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Tríplice Fronteira

Fórum Social rechaça força anti-terrorista na região

Mais de três mil pessoas de vários movimentos sociais participarem da segunda edição do Fórum Social da Tríplice Fronteira, realizado em Ciudad del Este, no Paraguai.

A pretensão do governo dos Estados Unidos de criar uma força anti-terrorista na região, com apoio da Organização dos Estados Americanos (OEA), foi duramente rechaçada no evento.

“Os povos não são terroristas! Queremos viver com dignidade e justiça!”, foi a conclusão da Assembléia dos Movimentos Sociais do encontro.

“Denunciamos e rechaçamos a tentativa do congresso dos Estados Unidos – a pedido do presidente George W. Bush – de sancionar lei que solicita à Organização dos Estados Americanos (OEA) a formação de uma força militar anti-terrorista para atuar na Tríplice Fronteira (Argentina, Brasil, Paraguai) atentando contra a soberania e a autodeterminação dos Povos da região”, diz o documento final do evento.

Além disso, os movimentos sociais latino-americanos presentes ao Fórum, exigiram que o convênio de imunidade ás tropas norte-americanas no Paraguai, não seja renovado.

Para os organizadores do Fórum da Tríplice Fronteira, o convênio incrementou a criminalização da luta social, por meio de mortes e desaparecimentos de dirigentes sociais.

“Sabemos que a militarização e a criminalização de lutadores e lutadoras do povo têm, entre outros objetivos, a apropriação do Aqüífero Guarani, pois a água é um bem natural em disputa no mundo por parte das grandes empresas transnacionais, com a cumplicidade do Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento”, afirmam os organizadores.

Também foram denunciados o pagamento da dívida externa considerada ilegítima das usinas de Itaipu e Yacyretá, responsáveis pelo comprometimento de grande parte do orçamento público paraguaio.

Para os participantes do Fórum, há um aprofundamento da dívida social e ecológica do Paraguai. Os governos da Argentina e do Brasil foram cobrados para que cancelem as dívidas.

Autodeterminação dos povos

O Haiti também ganhou relevo durante as discussões e os movimentos sociais cobraram a saída das tropas estrangeiras do país, consideradas tropas de ocupação e não de paz.

Trata-se, segundo o Fórum, de se respeitar a autodeterminação do povo haitiano. O Brasil comanda as tropas da Missão da ONU de Estabilização do Haiti (Minustah).

Ao final, o Fórum da Tríplice Fronteira entregou uma convocação às organizações populares para que haja um movimento internacional de repudio as novas tentativas dos Estados Unidos em acentuar a militarização da América do Sul.

O documento final contempla ainda a solidariedade desses movimentos e organizações com os povos da Palestina, Líbano, Iraque e Afeganistão, segundo eles, “vítimas da agressão e da guerra imperialista”.

Os povos não são terroristas!

“Lutamos e seguiremos lutando pelo exercício pleno de nossos direitos, por nossa vida e em defesa dos nossos bens naturais contra a destruição do planeta que habitamos, pela soberania de nossos países e a retirada de todas as tropas estrangeiras, guardiãs de um projeto integral de dominação.

Trabalhamos pela solidariedade e união de nossos povos. Nós não somos terroristas. Terroristas são eles, os imperialistas norte- americanos, seus sócios e os governos cúmplices.

Terroristas são os que massacram os povos, os que seguem militarizando o mundo para saquear nossos recursos. Nós estamos dispostos e dispostas a trabalhar juntos, a fortalecer nossa união para abrir caminho para a Paz e a Justiça para todas e todos.

Ciudad del Este, 23 de julho de 2006.”

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