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Execução de Saddam não ajudará a pacificar Iraque

Execução de Saddam não ajudará a pacificar Iraque

O Ministério das Relações Exteriores divulgou nota em que reconhece as atrocidades praticadas pelo ex-presidente iraquiano, Saddam Hussein, executado na manhã deste sábado em Bagdá (6h da manhã, hora local, 1h da manhã, hora de Brasília), mas reconhece que a medida não contribuirá para a pacificação do Iraque, ocupado militarmente pelos Estados Unidos desde 2003.

“Por princípio, o Brasil é contrário à pena de morte, vedada pela Constituição Federal. Em várias ocasiões, o Governo brasileiro teve a oportunidade de demonstrar essa posição em votações nos órgãos de direitos humanos das Nações Unidas. Ademais, não crê que a execução da sentença venha a contribuir para a pacificação do Iraque”, diz a nota do Itamaraty.

No último dia 26, a Corte Suprema de Apelação do Iraque, confirmou a execução de Saddam, enforcado nas primeiras horas deste sábado. Ele ainda iria responder por vários outros crimes cometidos contra curdos no Iraque, mas a sentença deveria ser aplicada até 26 de janeiro.

Para o Itamaraty, “a intransigência e os erros de parte a parte dificultaram a busca de iniciativas capazes de conter o governo de Saddam Hussein por meios pacíficos. Independentemente da natureza ditatorial do regime iraquiano, cabe notar que a razão então alegada para a invasão do Iraque – a existência de armas de destruição em massa – nunca foi comprovada”.

O governo brasileiro lembra ainda que a deposição do ditador, em 2003, ocorreu à margem das Nações Unidas, sem a aprovação do Conselho de Segurança.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou com vários líderes internacionais, e enviou mensagens ao Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan e ao Papa João Paulo II, em favor de alternativas que pudessem evitar o conflito armado ou o seu prolongamento.

Neste sábado, o presidente Lula disse em Brasília, que a morte de Saddam Hussein não resolve os problemas do Iraque. “Eu não sei se o julgamento do Saddam Hussein foi um julgamento ou foi uma vingança. De qualquer forma, eu acho que isso não resolve o problema do Iraque, eu acho que a violência vai continuar. A minha idéia é que o Iraque só vai ter a solução dos seus problemas quando os próprios iraquianos tomarem as decisões, certas ou erradas, e tomarem o destino nas suas próprias mãos”, avaliou.

Embora não tenha citado o governo dos Estados Unidos, Lula deixou claro que o Iraque só vai dar certo depois que os estrangeiros deixarem de opinar sobre a política interna do país.

“Eu penso que os que estão hoje ocupando o Iraque têm que ter consciência de que o Iraque só vai encontrar paz quando permitirem que as divergências internas sejam resolvidas por eles mesmos. Enquanto tiver gente achando que, de fora, pode dar solução, não vai ter solução. Na minha opinião, a morte de Saddam Hussein não resolve o problema do Iraque”, concluiu.

Saddam Hussein governou o Iraque por 24 anos, de 1979 até 2003. A execução na forca decorreu do assassinato de 148 pessoas na cidade de Dujail, em 1982, mas não foi a primeira vez que Saddam foi condenado à morte.

Em 1959, ele participou da tentativa de assassinato do primeiro-ministro Abd-al-Karim Qasim, plano que fracassou. Saddam foi condenado à morte, mas fugiu para o exílio no Egito, onde permaneceu por quatro anos.

“Neste momento particularmente difícil por que passa o Iraque, qualquer solução para a conjuntura de conflito e violência deve emanar do diálogo e do entendimento entre as forças políticas do país, bem como buscar a preservação da soberania e da integridade territorial iraquianas”, encerra a nota do Itamaraty.

No dia 19 de dezembro, o Embaixador do Brasil no Iraque, com residência temporária em Amã, Bernardo de Azevedo Brito, apresentou suas credenciais ao presidente Jalal Talabani.

Na oportunidade, Talabani destacou a importância das relações bilaterais e expressou satisfação com o processo de reativação gradual da Embaixada do Brasil em Bagdá, iniciado em 2004, com a instalação do Núcleo de Assuntos Iraquianos junto à Embaixada do Brasil na capital jordaniana.

“Ele manifestou, ainda, o desejo de receber missões comerciais brasileiras que possam beneficiar-se das oportunidades de negócios que surgem em seu país, e a expectativa de que o Brasil esteja presente no processo de reconstrução do Iraque, o que contribuirá como incentivo ao comércio bilateral”, revelou a diplomacia brasileira.

Engenheiro brasileiro

De acordo com o a revista IstoÉ Dinheiro, o livro Pactos Silenciosos, que será lançado pelo jornalista Cláudio Tognolli, irá revelar que a Abin quis enviar uma equipe ao Iraque para resgatar o corpo do engenheiro João José de Vasconcelos. No plano frustrado da agência, Tognolli faria parte da missão. O livro confirmará que o governo está ciente da morte há tempos, abrindo caminho para que a família receba o seguro da Odebrecht.

Rebeldes iraquianos estariam negociado a entrega dos restos mortais de Vasconcelos, por US$ 150 mil. A família do brasileiro acusa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de omissão. Ele não fez nenhuma declaração pública a respeito do seqüestro. Vasconcelos foi seqüestrado no dia 19 de janeiro, na cidade de Beiji, onde trabalhava numa obra da Odebrecht.

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