Brasília, 12 de dezembro de 2018 - 15h53

Migração

13 de outubro de 2015
por: InfoRel
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Marcelo Rech, especial do Rio de Janeiro



Especialistas brasileiros e estrangeiros reunidos na XII Conferência de Segurança Internacional do Forte de Copacabana, que acontece nesta quinta-feira, 8, na capital fluminense, são unânimes em afirmar que a Europa não está preparada para lidar com a crise migratória. Entendem ainda que o Brasil tem muito a ensinar por acolher refugiados sírios por meio de uma política de caráter humanitário.



Para o presidente da Fundação Alexandre de Gusmão (Funag), do ministério das Relações Exteriores, embaixador Sérgio Moreira Lima, “o Brasil é um país de imigrantes e está fazendo sua parte ao facilitar a entrada de refugiados. Também é pioneiro ao lançar o conceito da Responsabilidade ao Proteger, que guarda relação com aqueles que são vítimas dos conflitos armados como é o caso da maioria desses refugiados”, afirmou.



De acordo com o general Walter Feichtinger, da Academia de Defesa Austríaca, cerca de um milhão de refigiados sírios devem instalar-se na Alemanha até o final do ano e todos os países da região terão problemas com esse fluxo e com a infiltração do Estado Islâmico na Europa e em países como Jordânia, Turquia e Líbano.



Segundo ele, “temos uma Europa que não está preparada para esse fluxo. Temos uma tendência de caos e anarquia com a instabalidade em vários países europeus e do Oriente Médio”, afirmou.



Feichtinger e outros especialistas europeus abordaram a questão durante a XII Conferência de Segurança Internacional do Forte de Copacabana, realizada no Rio de Janeiro, pela Fundação Konrad Adenauer, o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI), e a União Europeia, com o apoio dos institutos InfoRel de Relações Internacionais e Defesa e Pandiá Calógeras (IPC), do ministério da Defesa.



Já o professor Kai Michael Kenkel, da Pontíficia Universidade Católica, do Rio de Janeiro, entende que o Brasil pode ir além das resoluções apovadas pelo Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), “oferecendo aos refugiados, condições para que se estabeleçam no país”.



Kenkel avalia que as críticas dirigidas à Europa e à forma como o continente está lidando com a crise, influenciou nas decisões adotadas pelo governo brasileiro de acolher mais refugiados sírios.



Ele acredita ainda que a possibilidade de organizações extremistas infiltrarem radicais no Brasil é mínima, uma vez que o foco principal é a Europa. Neste sentido, a crise migratória poderá resultar em problemas de segurança regional.



Para Robert Helbig, especialista em Segurança Internacional da The Fletcher School, dos Estados Unidos, “a Europa não está preparada para lidar com essa crise e nem atender às demandas dos refugiados. Não há como encontrar trabalho ou educação para essas pessoas e isso pode gerar problemas de segurança, embora não seja um tema pertinente para a OTAN”, explicou.



Em relação à infiltração de extremistas entre os refugiados que chegam à Europa, Helbig afirmou que “nem mesmo o incremento do terrorismo poderia envolver a OTAN na solução para essa crise”.


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