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Garcia vai tratar com as Farc e a Colômbia

26 de dezembro de 2007
por: InfoRel
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu indicar o assessor internacional da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, para ser o interlocutor brasileiro junto ao governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), quanto a um acordo humanitário que permita a libertação de reféns pela guerrilha.

Na terça-feira, o presidente venezuelano Hugo Chávez, afastado do processo pelo colega àlvaro Uribe, da Colômbia, conversou com Lula, quando o Brasil reafirmou seu interesse em ajudar no processo. Para tanto, o governo da Colômbia terá de pedir para que o Brasil possa avaliar o que fazer.

Garcia também é amigo pessoal do presidente da Venezuela e um dos intelectuais mais próximos da esquerda latino-americana. Em julho de 1990, ele participou da criação do Foro de São Paulo, entidade que reúne partidos comunistas, socialistas e de esquerda da América Latina, incluindo as Farc.

Foi o presidente cubano, Fidel Castro quem pediu a criação do Foro como forma de inibir os efeitos “devastadores sobre as esquerdas latino-americanas do desmembramento do império soviético e do conseqüente desprestà­gio dos "paradigmas" e "utopias" comunistas”, diz um dos documentos da entidade.

Marco Aurélio Garcia é acusado pela oposição de tratar as Farc, um grupo narcoterrorista, como partido polà­tico justamente a partir do Foro de São Paulo, apesar dos và­nculos com o crime organizado, os seqüestros e a mortes de civis, e da comprovada parceria do grupo com o narcotraficante brasileiro Fernandinho Beira-Mar.

Reféns

O presidente da Venezuela aguarda o sinal verde de àlvaro Uribe para que três reféns das Farc sejam postos em liberdade nas próximas horas.

Hugo Chávez explicou em Caracas que Brasil, França, Argentina, Cuba e Equador, vão desempenhar algum papel nesses esforços, mas não entrou em detalhes e esclareceu que Ingrid Betancourt não está entre os reféns a serem libertados neste momento.

Há uma semana, as Farc prometeram libertar Clara Rojas, que foi colaboradora de Ingrid Betancourt e era candidata a vice-presidente na chapa da franco-colombiana, seu filho Emmanuel, nascido em cativeiro, e a ex-parlamentar Consuelo González.

Para o êxito da operação, Chávez conta com a sensibilidade do presidente colombiano com quem trocou farpas há duas semanas por conta da troca de reféns por guerrilheiros presos.

Hugo Chávez não tem dúvidas que o governo dos Estados Unidos estão por trás dos desentendimentos que teve com Uribe, pois não o aceitam como mediador, muito menos o là­der que pôs fim à  agonia dos mais de 50 reféns, incluindo três norte-americanos.

Em comunicado à  imprensa, o alto comando das Farc, explicou que a libertação dos três reféns representa "um gesto de reconhecimento", principalmente aos esforços empreendidos por Chávez, que teve a missão de mediador abortada de maneira inesperada pelo presidente àlvaro Uribe, no final de novembro.

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