Brasília, 15 de setembro de 2019 - 10h09
Força Aérea Brasileira recebe primeiro caça F-39 Gripen

Força Aérea Brasileira recebe primeiro caça F-39 Gripen

10 de setembro de 2019 - 15:48:14
por: Marcelo Rech
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Brasília – A Força Aérea Brasileira (FAB) recebeu nesta terça-feira, em Linköping, Suécia, o primeiro avião de caça F-39 Gripen que “não só dotará a FAB com a mais alta tecnologia para o cumprimento de suas missões, como também possibilitará a qualificação da indústria nacional de defesa por meio de um programa de transferência de tecnologia, acordado com a SAAB. Essa é a empresa que, em 2013, venceu a concorrência para fornecer novos caças ao Brasil”, diz nota do ministério da Defesa.

Ainda segundo o MD, o Gripen atinge duas vezes a velocidade do som e suporta até nove vezes a força da gravidade quando em manobra. “Esse novo avião firma-se como um novo padrão de aeronave para o emprego militar no cenário mundial, sendo utilizado no controle do espaço aéreo, ataque e reconhecimento”, destaca o ministério da Defesa.

A nova aeronave, desenvolvida em parceria com a FAB, será usada na defesa do espaço aéreo nacional. No total, serão 36 aeronaves Gripen que, na versão brasileira, contarão com modernos sistemas embarcados, radar de última geração e capacidade para empregar, inclusive, armamentos de fabricação nacional.

De acordo com o MD, trata-se de um avião que se firma como um novo padrão de aeronave para o emprego militar no cenário mundial, sendo utilizado no controle do espaço aéreo, ataque e reconhecimento.

KC-390

Na quarta-feira, 4, a FAB já havia recebido na Base Aérea de Anápolis (GO), a primeira aeronave multimissão KC-390, resultado de parceria entre Força Aérea e a Embraer.

Trata-se do maior avião militar desenvolvido e fabricado no hemisfério sul com capacidade de realizar missões de transporte aéreo-logístico, reabastecimento em voo (REVO), evacuação aero-médica, busca e salvamento, ajuda humanitária e combate a incêndio, dentre outras.

A nova aeronave foi planejada para atender os requisitos operacionais da FAB, provendo mobilidade estratégica às Forças de Defesa do Brasil. As primeiras unidades da nova aeronave multimissão ficarão sediadas na Ala 2, em Anápolis.

O KC-390 permite maior velocidade, maior capacidade de carga e alcance. Ao todo, mais de 50 empresas brasileiras participam do projeto, que conta, ainda, com a colaboração da Argentina, de Portugal e da República Tcheca.

“Considerada a nova espinha dorsal da aviação de transporte militar no Brasil, a aeronave tem capacidade para operar nos mais diversos cenários, da floresta Amazônica às pistas de pouso na Antártida. Esse, que é o maior avião militar produzido no Brasil, contribuirá para impulsionar a nossa Base Industrial de Defesa (BID)”, enfatiza o MD.

Para a Defesa, o fortalecimento da BID, formada pelo conjunto integrado de empresas públicas e privada, incentiva o desenvolvimento econômico nacional, contribui com o comércio exterior do País, reduz a dependência externa e mantém os requisitos operacionais das Forças Armadas, o que se dá com profissionais altamente capacitados, capazes de contribuir para o desenvolvimento de produtos de defesa tecnologicamente avançados.

Assim, o papel do Ministério da Defesa (MD), por intermédio da Secretaria de Produtos de Defesa (SEPROD), é alinhar a relação entre as empresas e as Forças Armadas para o desenvolvimento dessas tecnologias, para a industrialização de novos produtos e o seu uso dual (civil e militar) na sociedade brasileira.

PROSUB

Além do Gripen F-39 e do KC 390, outras iniciativas integram o esforço de modernização dos meios das Forças Armadas. A Marinha, por exemplo, tem concentrado esforços no Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), que ampliará a capacidade operacional da Força para proteger e preservar a Amazônia Azul.

O primeiro dos quatro Submarinos Convencionais Brasileiros (S-BR), o Submarino Riachuelo (S-40), foi lançado ao mar em 14 de dezembro de 2018. Depois virão o Humaitá (S-41), em 2020, o Tonelero (S-42), em 2021 e o Angostura (S-43), em 2022.

Por fim, a Marinha deverá lançar ao mar, em 2029, o primeiro Submarino com Propulsão Nuclear Brasileiro (SN-BR), que será batizado de “Álvaro Alberto”, uma homenagem ao Almirante que foi o pioneiro no uso da tecnologia nuclear no País.

Criado em 2008, o projeto prevê a construção de infraestrutura industrial de apoio à operação e manutenção dos submarinos. Sustentado por três pilares: transferência de tecnologia, exceto na área nuclear, nacionalização de equipamentos e sistemas e capacitação de pessoal, o Programa está viabilizando o primeiro complexo industrial e de apoio logístico dedicado a meios navais com propulsão nuclear, no hemisfério sul.

O Ministério da Defesa assinala que a concretização do Programa fortalecerá diversos setores da indústria nacional de importância estratégica para o desenvolvimento econômico do País. Priorizando a aquisição de componentes fabricados no Brasil, o PROSUB fomenta o desenvolvimento da Base Industrial de Defesa, que engloba os setores de eletrônica, mecânica (fina e pesada), eletromecânica, química e da Indústria Naval Brasileira.

Guarani

Já no Exército, o Programa Guarani, iniciado em 2013, foi concebido para equipar o Exército com moderna família de blindados sobre rodas, que atendam às exigências doutrinárias e de cumprimento das missões de defesa externa e proteção da sociedade brasileira.

Além da proteção blindada, o Guarani traz valores agregados, como os sistemas de armas, de comando e controle e de comunicações, por meio de transferência de tecnologia e qualificação técnica de mão de obra nacional, contribuindo também para a geração de emprego e renda.

O Programa já proporcionou a criação de 2.890 empregos diretos e indiretos e envolveu a participação de 125 empresas fornecedoras de insumos, sendo 90% de origem nacional. Concebido pelo Sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação do Exército, o Programa Guarani foi desenvolvido em parceria com diversas empresas nacionais.

Até o momento, foram entregues 400 viaturas, de um total de 1.580 unidades, que deverão estar em uso nas diferentes unidades militares até 2038. Graças a uma filosofia estratégica de apoio à indústria nacional, o Brasil conta, atualmente, com empresas capacitadas.

Levantamento realizado pela Secretaria de Produtos de Defesa (SEPROD), revela que mais de mil empresas integram a BID no Brasil. Apenas as 107 empresas cadastradas no Ministério da Defesa como sendo de Defesa (ED) ou Estratégica de Defesa (EED) são responsáveis, hoje, pela geração de mais de 285 mil empregos diretos e 850 mil indiretos.

“Estimular a Base Industrial de Defesa é fundamental para ampliar a competitividade da indústria nacional e aumentar a produtividade, a fim de produzir bens e serviços com maior conteúdo tecnológico”, reiterou o ministério da Defesa.