Defesa

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Haiti

Exército confirma a morte de último militar desaparecido

O Comando do Exército informou nesta quarta-feira que o último militar brasileiro em condição de desaparecido teve seu corpo reconhecido.

Um brasileiro que estava no Haiti sem vínculos com as Forças Armadas e o governo também foi encontrado entre os escombros. O nome não foi revelado pelo Itamaraty.

Com isso, sobe para 21 o número de brasileiros mortos no Haiti.

São 18 militares e três civis. Um PM do Distrito Federal que estava a serviço da ONU continua desaparecido.

Na manhã desta quarta-feira, um novo tremor atingiu o Haiti. O terremoto de 6,1 graus na escala Richter foi sentido nas áreas já atingidas. Não há relatos de vítimas.

O Exército confirmou que os corpos dos 17 militares mortos no Haiti estão em Manaus e devem chegar à Base Aérea de Brasília nesta quinta-feira à tarde.

Eles serão homenageados e os corpos seguirão para o sepultamento nos locais indicados pelas famílias.

Também nesta quinta-feira, os funcionários da ONU homenagearão o brasileiro Luiz Carlos da Costa no Rio de Janeiro. Ele será enterrado nos Estados Unidos.

Análise da Notícia

Marcelo Rech

Nesta quinta-feira, chegam à Brasília 17 corpos de militares do Exército mortos na tragédia que se abateu sobre o Haiti.

Estavam no país a serviço. Numa missão de manutenção da paz.

Não morreram em combate e eram todos voluntários.

As Forças Armadas não obrigam seus integrantes a servirem em missões no exterior.

Além disso, os militares que se voluntariam ainda passam por uma bateria de exames e testes, inclusive psicológicos e apenas os melhores entre os melhores são selecionados.

Apesar disso, o impacto dos caixões desembarcando na Base Aérea de Brasília influenciará na decisão do Congresso Nacional sobre o envio de mais militares.

O Brasil aguarda um pedido formal da ONU que vai ampliar o contingente da Minustah em 3,5 mil capacetes azuis.

Para atender à demanda das Nações Unidas, a preparação dos militares brasileiros para a missão pode ser encurtada em três meses.

Os soldados selecionados para a missão passam por um treinamento de seis meses, mas é previsto um período menor em casos emergenciais.

Não podemos ignorar que em ano eleitoral, os políticos tendem a dizer o que as pessoas querem ouvir, mesmo que sejam mentiras, absurdos ou simplesmente asneiras.

Parte desses políticos usará o discurso fácil que apela à emoção.

Afinal, que família deseja ter seu filho entregue em um caixão?

O Brasil não tem essa tradição.

Mesmo nos Estados Unidos, país que passou 10% de sua existência como nação em guerras, a imagem de caixões com a bandeira sendo embarcados gera polêmicas e provoca reações negativas em toda a opinião pública.

A morte, como lembra o Comandante do Exército, general Enzo Peri, é inerente à profissão militar, mas talvez seja mais difícil às famílias aceitarem a perda em tais condições.

Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa e Terrorismo e contra-insurgência. Correio eletrônico: inforel@inforel.org

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