismos internacionais não se importam com reais problemas da região amazônica. Antes dele, o ministro da Economia, Paulo Guedes, pediu aos estrangeiros que sejam gentis com o Brasil porque eles destruíram as próprias florestas.

Na carta enviada ao governo federal, os países europeus afirmam que “durante muito tempo o Brasil liderou a redução do desmatamento na Amazônia através do estabelecimento de instituições científicas independentes que garantem monitoramento rigoroso e transparente, de agências de controle competentes e do reconhecimento de territórios indígenas. Nos últimos anos, no entanto, o desmatamento tem crescido em ritmo alarmante, como foi documentado pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais)”.

Mesmo rebatendo as acusações e a postura europeia, Mourão decidiu tratar do assunto com os ministros do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina. Na terça-feira, 15, Mourão afirmou que “há alguém” no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais que faz oposição ao governo e divulga dados sobre queimadas e desmatamento apenas quando o dado é ruim. “Quando o dado é negativo, o cara vai lá e divulga”, afirmou o vice-presidente.

As queimadas no Pantanal estão sendo investigadas pela Polícia Federal, pois há indícios de que sejam criminosas.