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Governo quer empresas brasileiras na Líbia

Governo quer empresas brasileiras na Líbia

Brasília – O governo quer que empresas brasileiras retornem à Líbia e participem do processo de reconstrução do país. Em agosto, o embaixador Afonso Carbonar assume o posto em Trípoli, vago há 15 meses. De acordo com o diplomata, os líbios querem a volta do Brasil.

Nos últimos meses Carbonar tem-se dedicado a reuniões com empresas privadas e agências governamentais para montar uma estratégia que permita o retorno das empresas que já atuavam na Líbia e a incorporação de novas companhias.

As construtoras Norberto Odebrecht, Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez, além da Petrobras, são algumas das empresas que tinham contratos na Líbia até a queda de Muammar Kadafi. Juntas, possuem uma carteira de cerca de US$ 5 bilhões em negócios.

Um dos principais desafios para Afonso Carbonar será contornar o mal estar gerado pela abstenção brasileira em relação à intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em 2011.

Em abril, o vice-primeiro-ministro líbio, Omar Abdelkarim, esteve no Brasil e reuniu-se com vários ministros e a presidente Dilma Rousseff. Ele deixou claro que a Líbia conta com o Brasil.

O Brasil pretende concentrar seu foco no diálogo político e na cooperação técnica. Atualmente, o país já mantém militares no trabalho de remoção de minas terrestres na Líbia.

Além disso, Afonso Carbonar destacou que o desarmamento, a desmobilização e a reintegração, formam o tripé fundamental para a reorganização institucional da Líbia. Estima-se que cerca de 300 mil líbios estejam armados.

O Subsecretário-Geral Político do Itamaraty para o Oriente Médio e África, embaixador Paulo Cordeiro de Andrade Pinto, explicou que há interesse mútuo dos dois países de desenvolver as relações econômicas.

Já Cesário Melantônio Neto, embaixador extraordinário para o Oriente Médio, destacou que, além das relações econômicas, o governo brasileiro pretende apoiar a Líbia em áreas como o controle de armamentos, segurança alimentar e programas de transferência de renda.

Na avaliação de Afonso Carbonar, a Líbia vive um momento histórico graças aos esforços da população e do Conselho Nacional de Transição (CNT).

“O CNT está fazendo um trabalho extraordinário na Líbia ao promover eleições diretas, como as que ocorreram no último fim de semana. Serão eleitos 200 deputados constituintes que vão elaborar a Constituição Nacional. As eleições na Líbia são um marco histórico, um divisor de águas no caminho da democratização”, afirmou.

A Líbia tem a nona maior reserva de petróleo do mundo, a 25ª de gás natural e um Produto Interno Bruto (PIB) de cerca de US$ 100 bilhões. Carbonar estima que os negócios com o Brasil poderão chegar a US$ 10 bilhões nos próximos cinco anos.

Infraestrutura

Aos poucos a Líbia tenta voltar à normalidade. Nesta semana, foram retomadas as atividades em oito aeroportos regionais. O próximo passo será melhorar os serviços prestados.

Segundo anúncio do governo líbio, o monopólio do tráfego aéreo, que ocorria em dois dos principais aeroportos do país antes da queda do presidente Muamar Kadafi, deixará de existir.

Cada aeroporto líbio terá sua autonomia, segundo porta-voz do governo, Nasser Al-Mana, e todos poderão operar voos nacionais e internacionais.

Entre os investimentos previstos para o setor está a construção de duas salas de passageiros para os aeroportos de Benghazi e de Misrata. Na próxima semana será assinado contrato com a empresa sul-coreana Nemo para tocar o projeto.

O Ministério dos Transportes da Líbia também concluiu os procedimentos formais para a importação de aparelhos de detecção nos passageiros e nas bagagens, que não havia na maioria dos aeroportos, além de ter encomendado caminhões de bombeiros.

A Líbia tem 144 aeroportos, mas apenas 64 têm pista pavimentada. O país também possui dois heliportos e 100 mil quilômetros de rodovias. Desse total, só 57,2 mil quilômetros são pavimentados.

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