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Força Aérea

FX 2: a lógica da escolha

Marcelo Rech

O ministro da Defesa, Celso Amorim, e o Comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, reuniram a imprensa na tarde desta quarta-feira, 19, para anunciar o que meio mundo já sabia: a escolha do caça sueco Gripen NG na licitação da Força Aérea Brasileira (FAB), após mais de 15 anos de sucessivos adiamentos.

A decisão surpreende. Ninguém apostava que a presidente Dilma Rousseff teria coragem de tomar uma decisão ao custo de US$ 7 bilhões às vésperas do ano eleitoral onde buscará a reeleição. O Planalto sabe que a decisão é arriscada.

A oposição que tem uma postura republicana quando o assunto é Defesa Nacional, vai chutar o pau da barraca e usar isso contra a presidente-candidata. Num país que importa médicos e cujas emergências mais lembram corredores da morte, gastar US$ 7 bilhões na compra de aviões de guerra é no mínimo temerário. Isso será explorado, não há dúvidas.

E o Gripen não era a opção desejada, pelo menos pela presidente. Ela queria muito fechar negócio com os Estados Unidos, comprar o F-18 e receber tratamento VIP de Washington, status de aliado preferencial, colocar as relações em outro patamar. Dadas as atuais condições criadas por conta da espionagem desenfreada e sem critérios, fechar um contrato com os Estados Unidos tornou-se politicamente impossível.

Nas conversas que teve com François Hollande na semana passada em Brasília, a presidente foi clara ao explicar que a França já está suficientemente contemplada com os contratos em execução dos submarinos convencional e nuclear e dos helicópteros. Ela não iria, portanto, confirmar o que Lula anunciou ao lado de Sarkozy e pelo qual Nelson Jobim tanto trabalhou.

Restou o Gripen fabricado pela Suécia, país que como o Brasil, busca reconhecimento internacional como ator confiável, capaz de contribuir com a solução de conflitos e o entendimento em áreas espinhosas como o Oriente Médio, por exemplo.

Não foi uma decisão comercial, mas política. Uma associação que faz todo o sentido se a intenção é dotar o país de uma tecnologia que ainda não dominamos. Com os Estados Unidos, essa possibilidade seria extremamente limitada. O conceito norte-americano de transferência de tecnologia é algo muito próprio, peculiar.

Feito o anúncio, teremos pela frente pelo menos um ano inteiro de negociações para que o contrato possa ser assinado. Antes disso, diga-se, não haverá desembolso algum. Se o governo for competente, neutraliza os ataques da oposição sem muito esforço.

Marcelo Rech é jornalista, especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa, Terrorismo e Contrainsurgência, Direitos Humanos nos Conflitos Armados, e diretor do Instituto InfoRel de Relações Internacionais e Defesa. E-mail: inforel@inforel.org

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