Opinião

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21/07/2005
CPLP
21/07/2005

Forças Armadas

Exército norte-americano em crise por falta de soldados e apoio

Marcelo Rech

Os Estados Unidos, potência militar hegemônica, não se cansa de aumentar os recursos destinados à guerra contra o terror, apesar da estratégia ter-se mostrado incapaz de evitar a ocorrência de atentados e a multiplicação de terroristas.

As nações que formam, com os norte-americanos, a coalizão estrangeira no Iraque, continuam ameaçadas, embora os esforços da inteligência tenham sido redobrados e a guerra tenha sido terceirizada.

Inclusive, essa terceirização reside num aspecto fundamental para o êxito ou fracasso no teatro de operações, como dizem os militares: faltam soldados para o Exército mais poderoso do mundo.

Foi o que admitiu o Comandante do Exército dos Estados Unidos, General Peter J. Schoomaker. Segundo ele, devido à guerra do Iraque, o Exército norte-americano está enfrentando grandes dificuldades para manter seu contingente em condições de atuar em várias frentes.

O número de jovens dispostos a integrarem, como recrutas, a lista do Exército tem sido insignificante e deve piorar em 2006. Talvez por isso, os Estados Unidos estejam pensando em implantar um sistema que permita o recrutamento de estrangeiros, sobretudo, latinos, com a promessa de nacionalizá-los, caso retornem com vida do campo de batalhas.

Falando aos integrantes da comissão do Senado dos Estados Unidos, responsável pelos temas ligados às Forças Armadas, o General Schoomaker mencionou que a esta altura a resposta aos alistamentos era de apenas 7.800 soldados, o menor número de alistados, o que significa que apenas 84% do plano anual foi preenchido.

Apesar do pessimismo, ele acredita que mais 80 mil recrutas poderão ser alistados até o próximo dia 30 de setembro. Para o general, as dificuldades para recrutar integrantes para o Exército estão diretamente ligadas às campanhas simultâneas no Afeganistão e no Iraque.

Ele prevê a necessidade de se exercer pressão junto às famílias para evitar que o Exército fique desfalcado.

Já o Secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, um dos falcões responsáveis pela decisão de atacar os dois países, acredita que o Exército falhou em sua missão de recrutamento dos soldados.

Para Rumsfeld, os Estados Unidos só devem deixar o Iraque quando o país estiver em condições de ser entregue às autoridades locais, o que deve demorar anos.

Enquanto isso, a sociedade norte-americana teme um novo Vietnã. Duas pesquisas realizadas pelo canal de televisão ABC e pelo jornal The Washington Post, mostram que 62% dos norte-americanos acreditam que o país está atolado no Iraque. Apenas 37% dos entrevistados entendem que o país está fazendo progressos, e 1% não tem opinião formada a respeito.

Outro detalhe importante é que, para 67% dos norte-americanos, a imagem do país junto à comunidade internacional tem sido prejudicada por conta da Guerra do Iraque. Para 33%, não existe esse prejuízo. A pesquisa foi realizada por telefone com cerca de mil pessoas entre os dias 23 e 26 de junho.

Mas, que relação pode ter uma coisa com a outra? Ora, apesar de deter um poderio bélico de proporções inimagináveis para grande parte das nações do mundo, o governo dos Estados Unidos precisa do apoio interno para fazer a guerra, algo que tem um elevado custo financeiro, multiplicado diversas vezes a cada perda humana.

Está claro que a sociedade norte-americana se vê no fio da navalha por conta das decisões tomadas pelo seu presidente. O país se sente mais vulnerável a cada trombada no Iraque ou atentado nas capitais européias e não quer que seus filhos sejam vítimas de algo insano.

A Defesa Nacional para os Estados Unidos é tema de Política Externa e em Política Externa, os símbolos falam alto. No Brasil, por exemplo, não existe a mesma preocupação com o terrorismo, uma vez que o país não possui nenhum contencioso seja com árabes ou palestinos.

Aqui, o conceito de recrutamento tem outro sentido, pois visa oferecer aos soldados, condições de treinamento e preparação para o caso de um enfrentamento militar, o que não acontece neste território há 150 anos. A última vez que o país participou de um esforço dessa natureza foi na Segunda Grande Guerra.

Além disso, por falta de estrutura, recursos e equipamentos, reduz-se cada vez mais o número de recrutas, pois as forças não têm condições de mantê-los um ano inteiro em período integral.

Para os Estados Unidos, poderia ficar a mensagem da sociedade que está retirando seu apoio à guerra contra o terror sensibilizando seus filhos a não se apresentarem.

Definitivamente, há um entendimento que os caprichos do presidente George W. Bush não devem ser alimentados. Resta saber se a pressão prometida pelo General Schoomaker em relação às famílias norte-americanas, vai surtir algum efeito e como ele pretende retirar o país do atoleiro iraquiano.

Marcelo Rech é Editor do InfoRel

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