Brasília, 01 de outubro de 2020 - 11h53
FIEMG promove diálogo entre governo, academia e setor industrial em Defesa

FIEMG promove diálogo entre governo, academia e setor industrial em Defesa

27 de maio de 2020 - 19:02:14
por: Marcelo Rech
Compartilhar notícia:

Brasília - “As Contribuições da P&D da Área Militar para a Tríplice Hélice” foi o tema da segunda palestra do 2º Ciclo de Estudos Estratégicos de Defesa, evento online realizado no dia 21 e promovido pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG). O encontro teve como palestrantes o Contra-Almirante da Marinha, Celso Mizutani Koga, gerente do Empreendimento Modular de Obtenção de Submarino da Marinha; o comandante do Instituto Militar de Engenharia (IME), General de Brigada Armando Morado Ferreira; e o diretor do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), Major-Brigadeiro do Ar Hudson Costa Potiguara e o Doutor Anderson Ribeiro Correia, este reitor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).

Celso Mizutani Koga, Contra-Almirante da Marinha, apresentou o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub). Segundo Koga, o Prosub é uma parceria firmada entre o Brasil e a França com o objetivo de transferir tecnologia para a fabricação das embarcações. “Enviamos diversos profissionais para a França para serem treinados”, afirmou o Contra-Almirante da Marinha. “O programa irá viabilizar a construção de quatro submarinos convencionais e o primeiro submarino brasileiro com propulsão nuclear”, anunciou.

Parte da construção dos submarinos é realizada na Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas (UFEM) que fica no município de Itaguaí (RJ). O espaço, que foi inaugurado em 2013, possui 45 edificações em uma área total de 97 mil metros quadrados. “Nossa intenção é nacionalizar ao máximo a fabricação de submarinos e, para isso, contamos com a parceria das universidades e também do setor produtivo do país”, reforça.

Já o General de Brigada Armando Morado Ferreira, comandante do Instituto Militar de Engenharia (IME), apresentou o escopo de atuação da instituição e sua contribuição para a Tríplice Hélice. “Somos uma escola de engenharia com formação militar, com metodologia própria. Oferecemos dez opções de graduação, além de mestrado e doutorado”, explicou o General.

Armando pontuou que existe uma interação entre o IME, a academia e o setor produtivo, com ênfase em projetos estratégicos para o país. “O IME cumpre seu papel como universidade, na base do conhecimento, até o nível da fabricação de produtos”, refletiu.

A Instituição também está atuando fortemente no enfrentamento à pandemia da Covid-19. O IME, por meio do assessoramento científico, está realizando o monitoramento, modelagem e simulação da epidemia, trabalhando com uma ferramenta para acompanhamento evolutivo quantitativo dos casos e com mapas temáticos de evolução da doença, dentre outras ações.

Os últimos palestrantes do dia foram o Major-Brigadeiro do Ar Hudson Costa Potiguara, diretor do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) e Doutor Anderson Ribeiro Correia, reitor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).

"A relação da academia com a indústria pode ser identificada com a presença de parques tecnológicos e políticas governamentais”, explicou o Major-Brigadeiro do Ar, reforçando que o melhor modelo de parceria de Tríplice Hélice é o de redes trilaterais, com organizações híbridas. “Como está acontecendo hoje no evento, com a presença de representantes da indústria, academia e governo”, afirmou. Segundo Potiguara, o DCTA atua como indutor das relações entre as empresas, academia e o governo, visando a produção de novos conhecimentos científicos e desenvolvimento econômico.

Um exemplo de parceria de sucesso entre o setor produtivo, academia e governo, citado pelo palestrante, entre vários existentes, foi o projeto do VSB-30. O artefato é um foguete suborbital espacial brasileiro que contou, em seu desenvolvimento, com a participação de universidades, como a UEL, UFRN e UFSC, dentre outras. A certificação do VSB-30 foi finalizada em 2009 e a transferência de tecnologia para a indústria está prevista para este ano. “O sucesso do VSB-30 se tornou um exemplo do modelo da Tríplice Hélice nos setores de inovação e tecnologia”, finalizou o reitor do ITA.

O 2º Ciclo de Estudos Estratégicos de Defesa tem se revestido da mais alta relevância para diversos segmentos da sociedade brasileira, em particular para o industrial, e despertado o interesse de outras importantes Federações de Indústrias, como da Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Tocantins. Este painel, por exemplo, contou com a participação de 240 pessoas no ambiente virtual simultaneamente, destas, cerca de 140 eram de Minas Gerais

A atividade, uma iniciativa da FIEMG, por intermédio de uma parceria firmada com a Escola Superior de Guerra (ESG), tem o objetivo de reunir executivos e industriais para capacitá-los em áreas de importância para a defesa nacional sendo as palestras fechadas para convidados.

Alinhado com o tema abordado, é oportuno destacar o Sistema de Defesa, Indústria e Academia (SisDIA), criado pelo Exército Brasileiro, visando a integração e potencialização das sinergias entre vetores governamentais, indústrias e acadêmicos, que, baseado no consagrado Tríplice Hélice, busca incrementar a cooperação entre essas instâncias, atuando na promoção de ações que objetivam a geração de oportunidades para o desenvolvimento de tecnologias de ponta para a Defesa, com aplicabilidade dual (militar e civil).

O SisDIA conta com representantes em diversas regiões do País, os chamados Escritórios de Ligação, atuando no âmbito local (tático), regional (estratégico-operacional) e nacional (político), por intermédio de seus escritórios de ligação. Na Capital Mineira o Escritório de Ligação é chefiado pelo Gen Ex Rômulo Bini Pereira, o qual mantém estreita ligação com o Centro de Inovação e Tecnologia SENAI (CIT SENAI FIEMG).