Opinião

Defesa Aérea
01/09/2005
Cooperação
01/09/2005

Operações Conjuntas

Forças Armadas intensificam operações e priorizam Amazônia

Marcelo Rech

Apesar das dificuldades e restrições orçamentárias e até políticas, as Forças Armadas têm realizado, de forma singular ou combinada, diversos exercícios militares. Dividindo fronteiras secas com dez países, o Brasil não pode se dar ao luxo de ser surpreendido.

Há regiões mais complicadas que outras, mas o importante é que há decisão política de se incrementar o papel constitucional das Forças Armadas.

Os diversos exercícios e operações realizadas ao longo de 2005, tiveram como finalidade, manter o nível de adestramento dos seus efetivos.

Como afirmam os militares, “você pode ficar 100 anos sem combater, mas não pode ficar um único minuto sem se preparar”.

De acordo com o ministério da Defesa, esses exercícios, comumente denominados de “operações”, objetivam o preparo das forças para a defesa externa; a garantia da lei e da ordem; o cumprimento de acordos internacionais; a condução de ações complementares [ligadas às atividades subsidiárias]; e, ainda, a cooperação para o desenvolvimento nacional.

Até o mês de agosto, o ministério da Defesa, através do Estado-Maior de Defesa, conduziu três exercícios militares que envolveram, de forma integrada, as três forças. Durante este período, foram realizadas a “OPERAÇÃO JAURU II”, com a finalidade do preparo das Forças Armadas para a garantia da lei e da ordem, realizada nos meses de maio e junho na região Centro-Oeste; “OPERAÇÃO TIMBÓ III”, com a finalidade do preparo das forças para a defesa externa, realizado em julho na região Amazônica; e “OPERAÇÃO MARACAJU IV”, com a finalidade do preparo para a defesa externa [aeroespacial], realizada no mês passado em partes das regiões Sul e Sudeste.

Ainda estão programadas para este ano, as operações PAMPA“ e LEÃO II” que ocorrerão nas regiões Sul e Sudeste, respectivamente.

O orçamento destinado pelo ministério da Defesa às Forças Armadas, para a realização das operações combinadas em 2005, chegou à cerca de R$ 20 milhões. Para o ministério, esse montante atende, de forma estritamente necessária, aos gastos envolvidos.

Cada uma das forças acabam complementando com seus próprios recursos, esse montante. Nas três operações conjuntas, foram empregados 11.300 militares.

Igualmente importante é ressaltar que as Forças Armadas mantêm previsões de emprego na defesa de todo o território nacional, em especial, da Amazônia.

Há compreensão dos militares que a formulação de uma estratégia para a defesa da Amazônia é complexa, tendo em vista as dimensões envolvidas, o perfil fisiográfico da região e o esforço da logística para suportar a continuidade das ações militares.

No entanto, a Política de Defesa Nacional contempla a Amazônia [e o Atlântico Sul] como prioridades para a defesa. Em termos militares, para o exercício do controle do espaço territorial, especialmente das áreas de fronteira, deve-se contar, primordialmente, com meios militares dotados de elevada mobilidade, no caso, atendido por meios aéreos de combate.

O ministério da Defesa esclarece que há um grande esforço para o desenvolvimento de estratégias e de táticas próprias para a região. O controle das calhas dos principais rios e de suas margens pode ser realizado por meios navais contando-se com suas características intrínsecas: mobilidade, permanência, versatilidade e flexibilidade.

Além disso, já há um conjunto de ações que contribuem para a defesa da Amazônia, que passam pelo aumento da presença militar na região, a intensificação do desenvolvimento sócio-econômico; e uma maior integração regional com os países fronteiriços.

Essa cooperação pode desempenhar papel significativo, por exemplo, em relação às ameaças das guerrilhas e do narcotráfico, de modo especial, das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia [Farc], que segundo a Defesa, têm reunido suas principais atividades em regiões mais afastadas da fronteira com o Brasil.

Cumpre destacar que a presença das Forças Armadas na região é relevante na formalização da presença do Estado e na contribuição para o desenvolvimento econômico e social da Amazônia, principalmente quando o Tratado de Cooperação Amazônica chega aos seus 25 anos.

O que não se pode ignorar, são as dificuldades enfrentadas pelos militares que cumprem esta missão com recursos precários, o que compromete desde o planejamento até a execução das operações.

Para que haja maior presença militar na Amazônia, inclusive para proteger a região das várias formas de se internacionalizá-la, é necessário que o Congresso reveja o orçamento da Defesa e de cada força especificamente, que hoje são escassos, principalmente levando-se em conta as dimensões da região e as demandas existentes.

Esse é o momento de o Congresso, que tem elevado as questões da Defesa Nacional a um patamar de relevo importante, discuta e formule alterações na proposta que o governo está por enviar ao Parlamento, dotando as forças dos recursos que lhes permitam implementar seus programas de reaparelhamento e modernização.

É preciso que se abandone a retórica, pois todos que acompanham os trabalhos do Congresso sabem que existe uma enorme distância entre o que defendem os parlamentares e o que acabam por aprovar. É a velha história: assuntos de defesa não dão voto.

Esquecem que as Forças Armadas, em grande parte do território nacional, realizam missões que vão muito além da proteção fronteiriça ou do espaço aéreo. Atendem ribeirinhos, prestam assistência médica, odontológica, fazem partos! Salvam vidas, exercem cidadania e emprestam valores éticos, atualmente tão raros na sociedade brasileira.

Marcelo Rech é Editor do InfoRel

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *