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Força Alternativa Revolucionária da Colômbia mantém vivas as FARC

Marcelo Rech – 

 Em 15 de agosto, os líderes das FARC anunciaram a criação do partido político que absorverá a organização narcoguerrilheira no âmbito do processo de paz naquele país. No entanto, ao anunciar que as FARC serão substituídas pelo partido político Força Alaternativa Revolucionária da Colômbia, eles enviam uma mensagem contundente de que os acordos de paz jamais colocarão fim às FARC. Seguido o script, o novo partido começa a funcionar em 1º de setembro.

E não se trata apenas de manter a mesma sigla, mas de reafirmar a fragilidade dos acordos firmados. Tenho dito que o respeito a esses acordos, desde muito antes de se estabeleceram as mesas de negociações em Cuba, nunca seria incondicional e nem mesmo incluíria o total das frentes espalhadas pela selva colombiana  ou estrategicamente protegidas na vizinhança.

A reserva técnica das FARC em prontidão, tem capacidade para reorganizar a guerrilha, torpecer os entendimentos e retomar o conflito armado. Nem mesmo o propalado anúncio da entrega das armas suscita confiança, pois nunca se soube ao certo quantos integrantes a guerrilha chegou a ter, muito menos detalhes acerca do seu arsenal bélico.

Some-se a isso o fato de as FARC, durante o regime bolivariano da Venezuela, ter sido fortemente armada. Ao trocar FARC por FARC, a organização mantém-se viva não apenas no imaginário coletivo de uma esquerda latino-americana que ainda apoia a luta armada – sim, isso existe! -, mas impõe à sociedade como um todo uma ameaça velada de que, não atendidas suas condições, a guerra recomeça.

De acordo com um dos seus líderes, Iván Márquez, “não queremos romper os vínculos com o nosso passado. Fomos e seguiremos sendo uma organização revolucionária. Queremos ser a voz dos excluídos, dos sem voz, dos que vivem na miséria, a voz da gente honesta e boa da Colômbia”, argumentó Iván Márquez.

Não podemos, no entanto, desconsiderar os esforços feitos, incluindo o perdão concedido por parte das vítimas da guerrilha, em torno de uma paz tão desejada. E o preço da paz muitas vezes não é justo, mas necessário. Só não se pode ser completamente ingênuo para acreditar que as FARC mudarão por completo.

O crime organizado sangra a região e promete converter a América do Sul num território disputado por cartéis de todas as ordens caso algo não seja feito de fato. E para impedir que as FARC retomem a matança que provocaram nos últimos 50 anos, é preciso não ignorar os sinais, muitas vezes subliminares.

Marcelo Rech é jornalista e analista no Instituto InfoRel de Relações Internacionais e Defesa. E-mail: inforel@inforel.org.

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