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Futebol e Globalização

Futebol e Globalização

Marcelo Rech

O fenômeno da globalização tem sido marcado pela velocidade com que as mudanças ocorrem e por seus impactos negativos, como o aumento da exclusão social.

Por essa razão, é comum a teóricos de várias correntes, observarem o fenômeno com reservas. Entretanto, a globalização pode abrir perspectivas políticas, econômicas e sociais muito positivas para a maioria dos países, hoje na periferia do mundo. Inclusive, através do futebol.

Para a Costa Rica, participar da abertura da Copa do Mundo da Alemanha, jogando com a seleção anfitriã, é uma oportunidade rara de expor ao mundo, a imagem de um país pequeno, mas com um potencial turístico enorme.

Em 2004, o país recebeu o dobro da sua população, estimada em 3,5 milhões de habitantes, em turistas do mundo inteiro.

Os costarriquenhos vão para a sua terceira Copa do Mundo e trabalharam para aliar o desenvolvimento do seu futebol às oportunidades que se abrirão em todos os setores da economia. Um bom papel da seleção nacional pode representar, por exemplo, geração de empregos e investimentos em infra-estrutura.

Da mesma forma, Angola, Costa do Marfim, Gana, Togo e Tunísia, que representam o continente africano, têm a responsabilidade de fazerem um bom papel. Embora sejam todas estreantes em mundiais, seus jogadores serão responsáveis pela imagem da África, que sediará a Copa de 2010.

O desempenho destas seleções será determinante para que investimentos em obras de infra-estrutura, saúde e turismo, beneficiem o conjunto de sua população. O futebol é um dos grandes negócios do mundo globalizado, onde verdadeiras fortunas são geradas a cada quatro anos apenas com o licenciamento de produtos oficiais.

As seleções ainda recebem elevadas somas pelos direitos de televisão e têm suas partidas transmitidas ao vivo para mais de um bilhão e meio de pessoas em todo o planeta. Bem aplicados, esses recursos podem significar a transformação de toda uma nação.

Para os atletas que vão à Copa, é a chance de abrir as portas para futuros contratos milionários. Hoje, há jogadores de praticamente todos os países atuando nas três divisões do futebol europeu, onde o esporte foi profissionalizado seguindo as tendências da globalização.

As fronteiras caíram antes para quem tem talento com a bola nos pés e tem sido uma das alavancas para retirar centenas de milhares de jovens da exclusão total.

Com mais de 30 milhões de km2, a África é o terceiro continente da Terra com 22% da superfície do planeta. São cerca de 630 milhões de habitantes, dos quais, 50% vivem na pobreza. Num mundo globalizado, o futebol pode começar a mudar essa realidade árida, complexa e extremamente peculiar.

Um dos casos mais emblemáticos talvez seja a participação de Angola na Copa do Mundo. Depois de décadas de guerra civil, o país é um dos mais ricos em minérios, mas enfrenta o preconceito e a discriminação por parte de investidores, sobretudo brasileiros.

Caso Angola confirme na Copa o surpreendente desempenho alcançado nas eliminatórias africanas, o país passará a ser percebido no mapa e nas decisões político-estratégicas das nações que um dia lá chegaram apenas para expoliar, saquear e abandonar o país ao próprio caos.

Marcelo Rech é Editor do InfoRel

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