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Evo Morales renuncia e esquerda retoma discurso vitimista

Evo Morales renuncia e esquerda retoma discurso vitimista

11 de novembro de 2019 - 11:06:43
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Marcelo Rech

Neste domingo, 10, o então presidente da Bolívia, Evo Morales, renunciou após ter anunciado que novas eleições seriam realizadas e que o Tribunal Supremo Eleitoral (TSE), seria dissolvido e integrado por novos membros. Rapidamente, anunciou sua renúncia. A esquerda latino-americana, retomando o discurso vitimista, denuncia um golpe de Estado perpetrado pelas Forças Armadas e a Polícia.

No Chile, governado pela direita, as Forças Armadas anunciaram que não iriam disparar contra a população a qual devem servir. A decisão foi exaltada por todos, principalmente pelos movimentos esquerdistas da região. Na Bolívia, os militares se negaram a cumprir ordens para prender oposicionistas e controlar os distúrbios disparando contra as pessoas. Neste caso, são golpistas.

Não surpreende a seletividade na interpretação dos fatos. Quando caem governos de esquerda, é por conta de golpes, sejam de Estado, militares, cívicos ou parlamentares. Quando é a direita que cai, foi a revolução popular, o direito das pessoas a produzir mudanças.

Evo Morales nunca foi um democrata. Quem o conhece desde os seus inícios no movimento cocaleiro, sabe disso. Mas, ele foi beneficiado por uma guinada à esquerda que começou com Hugo Chávez na Venezuela, passou pelo Brasil de Lula e chegou na Argentina do casal Kirchner. Somados o Uruguai, o Paraguai, o Equador, o Chile e o Peru, a esquerda dominou a região.

Quando ascenderam, a América Latina já era a região mais desigual do planeta. Em vez de produzirem a transformação social, a esquerda preferiu apropriar-se do poder. Repetindo o mantra de que todos lá chegaram graças a eleições, mudaram constituições, perseguiram opositores, compraram meios de comunicação (os que não aceitaram, foram fechados), saquearem suas economias, financiaram o caos, armaram milícias, enriqueceram.

Qual a realidade social da América Latina? O que a esquerda, no poder, transformou? Quem foram os que realmente se beneficiaram? A esquerda o poder institucionalizou a corrupção com um esquema de partilha combinada. As sobras foram destinadas à programas voltados aos miseráveis. No Brasil, tem gente que recebe Bolsa Família desde 2003. A cada eleição, o terrorismo volta na forma da ameaça e da coação.

No Brasil, em 2018, a direita chegou ao poder e muitos dos que votaram nela, já repensam o que fazer em 2022. A esquerda, no entanto, nunca reconheceu seus pecados, seus erros e os seus deslumbres. Agora, busca ressurgir na figura de um condenado. Um condenado que, tal qual o crime organizado, ordenava ações de dentro da cadeia.

Na Bolívia, Evo Morales aparelhou o Estado e o conformou para servir aos seus anseios de poder. Ignorou a vontade popular que, em referendo, negou-lhe um quarto mandato. Ele seguiu adiante com o beneplácito da sua Corte Suprema. Nas eleições do dia 20, suspendeu a contagem dos votos com 90% das apurações concluídas para voltar, três dias depois, anunciando-se vencedor em primeiro turno. De acordo com auditoria da OEA, algo impossível de ocorrer com qualquer candidato. Mas, os golpistas são aqueles que deram um basta na tirania.

Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e especialista em Relações Internacionais. E-mail: inforel@inforel.org