Defesa

A impotência da ONU e a indiferença dos EUA
27/07/2006
República Dominicana oferece oportunidades de negó
28/07/2006

Indústria de Defesa

General defende redução da dependência brasileira sobre materiais de defesa

O General José Benedito de Barros Moreira, afirmou na abertura do curso de “Gestão de Recursos de Defesa, realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que o Brasil precisa diminuir a dependência no fornecimento de materiais de defesa.

Na opinião do general, apenas a reestruturação do Estado brasileiro, a partir de um fortalecimento de dentro para fora, tornará o Brasil apto para os desafios contemporâneos, marcados por intensas mudanças da América Latina, a alta demanda por petróleo, os conflitos étnicos e religiosos – sobretudo no Oriente Médio –, a expansão econômica e militar da China, a proliferação nuclear, a guerra ao terrorismo e a diminuição do poder de intervenção da ONU.

Barros Moreira enfatizou que a escassez de recursos às Forças Armadas e a falta de incentivo ao desenvolvimento da indústria de defesa torna o Brasil vulnerável nesse cenário de instabilidade.

“Quando o País mais precisar de materiais, corre-se o risco de nossos fornecedores externos fecharem as torneiras”, advertiu.

O general explicou que do orçamento de R$ 1,2 bilhão, do Comando do Exército sobra muito pouco para investimentos em pesquisa e desenvolvimento, o que torna o Brasil dependente do mercado externo numa área estratégica.

Ele deixou claro que os militares do Exército estão capacitados para um possível conflito, mas há carência de novos equipamentos, como mísseis para defesa aérea de alta altitude e veículo lançador de satélites. Na sua avaliação, são equipamentos que países do porte do Brasil não podem abrir mão.

De acordo com o general, além de fragilizar a segurança terrestre e aérea, a escassez de recursos causa relevante preocupação na defesa marítima, uma vez que 90% da atividade petrolífera é realizada no mar e 95% do comércio internacional acontece por essa via.

“Embora a legislação diga que os royalties do petróleo devam ir para a Marinha, esse dinheiro acaba no pagamento da dívida”, lamentou. No ano passado, o Comandante da Marinha, Almirante Roberto de Guimarães Carvalho, apenas com os recursos dos royalties seria possível manter a força operando.

Para o general José Benedito de Barros Moreira, a transformação da sociedade brasileira depende da implementação de uma profunda reforma legislativa e uma justiça ágil que priorize o fim da impunidade.

Sociedade e Defesa

Com o objetivo de envolver a sociedade civil nas discussões sobre Defesa, a Fiesp, representada pelo Comitê da Cadeia da Indústria de Defesa (Comdefesa), sedia o curso “Gestão de Recursos de Defesa” que é ministrado pela Escola Superior de Guerra (ESG).

Segundo a assessoria da Fiesp, a administração das finanças e dos recursos da defesa, a questão orçamentária, o melhor entendimento das tendências de transformação da área no mundo globalizado são alguns dos temas do curso que vai até setembro e com a participação de 54 empresários do setor.

O Secretário de Organização Institucional do Ministério da Defesa, Antonio Carlos Rosiére, informou que esta é a primeira vez que o curso é oferecido fora do âmbito das Forças Armadas e dos ministérios em Brasília. Desde de 2003, mais de 250 pessoas já participaram do curso.

O empresário Jairo Cândido, coordenador do Comdefesa, aprovou a escolha da Fiesp. Segundo ele, “o aperfeiçoamento da administração dos recursos e do orçamento da defesa são de nosso inteiro interesse. Na carta da indústria paulista enviada aos candidatos ao pleito presidencial, defendemos o orçamento impositivo para o setor”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *